Este especial faz parte de um conjunto de reportagens com todos os candidatos à presidência do Benfica: Martim Mayer, João Diogo Manteigas, Cristóvão Carvalho, Luís Filipe Vieira, Noronha Lopes e Rui Costa.
O dia está cinzento. É o primeiro verdadeiro dia de chuva em Lisboa depois do verão e o facto de já passar das 10h não acalma o trânsito perto do Hospital dos Lusíadas, junto ao Alto dos Moinhos, onde a busca por um lugar de estacionamento complica a vida a quem já está parado em filas provocadas pelos semáforos. Lá fora, o caos; assim que a porta se fecha, a calma.
É numa irónica porta 10A, o mesmo número da mítica porta do Estádio José Alvalade, que fica o escritório de advogados do qual João Diogo Manteigas é sócio, a Mota, Manteigas & Associados. O espaço é pequeno e ainda mais pequena é a sala onde o candidato à presidência do Benfica está reunido naquela manhã chuvosa de outubro com alguns dos principais elementos da candidatura. O objetivo? Preparar o debate desta quinta-feira, na BTV e em direto a partir de um camarote no Estádio da Luz, onde os seis candidatos encarnados vão confrontar-se pela primeira e única vez.
Manteigas quer Benfica a “recomeçar do zero” e a impor respeito “nos outros”
João Diogo Manteigas trabalha dentro e para o futebol há mais de uma década e isso fica claro com a decoração das paredes da sala de reuniões, onde surgem camisolas de Paul Scholes, Iniesta, Raúl, Del Piero, Forlán, Riquelme e Ryan Giggs. Cruzamo-nos rapidamente com Luís Coradinho Alves, candidato a presidente do Conselho Fiscal que está de saída para uma entrevista gravada na BTV – e que ouve um “fala da dívida, não é um bicho-papão!” enquanto se despede, garantindo que “vai correr bem”.
▲ O escritório de João Diogo Manteigas conta com várias camisolas de jogadores de futebol nas paredes
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Lá dentro, João Diogo Manteigas está acompanhado por José Rosário, candidato a vice-presidente para o Associativismo, Nazir Karmali, candidato a presidente da Comissão de Remunerações, e Manuel Gaspar, mandatário da candidatura. Ainda sentado, com o típico fato escuro e camisa branca e os óculos que nunca usa em público, o advogado ouve os conselhos de Nazir Karmali sobre a maneira de abordar a política de redução de custos no debate e deixa um aviso: “Não posso dizer que baixo salários, os benfiquistas matam-te”.
Com uma enorme garrafa de água sempre ao lado, de onde não bebe mas que usa para despejar para um copo, Manteigas vai recebendo as últimas informações sobre o debate: cerca de três horas de duração, oito rondas (sendo que só o futebol abrange duas), um minuto por ronda para responder diretamente a outro candidato e uma mensagem final de apelo ao voto, sendo que já sabe que vai abrir e fechar.
“Ainda não explicaste nada a ninguém, tem de ser simples e direto”, vai dizendo Manuel Gaspar, que tem a responsabilidade de fazer de Rui Costa, João Noronha Lopes, Luís Filipe Vieira, Martim Mayer e Cristóvão Carvalho na simulação de debate que estão a começar. Manteigas levanta-se, dá uma dobra nas mangas da camisa, coloca o documento Word que tem aberto no computador à sua frente e está pronto para ensaiar tudo o que quer dizer na quinta-feira.
▲ O dia foi essencialmente dedicado à preparação do debate de quinta-feira na BTV
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Enquanto responde sobre futebol, modalidades, área financeira e infraestruturas, vai sendo cronometrado para saber o tempo que está a demorar em cada intervenção – tem apenas dois minutos para gastar, mas o receio de não conseguir dizer tudo o que quer está a fazer com que acelere demasiado o discurso. “Tens de falar depressa, mas as pessoas têm de acompanhar. Ainda não explicaste nada a ninguém, tens de ser simples e direto. Pensa em ‘um, dois, três’”, atira Manuel Gaspar, que lembra que é preciso traduzir “safe standing” para “peão” quando explicar a intenção de negociar com o Governo a possibilidade de aumentar a lotação do Estádio da Luz praticamente sem obras e sem custos.
Mais do que o conteúdo, que parece convencer por inteiro os outros elementos da candidatura, existe uma preocupação com a forma. Enquanto João Diogo Manteigas sai da sala para encher novamente a tal garrafa de água, José Rosário e Manuel Gaspar discutem a necessidade de o advogado “pausar” o discurso. “Temos de apertar com ele”, brinca o candidato a vice-presidente, que atira para as estrelas e diz que Manteigas podia tentar imitar a maneira como Barack Obama conseguia temporizar todas as intervenções quando era presidente dos EUA.
