O novo Conselho de Paz pensado e colocado em prática pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para a resolução de conflitos globais teve a sua reunião inaugural esta quinta-feira, em Washington, onde os membros que se disponibilizaram a pagar mil milhões de euros discutiram, sobretudo, a reconstrução de Gaza e os fundos prometidos pelos estados membros. Os avisos finais ao Irão também não ficaram de fora do primeiro encontro do organismo.

Como refere o The New York Times, havia poucos objetivos claros na reunião, mas esta foi como uma assembleia geral das Nações Unidas, “se tudo nas Nações Unidas girasse em torno de Donald Trump”. A prova foram os chapéus vermelhos ao estilo MAGA com a inscrição “U.S.A.” em letras brancas distribuídos por alguns dos participantes.

Foi o próprio Trump a anunciar que os membros do Conselho de Paz doaram perto de 6 mil milhões de euros para ajuda a Gaza. O Presidente norte-americano afirmou que vários países já se comprometeram a enviar mais de 7 mil milhões de dólares (perto de 6 mil milhões de euros) para um pacote de ajuda internacional, destacando as contribuições do Cazaquistão, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos, Marrocos, Bahrein, Catar, Arábia Saudita, Uzbequistão e Kuwait.

O Presidente dos EUA agradeceu informalmente (que foi aliás o tom de todo o encontro) as doações: “Isso é ótimo. Obrigado, pessoal”, afirmou, acrescentando que “muitos outros estão a contribuir”.

Ainda em relação a Gaza, foi anunciado que vários países vão enviar tropas para “estabilizar” Gaza. A Indonésia, Marrocos, Albânia, Kosovo e Cazaquistão concordaram em enviar tropas e treinar forças policiais em Gaza para ajudar na estabilização da região.

Trump avançou ainda que outros países, como o Egito e a Jordânia, estão também a fornecer uma ajuda “muito significativa” para a criação de “uma força policial palestina altamente confiável”. No seu discurso, Jasper Jeffers, Comandante da Força Internacional de Estabilização, explicou o plano: “A curto prazo, planeamos destacar-nos primeiro para o setor de Rafah”, indicando que o grupo planeia aumentar o seu efetivo para 12.000 polícias e 20.000 soldados.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, que marcou presença no Conselho de Paz, anunciou uma parceria entre a federação internacional de futebol e o conselho para a construção de campos de futebol e estádios em Gaza, comprometendo-se a investir 2,5 milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros), como parte da iniciativa de reconstrução da região.

“Não precisamos apenas de reconstruir casas, escolas, hospitais e estradas, precisamos também de reconstruir e construir pessoas, emoções, esperança e confiança. E é disso que se trata o futebol, o meu desporto”, afirmou Infantino.

Também o CEO da Apollo Global Management, Marc Rowan, apresentou o plano do Conselho de Paz para construir habitações em Gaza, que começa com 100.000 casas para 500.000 residentes. Rowan adiantou ainda que, a longo prazo, a iniciativa prevê mais de 400.000 habitações, sublinhando que “isto não é uma questão de dinheiro, mas de paz”.

Trump usou Conselho de Paz para dar prazo claro ao Irão: primeiro 10 e depois 15 dias para fechar acordo sobre programa nuclear

Da reunião do estreia do Conselho de Paz soaram ainda avisos e prazos claros para o Irão. Trump afirmou que ainda há “trabalho a fazer” com o país, reforçando que este já foi avisado “veementemente” de que não pode deter uma arma nuclear.

“Temos algum trabalho a fazer com o Irão. Eles não podem ter uma arma nuclear, é muito simples. Não pode haver paz no Médio Oriente se eles tiverem uma arma nuclear. E já foram avisados veementemente”, afirmou na reunião do Conselho de Paz em Washington.

O Presidente dos EUA, logo a abrir a sua intervenção, começou por dar 10 dias ao Irão para um acordo sobre o seu programa nuclear, caso contrário, garantia: “coisas más vão acontecer”.

“Eles não podem continuar a ameaçar a estabilidade de toda a região. Eles têm de chegar a um acordo significativo. Se isso não acontecer, não acontece, mas coisas más vão acontecer”, acrescentou.

Mais tarde, já no final do Conselho de Paz e a bordo do avião Presidencial Air Force One, Trump alargou o prazo para fechar o acordo sobre o programa nuclear para “15 dias”. No caso de não se chegar a uma solução final, Trump antevê um desfecho de “infortúnio” para Teerão.

Os recados para a Noruega que “tramou” Trump com o Nobel e para os países que não se juntaram

No palco que geriu durante todo o tempo da reunião do Conselho de Paz, Donald Trump anunciou “com entusiasmo” que a Noruega, que inicialmente tinha indicado que não se juntaria de imediato ao Conselho de Paz de Donald Trump, aceitou receber um evento futuro da iniciativa.

Noutro momento, ao agradecer à FIFA, Trump afirmou ter sido “tramado” pela Noruega por não lhe ter sido atribuído o Prémio Nobel da Paz.

Aproveitou também para classificar a iniciativa que decorria como “uma das mais importantes” e elogiou os países participantes, enviando um recado aos que ainda não aderiram, afirmando que acabarão por aceitar.

“Quase todos aceitaram, e os que ainda não aceitaram, vão aceitar”, avisou. “Alguns estão a tentar ser espertos. Não adianta. Não dá para se armarem em espertos comigo.”

[O acampamento mais importante do ano. O concurso de Miss com biquinis minúsculos. E o obscuro ritual tântrico em grupo. Ouça o quarto episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro]