Os Verdes conquistaram o assento parlamentar de Gorton e Denton, no norte de Inglaterra, numa eleição parcial que representa a primeira vitória do partido na região e empurrou o Partido Trabalhista para terceiro lugar, noticiou a BBC.

A candidata Hannah Spencer, autarca local de 34 anos e canalizadora de profissão, venceu uma corrida muito disputada, conquistando 41% dos votos, superando o representante do Partido Reformista, Matt Goodwin (29%) e a trabalhista Angeliki Stogia (26%).

A votação decorreu na quinta-feira e o resultado foi confirmado nas primeiras horas desta sexta-feira, sendo o melhor desempenho de sempre dos Verdes numa eleição parlamentar parcial.

A eleição foi desencadeada pela demissão, por problemas de saúde invocados pelo deputado trabalhista Andrew Gwynne, que era investigado devido a mensagens consideradas ofensivas partilhadas num grupo de Whatsapp.

O círculo eleitoral de Gorton e Denton foi até agora um bastião do Partido Trabalhista, que em 2024 obtivera 50,8% dos votos e uma maioria de mais de 13 mil sobre o Reform UK.

A vitória verde rompe com mais de quatro décadas de domínio trabalhista na área, razão pela qual é tradicionalmente designada por red wall (muro vermelho).

A conquista reforça a ascendência dos Verdes na política nacional e confirma, segundo analistas, a capacidade do partido de disputar votos de trabalhistas descontentes e de eleitores progressistas que procuram alternativa ao governo de Keir Starmer.

O líder do Partido Verde, Zack Polanski, afirmou esta sexta-feira, citado pela BBC, que, “se assistirmos a uma reviravolta como esta nas próximas eleições gerais, haverá uma onda de novos deputados verdes”.

“Quando fui eleito líder dos Verdes, disse que estávamos aqui para substituir o Partido Trabalhista e falava a sério”, disse o jovem dirigente, por vezes comparado ao Presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani.

O Reform UK de Nigel Farage, embora tenha ficado atrás dos Verdes, consolidou um crescimento acentuado relativamente às eleições de 2024, enquanto o Partido Conservador e os Liberais Democratas se ficaram pelo quinto e sexto lugar, arrecadando apenas 2% dos votos cada.

Ainda assim, o partido populista de direita, que tentou transformar a campanha num referendo sobre o primeiro-ministro, não conseguiu replicar a conquista do assento parlamentar de Runcorn e Helsby em maio do ano passado.

O resultado não tem impacto no Governo, pois o Partido Trabalhista mantém uma maioria absoluta de 404 deputados na Câmara dos Comuns, onde o Partido Verde tem apenas cinco.

Starmer dececionado com derrota eleitoral mas quer “continuar a lutar”

A derrota do Labour nesta eleição é particularmente simbólica, após semanas de tensão interna na liderança de Keir Starmer, marcada por quedas nas sondagens e polémicas recentes, e representa um novo sinal de desgaste do Partido Trabalhista no norte de Inglaterra.

O primeiro-ministro britânico reconheceu que a derrota do Partido Trabalhista foi um “resultado dececionante”, mas recusou demitir-se. “Os governos em exercício muitas vezes obtêm resultados como esse a meio do mandato, mas compreendo que os eleitores estejam frustrados, impacientes por mudanças”, afirmou, em declarações transmitidas pela Sky News.

O líder trabalhista prometeu “continuar a lutar” para dar aos britânicos “uma vida decente e melhor” e também para “combater os extremos da política à esquerda e à direita”.

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As atenções voltam-se agora para as eleições locais de maio, quando mais de 4.800 lugares estarão em disputa em Inglaterra, bem como as eleições regionais na Escócia e no País de Gales.

O desempenho dos trabalhistas nessas votações será determinante para avaliar se Keir Starmer consegue recuperar o ímpeto político ou se é pressionado a afastar-se para dar lugar a uma nova liderança.

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