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O Ministério da Defesa da Rússia anunciou esta segunda-feira um cessar-fogo unilateral na Ucrânia na sexta-feira e no sábado, por ocasião das comemorações da vitória soviética sobre a Alemanha nazi em 1945.

“De acordo com uma decisão do Comandante Supremo das Forças Armadas da Federação da Rússia, [o Presidente] Vladimir Putin, foi decretado um cessar-fogo de 8 a 9 de maio de 2026“, indicou o Ministério numa mensagem publicada no MAX, uma aplicação de mensagens apoiada pelo Estado russo.

Do lado ucraniano, a Ucrânia diz não ter recebido qualquer proposta oficial e anuncia o início do cessar-fogo a partir da meia-noite de 5 para 6 de maio, a próxima quarta-feira.

O Presidente ucraniano diz que do seu lado se acredita que “a vida humana é muito mais valiosa do que qualquer ‘celebração’ de aniversário”. “Neste sentido, anunciamos um regime de cessar-fogo a partir da meia-noite de 5 para 6 de maio. No tempo que resta até esse momento, é realista garantir que o silêncio se faz sentir”, acrescentou.

“A partir desse momento, agiremos de forma recíproca. É tempo de os líderes russos tomarem medidas concretas para pôr fim à guerra, especialmente porque o Ministério da Defesa russo acredita que não pode realizar um desfile em Moscovo sem a boa vontade da Ucrânia”, nota ainda.

“Até ao momento, não houve qualquer apelo oficial à Ucrânia sobre a modalidade de cessação das hostilidades que tem vindo a ser reivindicada nas redes sociais russas”, escreveu Volodymyr Zelensky na rede social X.

A Rússia ameaçou também lançar um “ataque maciço com mísseis” contra Kiev caso a Ucrânia viole o cessar-fogo decretado.

“Se o regime de Kiev tentar pôr em prática os planos criminosos destinados a perturbar as celebrações do 81.º aniversário da Vitória na Grande Guerra Patriótica, as forças armadas russas lançarão um ataque maciço de mísseis de retaliação sobre o centro de Kiev“, de acordo com a mensagem divulgada.

A proposta de trégua foi discutida durante um telefonema na semana passada entre Putin e o homólogo norte-americano, Donald Trump.

As autoridades russas acrescentaram, na mesma nota, que Moscovo tomou nota das declarações proferidas pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na cimeira da Comunidade Política Europeia (CPE) em Erevan, nas quais constavam “ameaças de atacar Moscovo precisamente no dia 9 de maio”.

Zelensky afirmou anteriormente que a Rússia teme um ataque com drones no dia do desfile militar na Praça Vermelha, em Moscovo.

“A Rússia anunciou um desfile para 9 de maio em Moscovo sem equipamento militar. Se isso acontecer, será a primeira vez em muitos, muitos anos. Não podem permitir-se equipamento militar e temem que os drones possam sobrevoar a Praça Vermelha”, afirmou o líder ucraniano.

A 9 de maio, a Rússia celebra a vitória soviética sobre a Alemanha nazi em 1945, habitualmente com um grande desfile militar na Praça Vermelha, em Moscovo.

Desde 2023, a Ucrânia celebra a 8 de maio a vitória na Segunda Guerra Mundial, como os países ocidentais.

Putin e Zelensky já acordaram duas tréguas breves semelhantes em 2025. A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991, na sequência da desagregação da antiga União Soviética. Kiev tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia — além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre aderir à NATO.