Milhares de apoiantes do movimento juvenil Cockroach Janta Party (CJP, o chamado Partido do Povo das Baratas) entraram esta segunda-feira em confronto com a polícia em Nova Deli, na Índia, quando tentavam marchar até ao parlamento para exigir a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. De acordo com a Associated Press, as autoridades indianas recorreram a gás lacrimogéneo e a bastões após os manifestantes terem tentado passar as barreiras de segurança montadas à volta da zona dos protestos.

Apesar da intervenção policial, vários grupos de manifestantes continuaram a avançar em direção ao parlamento, neste que é considerado um dos episódios mais tensos desde o início da mobilização contra o Governo do primeiro-ministro Narendra Modi. O movimento chegou a dizer que o líder, Abhijeet Dipke, tinha sido detido pela polícia, acusando-a de uma repressão “brutal” aos manifestantes “pacíficos”. Porém, mais tarde, o movimento veio afirmar que o seu fundador não estava, afinal, preso.

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A Polícia de Deli, por seu turno, afirmou que a marcha não tinha sido autorizada e que as restrições eram necessárias para garantir a ordem pública junto ao parlamento, onde esta segunda-feira começou a Monsoon Session de 2026, que prevê a realização de 19 reuniões legislativas espalhadas ao longo de 25 dias.

Os protestos decorreram em Jantar Mantar, o local habitualmente reservado para manifestações na capital indiana. Reuniram estudantes, profissionais de educação e famílias. Muitos participantes entoavam palavras de ordem contra o ministro da Educação e Narendra Modi e agitavam bandeiras da Índia.

“Manifestantes, lembrem-se de que somos inspirados por Gandhi e que devemos manifestar-nos de forma pacífica“, recordou um dos porta-vozes da organização dos protestos, Saurav Das.

Fundado em maio por um estudante indiano recém-licenciado nos Estados Unidos, o partido das “baratas” tenta canalizar a indignação que se faz sentir na Índia contra as falhas e os escândalos que afetam regularmente os exames do ensino superior.

O CJP tornou-se, assim, para muitos jovens indianos, a expressão das suas crescentes frustrações com um sistema educativo em crise e um mercado de trabalho que tem falhado sistematicamente.

Nas últimas semanas, manifestantes que se identificam como “baratas” têm mantido um acampamento em Jantar Mantar, acompanhados por vários grupos de estudantes. Entre as principais reivindicações estão a demissão de Dharmendra Pradhan e reformas no sistema de exames.

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A mobilização ganhou força na sequência de sucessivas fugas de informação em exames de acesso ao ensino superior na área da medicina e a concursos para a função pública, que provocaram indignação entre estudantes e o suicídio de vários candidatos.

Os protestos intensificaram-se no último sábado, depois de a polícia ter retirado à força do local o ativista Sonam Wangchuk, em greve de fome, para o transportar para um hospital.

Embora o Governo de Modi tenha mantido uma posição de firmeza perante o movimento, surgiram esta segunda-feira os primeiros sinais de possível diálogo. Um representante dos manifestantes afirmou que membros do movimento se reuniram com o ministro da Saúde, J.P. Nadda, mas o Governo não confirmou o encontro.

[Já saiu o segundo episódio de “O Candidato Perfeito”. Em “Câmara Lenta”, José Valbom acorda num armazém, vigiado por homens que falam russo. Os inspetores seguem o rasto de um carro preto. A polícia aperta o cerco, mas o tempo está a esgotar-se. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]