O relatório sobre o Estado Islâmico divulgado pelas Nações Unidas (ONU) revela que o Presidente de transição da Síria, Ahmed Al-Sharaa, é o “alvo prioritário” do grupo terrorista, que tentou matar o governante cinco vezes em 2025. Os planos, que também visavam o Ministro do Interior e o Ministro dos Negócios Estrangeiros do país, foram frustrados pelas autoridades de segurança sírias.
Das cinco tentativas de homicídio do Presidente da República Árabe da Síria identificadas pelo relatório do Gabinete contra o Terrorismo da ONU, citado pelo The Guardian, duas foram planeadas pelo Saraya Ansar al-Sunnah (SAS) — o grupo responsável pelo ataque de uma igreja em Damasco, em junho de 2025 — nas cidades de Aleppo e Dar’a, respetivamente no norte e sudoeste do país. O relatório sugere que o SAS é um “grupo de fachada” do Estado Islâmico, que terá orquestrado as restantes tentativas de assassinato de Al-Sharaa.
Ainda de acordo com o jornal britânico, os planos de homicídio, que também visavam os o Ministro do Interior, Anas Hasan Khattab, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Asaad al-Shaibani, foram frustrados pelas autoridades de segurança sírias, após obtenção de informações proveniente de países vizinhos.
O Estado Islâmico continua a operar no país, onde tem efetuado “ataques contra as forças de segurança, particularmente no norte e nordeste”. As Nações Unidas estimam um total de 3000 militantes da organização terrorista só na Síria e no Iraque, e não têm dúvidas que Ahmed Al-Sharaa é o seu “alvo prioritário”. O Presidente interino do país tomou posse em janeiro de 2025, sete semanas após liderar a ofensiva que depôs Bashar Al-Assad e terminou a guerra civil de 14 anos.
Já durante a presidência de Al-Sharaa, a Síria aderiu à Coligação Global para a Derrota do Estado Islâmico, em novembro do ano passado. A organização liderada pelos EUA desde 2014, pretende eliminar vestígios do grupo extremista e impedir a expansão de células e de combatentes estrangeiros.
Segundo o relatório da ONU, em 2025, a ameaça do Estado Islâmico estende-se além da Síria, que já não constitui o “principal bastião” do movimento radical organizado. A sua ação “intensificou-se em diversos cenários, nomeadamente na África Ocidental e Central, no Sahel [a sul do deserto do Saara] e no sul da Ásia” e “continua a constituir uma ameaça à paz e segurança internacional, que impõe graves desafios aos direitos humanos e ao desenvolvimento” das regiões afetadas.
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