O Reino Unido prepara-se para lançar uma campanha de informação pública que incluirá recomendações à população para criar reservas de alimentos, água, medicamentos e outros bens essenciais, numa medida destinada a reforçar a preparação do país para situações de emergência, avançou o The Telegraph. A iniciativa surge num contexto de crescente preocupação do Governo britânico com potenciais ameaças à segurança nacional, incluindo a possibilidade de ciberataques russos que possam afetar as infraestruturas críticas do país.

Esta terça-feira, Darren Jones anunciou que o Governo vai “informar o público sobre as pequenas, mas importantes medidas que podem ser tomadas para se preparar em caso de emergências e interrupções”. O secretário-chefe do Gabinete do primeiro-ministro britânico alertou ainda para o impacto que um eventual ciberataque poderá ter no quotidiano dos cidadãos, sublinhando que este “pode afetar o acesso à eletricidade, à água, às comunicações móveis ou mesmo ao funcionamento dos estabelecimentos locais onde as pessoas compram alimentos”.

A notícia, segundo o jornal britânico, surge na sequência dos alertas contidos no Relatório Estratégico de Defesa, divulgado no ano passado, que advertia que o Reino Unido já se encontra “sob ataque diário” de operações de espionagem, ciberameaças e campanhas de desinformação levadas a cabo por Estados hostis, entre os quais a Rússia e o Irão.

Encomendado pouco depois da posse do Partido Trabalhista, o relatório afirmava que o Presidente russo, Vladimir Putin, havia demonstrado “disposição para usar a força militar, infligir danos a civis e ameaçar usar armas nucleares”.

Darren Jones revelou ainda que, no próximo ano, serão realizadas simulações de um ataque “híbrido” ao Reino Unido por parte de um adversário estrangeiro. Entre os exercícios previstos está um “exercício nacional de defesa interna“, que envolverá centenas de funcionários públicos na preparação e coordenação da resposta a uma eventual crise, a partir de Whitehall.

“O Governo fará tudo o que estiver ao seu alcance e estamos bem preparados – mas todos podemos fazer a nossa parte para nos mantermos a nós e aos nossos entes queridos em segurança”, disse o secretário-chefe do Gabinete de Keir Starmer.