Entre o cronómetro, as recomendações e as adições ao documento que já existe, surge a questão do momento do voto no próximo sábado. José Rosário diz que é preciso “preparar o ‘happening’”, enquanto que o candidato garante que só quer ir votar ao Estádio da Luz rodeado por alguns elementos da lista e as respetivas famílias – afastando a ideia, que já lhe tinha chegado, de entrar no Pavilhão da Luz através de uma porta destinada exclusivamente aos candidatos.
▲ O advogado candidatou-se há cerca de um ano, sem que as eleições estivessem ainda marcadas
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
A simulação do debate vai sendo interrompida pelas próprias paragens de João Diogo Manteigas, pelo regresso de Luís Alves – que garante que a entrevista “correu muito bem” – e pela recordação de que esta quinta-feira também é o dia da consulta dos cadernos eleitorais. A conversa sobre o momento do voto traz a dúvida sobre assistir ao jogo ou não, já que sábado também é dia de receção ao Arouca na Luz, e as opiniões dividem-se entre ser um simples adepto do Benfica ou dar uma ideia de liderança e permanecer junto da lista até ao encerramento das urnas. Manteigas percebe os dois lados, não tem uma opinião vincada e decide anunciar que é hora de almoço antes de fechar o assunto.
A pergunta “italiano ou chinês?” ainda é feita, mas a primeira opção reúne unanimidade e a romaria sai enquanto se cruza com o carteiro, que trata João Diogo Manteigas por “senhor presidente”. E é ali, entre uma focaccia e uma burrata com camarão acompanhada por mais uma garrafa de água, que há tempo para uma conversa mais direta sobre uma candidatura que já leva praticamente um ano de existência – e que foi a primeira a aparecer, ainda sem data para as eleições, muito antes dos restantes candidatos.
— Um ano depois, qual foi a ideia de avançar quando ainda faltava tanto tempo para as eleições?
— Nós tínhamos dois objetivos principais. Um era ouvir os sócios durante um ano e tal para termos as propostas deles no nosso programa, por isso é que na parte associativa do nosso programa temos mais de 40 propostas. E depois tinha de provar que não ia candidatar-me consoante o que ia acontecer ao Benfica, ganhar ou perder. Há dúvidas de que se o Benfica tivesse vencido metade dos candidatos não estavam cá? Se o Benfica tivesse conquistado o Campeonato e a Taça de Portugal ou só mesmo o Campeonato… Acho muito difícil que tivessem aparecido tantos, muito difícil.
— A ideia de que a candidatura podia eventualmente juntar-se à de João Noronha Lopes foi algo que sempre existiu desde o início da campanha. Porquê? Tem algum fundo de verdade?
— Nem sei quem é que criou essa ideia. Nunca nos demos, não me dou com ele, não o conheço. E há uma coisa idiota: vamos juntar como? Ele tem a equipa dele, criou o seu projeto, de que forma é que nos sentávamos à mesa? Nunca houve interesse nisso, nunca. Também disseram que eu ainda ia juntar-me ao Rui, outros disseram que ia juntar-me ao Martim… É tudo mentira.
— Acha que toda a polémica sobre a Assembleia Geral de setembro, em que foi acusado de incentivar os sócios a deixarem a sala enquanto Luís Filipe Vieira falava, o prejudicou?
— Acho. Acho porque é mentira. E quem podia ter resolvido a questão não resolveu. Toda a gente sabe bem que é que provocou aquilo. O Vieira na semana passada já dizia que quem lhe contou a história toda da Assembleia Geral foi o Martim… Agora é que começas a perceber as coisas todas. A malta quanto mais tempo de antena tem menos coerente é. O Vieira disse sempre que era tudo contra ele quando entrou ali dentro com um grupo a insultar toda a gente, quase a baterem nas pessoas. Mas claro que não podes pôr as mil e tal pessoas da Assembleia Geral a falar. Não percebo é porque é que as pessoas que falaram não disseram o que verdadeiramente se passou.
— Tem tudo preparado para ganhar no próximo sábado. E se perder?
— Ninguém ganha no sábado, isto vai a segunda volta. E se eu for à segunda volta ganho.
— E se perder? Está a pensar só nestas eleições ou já pensa nas próximas?
— Esqueça isso… Acha que eu agora vou estar a pensar a quatro anos? Não.
— Alguém que se candidata a um ano das eleições pode perfeitamente pensar a quatro anos.
— Pensei nas eleições de 2025 e nem sabia que os estatutos iam mudar. Candidatei-me com um ano de antecedência porque não tinha o dinheiro nem o tempo de antena desta gente toda. Tudo isto foi planeado para agora porque isto está um desastre! Não foi para daqui a quatro anos. Foi com um ano de antecedência porque não tinha dinheiro, o dinheiro foi diluído na campanha ao longo do tempo, ouvimos todas as pessoas que tínhamos de ouvir. E passado um ano é que as pessoas estão a dizer “pá, vou votar em ti porque apareceste há um ano sem saber o que se ia passar”. Há um ano fui muito criticado, disseram que não tinha lógica, que ia desestabilizar, que ia criar confusão… Não fiz nada disso. E agora as pessoas dizem que vão votar em mim porque estou cá há um ano, porque não tinha nada a perder nem nada a ganhar.
▲ O candidato foi recebido por um grupo de apoiantes no Seixal e desde logo tratado por "senhor presidente"
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
— A pergunta mantém-se: volta a ser candidato daqui a quatro anos se não ganhar agora?
— Há dois cenários. Nada muda agora e o Rui Costa ganha as eleições. Sempre fui ativo no Benfica, vou continuar a estar presente, a aparecer nas Assembleias Gerais, não tenho tempo de antena porque não estou nas televisões nem nos jornais, mas expresso-me à minha maneira. E depois logo se vê. Outro cenário é mudar e ganhar o Noronha Lopes, que é o único para além de nós que acho que pode ganhar ao Rui. Mudou e querem que eu venha daqui a quatro anos? Para quê, não está aí o D. Sebastião? Se querem que eu apareça daqui a quatro anos é porque a mudança foi má. As pessoas têm é de pensar nisso. Há um mês que o Noronha Lopes criou a narrativa do voto útil à primeira volta… À primeira volta? O voto útil pode fazer sentido à segunda volta, mas à primeira volta não faz sentido nenhum. Ninguém acreditava na tração que nós podíamos ter. Ninguém! Se calhar nem nós acreditávamos. E isso acabou por provar-se sozinho.
— Porque é que essa tração apareceu?
— Porque andámos muito tempo a aparecer em todo o lado. Fomos a todos os jogos, mesmo das modalidades, Assembleias Gerais, Casas, comunicações nas redes sociais a toda a hora, interação no site. Nunca fizemos nada que pudesse desinteressar. Claro que temos de casar isto tudo com o insucesso desportivo do Benfica, mas não sabíamos que isso ia acontecer. À medida que o tempo foi passando as pessoas encontravam em nós um porto de abrigo e debatiam connosco, tivemos uma candidatura completamente aberta. Não houve nada que tivesse recebido a que não tivesse respondido, respondo a tudo em todo o lado. As pessoas começaram a sentir uma aproximação, que é uma coisa que os outros não têm.
— Como é que lida com essa aproximação das pessoas, com o facto de ter passado a ser uma figura pública?
— É tranquilo, a minha mulher é que se passa. Vais jantar e está toda a gente a olhar para ti, estou com o meu filho e está toda a gente a olhar. Para mim é na boa, para eles é pior. Mas Portugal é um país tranquilo para isso, as pessoas só olham e não abordam.
— Apresentou o Julen Guerrero como diretor desportivo da formação há alguns dias. Porquê esta escolha?
— É uma pessoa que eu conheço há algum tempo. Fez as camadas jovens todas de Espanha, foi adjunto do Luis de la Fuente. Quis falar com ele porque precisava de um diretor desportivo igual a ele. É um caso quase único no futebol mundial, fez a carreira toda no Athl. Bilbao. Teve propostas brutais, loucuras completas, de Real Madrid e Barcelona, e manteve-se sempre no Athl. Bilbao. É a única pessoa que eu conheço no futebol mundial que sabe exatamente o que é não querer mudar de clube, não querer sair do clube, independentemente de ser campeão ou não ser campeão. O Athl. Bilbao não é propriamente o Barcelona ou o Real Madrid. Ele tem a cultura que nós queremos implementar no Benfica, que é fazer de tudo para que os miúdos se mantenham interessados no Benfica e que tenham progresso. O meu objetivo é que a pessoa que é responsável seja a prova e o exemplo de alguém que fez aquilo que nós queremos implementar. Os miúdos vão falar com uma pessoa que passou exatamente por aquilo que eles podem passar, um tipo completamente comprometido que depois teve sucesso em tudo aquilo que fez como selecionador e adjunto.
— Parto do princípio de que já tem um diretor desportivo, mas ainda não o anunciou e não vai fazê-lo antes das eleições. Porquê a demora?
— Tem a ver com o contrato. Ainda não posso dizer quem é porque está agregado a um grupo. Falámos com o grupo, falámos com ele, chegámos ao acordo de que ele sai se ganharmos as eleições, mas não podemos dizer quem é. E respeitamos isso, obviamente. Porque se quero aquele, quero aquele.
