A Polícia Judiciária (PJ) participou numa operação internacional da Europol de combate ao cibercrime que desmantelou plataformas de infraestruturas para contratação de ataques cibernéticos, tendo a polícia portuguesa conseguido desativar 59 ‘sites’ que ofereciam esse serviço.

“A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica, participou numa operação global, apoiada pela Europol, centrada em medidas de repressão e prevenção contra mais de 75 mil utilizadores envolvidos em ataques de ‘DDoS-for-hire'”, adiantou esta quinta-feira a PJ em comunicado, sobre a operação ‘PowerOFF’.

Os ataques ‘DDos-for-hire’ (distributed denial-of-service, ou ataque distribuído de negação de serviço, em português) são uma forma de cibercrime que funciona como um mercado de contratação de serviços, em que é possível adquirir modelos de ciberataques que visam servidores, páginas ou serviços online, como vendas.

Nestes ataques as páginas ou serviços são inundados com pedidos de conexão fraudulentos, produzidos por ‘botnets’, — redes de robots ou computadores com software malicioso (malware) — e que visam levar à indisponibilidade do serviço para utilizadores legítimos, por ficarem sobrecarregados com pedidos fraudulentos que impossibilitam uma resposta ao volume massivo de pedidos de ligação recebidos.

“Os serviços de booter permitem aos utilizadores lançar ataques ‘DDoS’ contra websites, servidores ou redes específicas. A sua infraestrutura é composta por servidores, bases de dados e outros componentes técnicos que tornam possível a atividade de ‘DDoS-for-hire’. Ao apreender estas infraestruturas, as autoridades conseguiram travar estas operações criminosas e prevenir danos adicionais às vítimas”, lê-se no comunicado da PJ.

“As bases de dados apreendidas permitiram aos especialistas da Europol apoiar os seus homólogos nacionais, fornecendo dados sobre mais de três milhões de contas de utilizadores”, acrescentou a polícia portuguesa.

Do lado da participação portuguesa na operação da Europol, a PJ fez 62 pedidos à Google para remoção de sites que forneciam este serviço de cibercrime, tendo conseguido a remoção de 59 das páginas solicitadas, “o que representa o maior número de remoções entre os países participantes nesta operação conjunta”.

A operação, a nível global, levou à detenção de 23 pessoas, ao encerramento de 53 domínios e à emissão de 25 mandados de busca.

Na operação participaram duas dezenas de países: Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Bulgária, Dinamarca, Estónia, Finlândia, Alemanha, Japão, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Polónia, Portugal, Suécia, Tailândia, Reino Unido e Estados Unidos.

“Os ataques são frequentemente focados a nível regional, com utilizadores a visar servidores e ‘websites’ dentro do seu continente, e dirigem-se a alvos diferenciados, incluindo ‘marketplaces online’, operadores de telecomunicações e outros serviços baseados na web. As motivações variam entre: curiosidade, objetivos ideológicos, bem como ganhos financeiros através de extorsão ou da interrupção de serviços concorrentes”, explicou ainda a PJ.