Matan Angrest foi um dos israelitas capturados pelo Hamas nos ataques de 7 de outubro de 2023, após o tanque em que seguia ter atingido por um lança-granadas, matando os três militares que o acompanhavam. Esteve em cativeiro 748 dias e, ao programa de investigação Uvda, do Canal 12, confessou ter inventado informações para esconder “coisas que se enquadram na categoria de ‘morrer e não contar'”. Por isso, enfrentou interrogatórios onde diz ter sido torturado e eletrocutado para contar tudo o que sabia.

“Acordei em Gaza, numa sala qualquer, sem conseguir abrir os olhos. Também não conseguia mexer a mão, que estava queimada”, relatou o soldado do 77.º Batalhão da 7.ª Brigada Blindada das Forças de Defesa de Israel (IDF), revelando que, quando conseguiu ver o que rodeava, percebeu que estava na presença de oito palestinianos que o queriam interrogar.

Mas as perguntas eram em árabe e Angrest, explicou, não as entendia. A reação, segundo o refém libertado a 13 de outubro de 2025, foi espancá-lo, enquanto se encontrava de mãos e pés atados. “Alguém se aproximou de mim com dois cabos, colocou-os sobre o meu ferimento e ligou [uma máquina]. Senti-me eletrocutado. Gritei devido a uma dor impossível de descrever”, assumiu, revelando ainda ter ficado isolado durante várias semanas.

Enfrentou dezenas de interrogatórios porque os membros do Hamas procuravam que ele revelasse informações altamente confidenciais sobre o tanque de elite onde estava quando foi capturado. Esses conhecimentos fazia com que lhe chamassem “diamante”. “Tu és um soldado. Vales mais que muitos terroristas”, ouviu Angrest. O soldado percebeu o valor que tinha. “Eles têm o poder. Mas, ao mesmo tempo, precisam de mim”, eram os seus pensamentos naqueles momentos.

Segundo o militar, “houve torturas que chegaram ao extremo”. O interrogatório mais longo durou cerca de oito horas. “Fiquei ali sentado e tive de dizeres-lhes coisas, sabendo que não se tratava apenas do meu próprio bem-estar, mas da segurança do país. Há coisas que se enquadram na categoria de ‘morrer e não contar’”, explicou. Um dos seus objetivos era convencer os sequestadores de que não tivera um papel ativo na luta contra o Hamas nos ataques de 7 de outubro: “Inventei uma história para encobrir tudo. Disse que saímos da base 10 minutos [após o início do ataque], eles atiraram em nós e, pronto, sequestraram-me”.

Após um longo período sozinho, Angrest foi colocado junto a Gali Berman, também ele feito refém pelo Hamas, com quem criou uma forte amizade. “Dizia-lhe: ‘Gali, tenho medo. Não sei o que vão fazer comigo. Como vou conseguir dormir à noite?’ Ele tentava consolar-me”, detalhou.

A notícia liberdade chegou como uma “surpresa”, pela voz de um dos membros mais antigos do Hamas. Angrest saiu com Berman e mais outros dois reféns, Alon Ohel e Guy Gilboa Dala. “De repente, como por magia, tudo desaparece. O bem vence o mal sem mais, nem menos”, disse sobre o que sentiu um dos últimos 20 reféns vivos a serem libertados pelo grupo armado palestiniano.

Atualmente, Angrest está focado num processo intensivo de reabilitação física e psicológica no Centro Médico Sheba. Sem esconder que sabe que “a cicatriz vai permanecer para sempre”.

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