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Quem é Shehbaz Sharif, o primeiro-ministro paquistanês que convenceu os EUA e o Irão a regressarem à mesa de negociações

Este artigo tem mais de 6 meses

Saudado por Trump e pelo Irão, o primeiro-ministro paquistanês tornou-se peça-chave no regresso das negociações. Vindo de uma "dinastia política", é conhecido pelo perfil proativo e conciliador.

epa12434116 Pakistan's Prime Minister Shehbaz Sharif speaks during a joint press conference with Malaysia's Prime Minister Anwar Ibrahim (not pictured) during Sharif's official visit, in Putrajaya, Malaysia, 06 October 2025.  EPA/Hasnoor Hussain / POOL
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▲Shehbaz Sharif assumiu como primeiro-ministro do Paquistão em 2022, estando agora no seu segundo mandato

Hasnoor Hussain / POOL/EPA

▲Shehbaz Sharif assumiu como primeiro-ministro do Paquistão em 2022, estando agora no seu segundo mandato

Hasnoor Hussain / POOL/EPA

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Quando o anúncio de um acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irão chegou às redes sociais de Donald Trump e Abbas Aragchi, na noite da passada terça-feira, os dois lados saudaram os esforços do mesmo homem: Shehbaz Sharif. O primeiro-ministro do Paquistão terá sido o responsável pela mediação que resultou na abertura do Estreito de Ormuz esta quarta-feira e a suspensão das hostilidades entre os dois países — pelo menos por algumas horas. E será o anfitrião, no sábado, das delegações norte-americana e iraniana, para uma ronda de negociações a que se tem chamado Islamabad Talks.  Shehbaz Sharif é descrito por jornais do Médio Oriente, como a Al-Jazeera, como tendo um perfil administrativo “can-do”, ou seja, proativo e focado na solução; tem ainda relações amigáveis com os militares e uma posição mais conciliadora com os países vizinhos que possuem armas nucleares — como o Irão — apesar dos muitos conflitos nas regiões de fronteira, especialmente com a Índia e o Afeganistão.

Como intermediário nas negociações entre os EUA e o Irão, o primeiro-ministro paquistanês apostou na boa relação com o Irão, muitas vezes referido como um “país irmão”. Do lado norte-americano, Donald Trump mostra-se satisfeito com o trabalho do chefe das forças armadas paquistanesas, Asim Munir, afirmando que este conhece o Irão “melhor do que a maioria”. A relação de ambos, recorda a Al-Jazeera, data de 2021, quando as autoridades paquistanesas prenderam o alegado responsável pelo ataque ao aeroporto de Cabul, quando 13 norte-americanos morreram. De acordo com analistas ouvidos pela BBC, o pacto de defesa do Paquistão com a Arábia Saudita, que ainda não foi acionado, poderá adicionar uma pressão extra para trazer os iranianos para a mesa de negociação.

Administrador “can-do” e próximo dos militares

Membro de uma família proeminente na política paquistanesa desde os anos 1980, equiparada a uma dinastia pela imprensa local, é irmão mais novo do antigo primeiro-ministro Nawaz Sharif, que ocupou o cargo por mais de nove anos ao longo de três mandatos não consecutivos, foi condenado em 2018 por corrupção, esteve quatro anos num auto-exílio e é atualmente presidente da Liga Muçulmana do Paquistão. Shehbaz Sharif tornou-se primeiro-ministro pela primeira vez em abril de 2022, depois da queda de Imran Khan. O seu segundo mandato começou em março de 2024, depois de um período de transição de seis meses entre o fim do seu primeiro mandato e as eleições. Foi nesta altura que recebeu o irmão de volta ao Paquistão, em outubro de 2023. Dois meses depois, um tribunal paquistanês anulou a condenação de Sharif por corrupção.

