A ministra do Ambiente anunciou esta sexta-feira que o Plano Nacional de Restauro da Natureza deve ser entregue em Bruxelas a 1 de setembro, elogiando a Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML) como exemplo da conservação do património natural.
“Estamos a preparar o Plano Nacional de Restauro [da Natureza], aliás, já temos a versão que entrou em consulta pública e ele irá ser enviado para Bruxelas, se tudo correr bem, a 1 de setembro”, afirmou a ministra Maria da Graça Carvalho.
A governante, que falava no Convento dos Capuchos, na apresentação de uma aplicação da PSML para os turistas calcularem a pegada de carbono da sua visita, salientou que o trabalho da sociedade que gere os parques e jardins históricos da serra de Sintra é “um exemplo dos vários capítulos” do Plano Nacional de Restauro da Natureza.
O plano, juntamente com a adaptação às alterações climáticas “são dois chapéus” da política do Ministério do Ambiente e Energia, e o trabalho desenvolvido pela PSML contribui para “saber viver melhor nesta transformação do clima, que veio para ficar e que vai continuar cada vez mais grave, com eventos extremos e altas temperaturas”.
“Podemos ver aqui todas as políticas de restauro da natureza, as políticas de biodiversidade, o uso da pastorícia para resolver problemas ambientais, que em Portugal ainda não é muito comum este valor que é dado à paisagem, a paisagem como um valor ambiental”, sublinhou.
Admitindo ser “muitas vezes” criticada por defender a importância de “não ferir a paisagem, nas várias atividades socioeconómicas”, Graça Carvalho advogou que “os parques naturais, as zonas protegidas têm que ter atividade também, atividade humana, mas têm que ser numa integração que proteja o ambiente”.
“Esta serra e os parques de Sintra são uma pérola a nível mundial e cada vez vão ser mais uma pérola a nível mundial, com o aquecimento global, que é neste momento um facto que já ninguém nega”, frisou, vincando que a serra “é um paraíso que tem que ser preservado, acarinhado”.
Em relação ao Plano Nacional de Restauro da Natureza, a ministra avançou à Lusa que estão a ser introduzidos “vários comentários” resultantes da consulta pública para entregar o documento em Bruxelas.
“É um documento muito completo, que tem o espaço rural, que tem o espaço urbano, as florestas, o espaço agrícola, os rios, o restauro dos rios, a biodiversidade”, explicou Graça Carvalho, acrescentando que, no entanto, o Ministério do Ambiente já está “a seguir as linhas” e recomendações para os “espaços verdes, da recuperação dos rios” e “do litoral”.
A PSML apresentou uma ferramenta de cálculo da pegada de carbono associada a cada visita, para que os turistas possam conhecer uma estimativa das emissões da sua deslocação, tornando “visível um impacto geralmente invisível”, como referiu João Sousa Rego, presidente da sociedade.
Os visitantes, acrescentou, poderão também “contribuir voluntariamente para projetos de restauro ecológico nas áreas florestais geridas pela Parques de Sintra” e “um contributo de dois euros permitirá plantar três árvores, traduzindo essa participação numa ação concreta de regeneração da paisagem”.
Os monumentos, geridos pela empresa de capitais públicos, recebem por ano cerca de três milhões de visitantes, conferindo à PSML uma “extraordinária capacidade de sensibilização, mas, sobretudo, uma responsabilidade”.
Para Sousa Rego, “medir uma pegada não reduz as emissões, e uma contribuição não apaga o impacto produzido”, pelo que a “primeira responsabilidade continua a ser evitar e reduzir”, principalmente das “instituições, das políticas públicas e da própria Parques de Sintra, que não é transferida para o visitante”.
Os frades franciscanos do Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra, construído a partir de 1560, ensinaram que “as transformações duradouras se constroem com observação, paciência e continuidade”, notou João Sousa Rego, “camada após camada”.
“A ferramenta acrescenta uma nova camada a esse trabalho: torna visível um impacto e permite que o conhecimento tenha uma consequência concreta”, considerou, admitindo que “não mudará, por si só, comportamentos”, mas “a informação ganha força quando encontra um significado, um lugar e uma possibilidade de ação”.
Nesse sentido, Sousa Rego avançou que, só este ano, a sociedade irá “plantar 20 mil árvores nos cerca de mil hectares” que gere no perímetro florestal da serra de Sintra, “reforçando a presença de espécies autóctones”.