A guerra no Médio Oriente tem um novo prazo: os Estados Unidos finalizaram um memorando de uma página com um plano para pôr fim à guerra e o Irão tem 48 horas para apresentar uma resposta. A informação foi avançada esta quarta-feira pelo Axios, horas depois de Donald Trump ter anunciado o fim do plano para escoltar navios no Estreito de Ormuz, que justificou em parte com os “progressos” nas negociações.
A publicação norte-americana cita dois responsáveis norte-americanos e duas pessoas com conhecimento das negociações, que garantem que as duas partes nunca estiveram tão perto de um entendimento e que a Casa Branca está otimista quanto à possibilidade de chegar a acordo. O memorando não é um acordo final, mas estabelece as bases que permitem desencadear negociações finais e a longo prazo.
Trump anuncia suspensão temporária do “Projeto Liberdade”, para escoltar navios em Ormuz
Entre as condições para chegar a acordo, contam-se uma suspensão, por parte do Irão, do processo de enriquecimento do urânio e o levantamento, por parte dos Estados Unidos, das sanções económicas a Teerão. Ambas as partes comprometem-se ainda a levantar todos os bloqueios no Estreito de Ormuz.
O Irão confirmou a receção do documento, mas não partilhou do otimismo em Washington. Para o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghaei, o documento de apenas uma página que traça os 14 pontos chave que formam a base de possíveis negociações futuras “inclui exigências irrealistas e excessivas que foram firmemente rejeitadas pelos responsáveis iranianos nos últimos dias”.
Ainda assim, Baghaei garantiu, citado pela imprensa estatal, que Teerão irá rever a proposta e transmitir a sua resposta final ao Paquistão. Islamabad continua empenhado no papel de mediadores — esta quarta-feira, o primeiro-ministro paquistanês confirmou, tal como Trump tinha escrito na terça-feira à noite, que a suspensão da escolta no Estreito de Ormuz foi feita a pedido do Paquistão e da Arábia Saudita. Sobre as negociações de paz, uma fonte paquistanesa mostrou-se tão otimista como Washington. “Vamos fechar isto muito em breve. Estamos muito perto”, disse à Reuters.
Contudo, caso um acordo não se concretize, os Estados Unidos já têm um plano alternativo, garantiu Trump. “Se eles não concordarem, os bombardeamentos começam e vão ser, infelizmente, num nível e intensidade muito maior do que antes”, ameaçou o Presidente norte-americano, recorrendo novamente às ameaças nas redes sociais que tem mobilizado frequentemente nas últimas semanas. Apesar de ter reconhecido que “o Irão [concordar] em dar tudo o que foi acordado [é] talvez, um pressuposto grande”, Trump assegurou que, caso isso aconteça, “a já lendária Fúria Épica irá acabar“.