Um tribunal do Canadá anulou uma petição popular para a realização de um referendo sobre a independência de Alberta e defendeu que o governo da província tinha a obrigação de consultar previamente os povos indígenas.
Na quarta-feira, a juíza Shaina Leonard anulou a decisão da comissão eleitoral de Alberta de permitir o início do processo para a convocação de um referendo por iniciativa de um grupo separatista.
O processo foi contestado por vários grupos indígenas da província, que argumentaram que um possível referendo de secessão afetaria os seus direitos, protegidos por tratados históricos com a Coroa Britânica.
Leonard subscreveu o argumento, salientando que uma hipotética secessão de Alberta afetaria, por “lógica e bom senso”, os acordos assinados pelos povos indígenas da província, consagrados na ordem constitucional do país.
A decisão judicial representa um revés para o movimento separatista em Alberta, uma província rica em petróleo que tem vivido crescentes tensões com o Governo federal nos últimos anos devido a questões energéticas, fiscais e ambientais.
Leonard concluiu que a comissão eleitoral de Alberta nunca deveria ter autorizado a inclusão da questão na ordem de trabalhos ou permitido a recolha de assinaturas sem antes consultar os grupos indígenas.
Em 4 de maio, os separatistas de Alberta entregaram as assinaturas de mais de 300 mil habitantes de uma petição que deveria abrir caminho para uma votação histórica no outono sobre a possível secessão da província. “Não somos como o resto do Canadá”, afirmou na altura o líder do movimento, Mitch Sylvestre.
Sylvestre está a ser investigado pelas autoridades por distribuir os dados dos 2,9 milhões de eleitores registados de Alberta, o que pode constituir uma violação das leis de privacidade provinciais e canadianas.
[Renato Seabra matou Carlos Castro, isso ninguém contesta. A pergunta a que os jurados têm de responder é outra: o jovem modelo português pode ou não ser responsabilizado pelo crime? Sentiu raiva ou estava mentalmente perturbado? Ouça o sexto e último episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o Podcast Plus do Observador narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio, aqui o quarto episódio e aqui o quinto episódio]
A primeira-ministra de Alberta, a ultraconservadora Danielle Smith, declarou ao parlamento provincial que iria analisar a decisão judicial, mas não esclareceu quais poderiam ser os próximos passos. Smith recusou-se a rejeitar explicitamente o referendo e até facilitou o processo, reduzindo o número necessário de assinaturas, de 20% dos eleitores registados, o que seria mais de meio milhão de pessoas, para apenas 177.732.
A decisão judicial não impede a realização de um referendo sobre a independência. O governo de Alberta tem a possibilidade de incluir as suas próprias perguntas num referendo fora do processo de petição dos cidadãos.
O governo convocou um referendo para outubro, no qual irá perguntar a opinião dos cidadãos sobre nove questões relacionadas com a imigração, a segurança eleitoral e a relação constitucional da província com o Governo federal.
Em janeiro, o secretário norte-americano do Tesouro, Scott Bessent, pareceu apoiar a ideia de uma Alberta independente ao referir-se à província como uma “parceira natural para os Estados Unidos”.