▲ João Diogo Manteigas garante que nunca saiu de uma Casa do Benfica antes das 2h da manhã durante toda a campanha
DIOGO VENTURA/OBSERVADOR
Depois de uma tarde novamente dedicada à preparação do debate e já só com outros três elementos da candidatura, João Diogo Manteigas colocou-se ao volante de um Mercedes preto e passou a Ponte 25 de Abril até à Casa do Benfica do Seixal. Afinal, entre eleições, listas e adversários, também era dia de os encarnados defrontarem o Newcastle em Inglaterra, na terceira jornada da Liga dos Campeões, num jogo onde uma derrota deixava as contas europeias ainda mais complicadas depois dos desaires contra Qarabag e Chelsea.
O Seixal não foi escolhido ao acaso. O candidato explica que recebeu convites de várias Casas por onde passou durante toda a campanha para que lá assistisse ao jogo e aproveitasse para um último apelo ao voto – mas recusou, não só por estar a poucos dias das eleições como para aproveitar para ficar mais perto de casa e descansar, dedicando a semana ao debate. A partir daí, escolheu uma de apenas duas Casas onde no último ano foi aparecendo sem ser para sessões de esclarecimento ou aparições previamente anunciadas, a par de Santarém, e limitou-se a fazer um telefonema para marcar mesa.
Recebido por um pequeno grupo de apoiantes como “senhor presidente”, subiu as escadas da Casa do Benfica enquanto comentava o intenso trânsito na Ponte. Num local inaugurado por Luís Filipe Vieira em 2011 e que homenageia os ícones encarnados que nasceram na Margem Sul – Simões, Shéu, Zé Gato, Telma Monteiro –, foi rápido a encontrar caras conhecidas e a ter a primeira cerveja na mão. As notícias do onze inicial, com Tomás Araújo titular e Samuel Dahl no banco, abriam a porta a algumas dúvidas entre quem se ia acomodando. Encostado ao balcão, porém, João Diogo Manteigas optava por esclarecer dúvidas sobre a centralização dos direitos televisivos.
“Estamos a jogar à cagões, com três centrais!”, ouve-se numa Casa do Benfica completamente cheia, sem lugares sentados e com muitas pessoas em pé junto ao balcão. As moelas, as bifanas, o grão e as batatas fritas vão voando à medida que o jogo começa, sempre acompanhados por cerveja ou jarros de vinho tinto, e as luzes apagam-se para que o jogo seja visto com maior clareza. A primeira parte traz críticas à arbitragem, a ideia de que o St. James’ Park “parece Alvalade” e um enorme bruaá com o remate de Lukebakio ao poste à passagem do quarto de hora inicial.
A exibição, ainda assim, não agrada. Anthony Gordon abre o marcador à meia hora, num lance em que a defesa encarnada foi demasiado passiva, e junto ao balcão pedem-se “três imperiais e dois golos do Benfica”. “Mais depressa te embebedas do que o Benfica marca dois golos”, responde o dono da Casa, enquanto que João Diogo Manteigas aproveita o intervalo para terminar a conversa do início da noite. Regressa ao lugar ainda antes de José Mourinho regressar ao banco de suplentes em Inglaterra – mas tudo estava prestes a piorar.
Se durante a primeira parte tinha estado essencialmente tranquilo, sem grandes expressões de irritação ou entusiasmo e mais concentrado num telemóvel que conta com uma ilustração da mulher e do filho no ecrã principal, no segundo tempo transformou-se. Os dois golos do Newcastle que dilataram o resultado trouxeram mãos na cabeça, desabafos de “O que é isto?” e explicações aprofundadas sobre o porquê de o Benfica estar a passar por aquilo a que chama “um massacre”. “Tirem-me deste pesadelo”, diz entre dentes mesmo antes de um apito final que, no Seixal, só teve uma reação vinda da zona do balcão: “Vota Manteigas!”.
O fim do jogo não trouxe o fim do dia. De mesa aberta como sempre fez ao longo de toda a campanha, ainda tem tempo para receber sócios e adeptos, responder a perguntas sobre as eleições e contar histórias sobre o ano de campanha em que visitou dezenas de Casas do Benfica – incluindo a de Vila Nova de Cerveira, bem perto da fronteira com Espanha, onde foi recebido com a ideia de que “ninguém vai ali”. “Nunca saí de uma Casa antes das 2h da manhã. Punha cadeiras à nossa volta depois do jantar e ficava a falar com as pessoas. Foi assim que ganhámos tanta gente, com a proximidade. As pessoas dizem todas a mesma coisa, só querem ser ouvidas. E eu ficava lá a ouvi-las, mesmo que chegasse a casa com o sol a nascer”, garante.
[A 14 de janeiro de 1986 um acontecimento muda o rumo da campanha das presidenciais: a inesperada agressão a Soares na Marinha Grande. Nas urnas, o socialista e Zenha lutam por um lugar na segunda volta frente a Freitas. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui.]