O PCP de Vila Nova de Gaia disse esta terça-feira que o município do distrito do Porto não pode ser “cúmplice do genocídio” do povo palestiniano, após o presidente da Câmara, Luís Filipe Menezes, receber o embaixador de Israel.
Numa nota de imprensa intitulada “Gaia não pode ser cúmplice do genocídio”, a concelhia do PCP de Gaia refere que o município “não pode ser palco para o branqueamento do genocídio e dos crimes de Israel”.
Em causa está uma publicação do presidente da Câmara, Luís Filipe Menezes (eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL), que dá conta da receção ao embaixador de Israel, Oren Rozenblat, referindo que “foram debatidos temas importantes, como o do investimento de muito empreendedores israelitas em Gaia, a condenável situação do crescimento do antissemitismo na Europa e a situação no Médio Oriente”.
“Gaia começa a ser um centro de diálogo com o mundo através das embaixadas creditadas em Portugal. Sem distinções ideológicas, nem sectarismos de qualquer espécie. Aqui todos são ouvidos e respeitados”, escreveu o presidente da autarquia gaiense.
O PCP assinala que “dia após dia, os grandes meios de comunicação social mostram imagens de uma violência e crueldade sem limites e uma contabilidade sinistra de assassínio deliberado das populações, incluindo a infame imposição da fome que está a atingir particularmente milhares de crianças”.
Assim, no comunicado, a comissão concelhia do PCP de Gaia “vem denunciar e condenar veementemente a recente receção oficial do Embaixador de Israel por parte da Presidência da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia”.
“Sob o pretexto de um suposto ‘diálogo com o mundo’ e de ‘investimentos económicos’, o executivo municipal optou por uma postura de profunda conivência e branqueamento perante um Estado que, aos olhos do mundo e do Direito Internacional, está a levar a cabo um massacre deliberado e um genocídio contra o povo palestiniano”, considera o PCP.
Para os comunistas, “a tentativa do presidente da Câmara de justificar esta aproximação com o ‘investimento de empreendedores israelitas’ em Gaia é um insulto à tradição democrática e solidária do nosso concelho e uma opção profundamente ideológica que menoriza os crimes do Estado de Israel em nome de um suposto diálogo que não coloca a Paz e o fim do genocídio como prioridades”.
O PCP relembra que o município “tem um historial de compromisso com estes valores, destacando-se a sua adesão à rede internacional “Mayors for Peace” [Presidentes de Câmara pela Paz] em 2025, o facto de ter sido anfitrião do Encontro pela Paz em 2023 organizado pelo CPPC [Conselho Português para a Paz e Cooperação], assim como a promoção de vários Concertos pela paz ao longo dos anos”.
“Os interesses económicos e o lucro não podem estar acima da defesa dos direitos humanos”, vincam os comunistas, lembrando o “historial de compromisso” com os valores da paz e considerando que “a receção ao representante de um Estado agressor é uma traição a este percurso e a todos os que em Gaia lutam pela paz em todo o mundo”.
“Vila Nova de Gaia não pode ser um porto seguro para os grupos económicos que beneficiam de um regime de ocupação e agressão. Vila Nova de Gaia deve ser, sim, um centro de diálogo, mas de um diálogo pela Paz, que exija o cessar-fogo imediato e permanente, o fim do bloqueio humanitário a Gaza e o reconhecimento do Estado da Palestina livre e independente”, conclui o comunicado.
O PCP de Gaia considera ainda que “não há palavras para exprimir o horror e o sofrimento que Israel e o imperialismo norte-americano estão a infligir ao povo palestiniano na Faixa de Gaza e também nos territórios ocupados da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, com a criminosa cumplicidade da União Europeia”.
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