Shehbaz nasceu na cidade de Lahore, a capital da província de Punjab, a mais populosa do Paquistão. Entrou na política em 1997, aos 39 anos, tornando-se governador da província — contudo, em 2000, foi preso durante o golpe de Estado, e enviado para o exílio na Arábia Saudita, onde viveu até 2007. Quando regressou ao Paquistão, voltou a assumir o governo de Punjab. Só ascendeu à política nacional em 2017, quando o seu irmão mais velho, então primeiro-ministro, se demitiu, diante de uma investigação às suas finanças após documentos dos Panama Papers revelarem que os seus filhos possuíam empresas de fachada nas Ilhas Virgens Britânicas. Contudo, Shehbaz perdeu as eleições de 2018 contra Imran Khan (condenado em 2025 a 14 anos de prisão por corrupção) e passou a liderar a oposição no país, no mesmo partido que levou o irmão ao poder, a Liga Muçulmana do Paquistão.

epa12341803 Participants of the Shanghai Cooperation Organization (SCO) Summit 2025, including President of Belarus Alexander Lukashenko (2-L), Prime Minister of Pakistan Shehbaz Sharif (3-L), President of Uzbekistan Shavkat Mirziyoyev (4-L), President of Uzbekistan Shavkat Mirziyoyev (5-L), Russian President Vladimir Putin (6-L), Chinese President Xi Jinping (C-L), President of Kazakhstan Kassym-Jomart Tokayev (5-R), Prime Minister of India Narendra Modi (4-R), President of the Kyrgyz Republic Sadyr Japarov (3-R), and President of Iran Masoud Pezeshkian (2-R) pose for photos at the Meijiang Convention and Exhibition Centre in Tianjin, China, 01 September 2025. The Shanghai Cooperation Organization (SCO) Summit 2025 is held in Tianjin on 31 August and 01 September.  EPA/SUO TAKEKUMA / POOL

▲ Shehbaz Sharif foi um dos líderes a participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai em 2025, ao lado de Vladimir Putin e Xi Jinping

SUO TAKEKUMA / POOL/EPA

Durante o seu governo na província de Punjab, Shehbaz Sharif realizou projetos financiados pela China, incluindo o primeiro sistema de metro de superfície da cidade de Lahore, parte do acordo China-Pakistan Economic Corridor (CPEC). Enquanto líder da oposição, costumava defender em entrevistas uma política externa de conciliação. “Reparar as relações do Paquistão com países amigáveis é uma prioridade. Somos os responsáveis pela nação e estamos ansiosos por trabalhar com amigos e aliados para promover as nossas relações bilaterais e multilaterais”, disse à Al-Jazeera, ainda antes de se tornar primeiro-ministro.

Abuso de poder e corrupção

Assim como o irmão, Shehbaz Sharif também passou pela prisão, especialmente na altura em que foi líder da oposição no país. Teve também o nome envolvido em polémicas quando exerceu cargos executivos. Em 2014, chegou a ser apontado como cúmplice de uma operação policial violenta no bairro de Model Town, em Lahore, que resultou na morte de 14 pessoas, publicou na altura o jornal paquistanês Dawn. Contudo, o então governador de Punjab nunca foi condenado pelo caso. Já em 2018, Sharif foi acusado de cancelar o contrato com uma construtora para favorecer uma empresa ligada aos seus aliados políticos num projeto de habitação popular. Foi detido em outubro e permaneceu sob custódia por cerca de quatro meses, sendo libertado sob fiança em fevereiro de 2019. Em 2023, no período de transição entre os seus dois mandatos como primeiro-ministro, foi absolvido das acusações, avançou o Dawn.

Em 2020 Shehbaz Sharif e o filho Hamza, que é atualmente o líder da oposição em Punjab, foram acusados de lavagem de dinheiro — e as suas contas bancárias foram congeladas no Reino Unido, recorda o Indian Express. — contudo o caso foi arquivado depois de uma investigação da Agência Nacional de Crime Britânica não encontrar provas contra Sharif. O então líder da oposição ainda foi detido em setembro de 2020 pelas mesmas acusações, sendo libertado sob fiança em abril de 2021. O processo permaneceu aberto no Paquistão até 2022, mas meses depois de Sharif assumir como primeiro-ministro, ambos foram absolvidos pelo tribunal paquistanês.

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