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Governo pediu reforço de voos para que residentes e visitantes que queiram deixar a ilha o possam fazer com faciliddade
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▲Governo pediu reforço de voos para que residentes e visitantes que queiram deixar a ilha o possam fazer com faciliddade

Wikimedia Commons

▲Governo pediu reforço de voos para que residentes e visitantes que queiram deixar a ilha o possam fazer com faciliddade

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A terra não pára de tremer em Santorini. Autoridades preparam-se para algo maior. Seis perguntas e respostas sobre a crise sísmica na Grécia

Pico de atividade sísmica levou autoridades gregas a tomar precauções para evento geológico maior. Especialistas não descartam ocorrências de sismos mais fortes, tsunamis e até de erupções vulcânicas.

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Santorini é conhecida, enquanto ponto turístico, pelas pequenas casas brancas e azuis distribuídas em patamares, muitas delas, principalmente as que são ocupadas por visitantes, com uma vista idílica para o Mar Egeu. É precisamente debaixo dessa água que se esconde o potencial de risco sísmico e vulcânico desta ilha grega que, nos últimos dias, tem preocupado as autoridades locais, que tentam monitorizar a atividade sísmica subaquática e proteger residentes e turistas dos riscos associados a uma catástrofe natural de maior dimensão.

O local é conhecido pela habitual ocorrência de sismos de magnitude baixa, mas o número de ocorrências sísmicas — quase a chegar às 300 em apenas dois dias — e a intensidade, que tem vindo a aumentar nas últimas horas, levou o Governo e a Proteção Civil gregos a lançar avisos concretos à população.

As escolas estão fechadas e até há voos extraordinários para que quem decida deixar a ilha o consiga fazer sem constrangimentos, mesmo que não exista, para já, ordem de evacuação.

Mas há motivos para preocupação? E qual o historial da ilha em relação ao registo de catástrofes naturais como as que parecem estar iminentes? Seis perguntas e respostas.

O que se está a passar em Santorini?

Centenas de pequenos terramotos abalaram a ilha grega de Santorini, no Mar Egeu, nos últimos dias. Esta segunda-feira, foram registados sismos de magnitude até 4,9 na escala de Richter a nordeste da ilha, sendo que já tinham sido registados abalos de magnitude entre 3,9 e 4,3 nas proximidades.

Vídeos nas redes sociais mostram deslizamento de terras na Caldera, a grande cratera vulcânica da ilha, sendo para já este o efeito mais visível a olho nu da atividade sísmica na região.

O sismo mais forte até agora, inicialmente registado com uma magnitude de 5,1 mas pouco depois revisto para 4,9 pelo Instituto de Geodinâmica grego, teve o seu epicentro registado a 19 quilómetros a noroeste da ilha grega de Anafi.

“Estamos a lidar com um fenómeno geológico muito intenso“, afirmou na manhã desta segunda-feira o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis, a partir de Bruxelas, onde participava numa reunião com líderes europeus. “Quero pedir aos residentes na ilha, antes de mais, que se mantenham calmos, que ouçam as instruções da Proteção Civil”, apelou.

No domingo, o chefe do Governo grego esteve reunido com o chefe da organização grega de planeamento e proteção contra sismos (OSAP), Efthimios Lekkas, e o ministro da Proteção Civil, Vassilis Kikilias, para decidirem as medidas preventivas que começaram a ser aplicadas já esta segunda-feira

Que medidas de prevenção estão a ser tomadas pelas autoridades gregas?

Perante este pico de atividade sísmica, as autoridades gregas decidiram encerrar temporariamente as escolas em Santorini, que já não abriram portas na manhã desta segunda-feira. Várias equipas de emergência foram também mobilizadas para estarem a postos na ilha, para prover a assistência necessária no caso de um sismo de maior dimensão atingir o local.

Os bombeiros que foram mobilizados para Santorini montaram tendas amarelas de maior dimensão dentro de um campo de basquetebol junto ao principal hospital da ilha, bem como diversas tendas de menor dimensão no mesmo local a céu aberto.

Também na manhã desta segunda-feira, os telemóveis dos residentes receberam avisos da Proteção Civil a alertar para a possibilidade de deslizamentos de terras e rochas. A autoridade proibiu igualmente o acesso a algumas zonas à beira-mar, nomeadamente às praias de Ammoudi e Armeni, bem como ao antigo porto da ilha, informa a Associated Press.

Este é um dos locais que regista mais sismos no mundo, porque a ilha está localizada numa "zona de subducção, onde uma placa tectónica mergulha por baixo da outra, criando por isso muita sismicidade".
João Duarte

Várias ilhas vizinhas, também elas destinos populares de turismo balnear, foram alvo de medidas idênticas.

Não foi dada uma ordem de evacuação direta em Santorini, no entanto, a principal companhia aérea grega, a AEGEAN, anunciou a adição de dois voos suplementares para esta segunda-feira e um voo suplementar para terça-feira, de e para a ilha. Os voos adicionais surgem a pedido do governo grego, com o objetivo de facilitar a deslocação dos residentes e dos visitantes que desejem abandonar a ilha.

"O Columbo, um vulcão subaquático que, apesar de não registar atividade há mais de 400 anos, não está adormecido, encontra-se ativo".
João Duarte

As autoridades estão a desaconselhar, para os próximos dias, a realização de grandes reuniões de pessoas, principalmente em recintos fechados, mas também em zonas ao ar livre onde possam ocorrer deslizamentos de rochas.

Já os hotéis foram instruídos a esvaziar as piscinas para reduzir os potenciais danos que um terramoto de maior dimensão possa ter nos edifícios que, naquela ilha, surgem normalmente construídos por patamares.

Qual a justificação para a atividade sísmica dos últimos dias?

A maioria dos residentes em Santorini está familiarizado com medidas como as que estão a ser implementadas por estes dias para evitar danos materiais e sobretudo vítimas provocadas por um sismo de maior dimensão.

Este é um dos locais que regista mais sismos no mundo, porque a ilha está localizada numa “zona de subducção, onde uma placa tectónica mergulha por baixo da outra, criando por isso muita sismicidade”, esclarece ao Observador João Duarte, professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigador no Instituto Dom Luiz.

“Ocorre uma extensão das placas, elas ficam como se pegássemos num bocado de plasticina e puxássemos, ficando mais finas”, descreve, e compara esta zona de falhas tectónicas à dos Açores, que tem potencial para gerar “muitos sismos, mas que normalmente não têm uma magnitude muito alta“.

▲ Espalhadas por patamares, "as casas são todas muito baixinhas, e isso já tem tudo a ver com a atividade sísmica, para precisamente não se dar o desabamento de edifícios".

Harvey Barrison

Outro elemento a ter em conta na ilha grega é o Columbo, um vulcão subaquático que, apesar de não registar atividade há mais de 400 anos não está adormecido, encontra-se ativo. Faz parte do maior conjunto de vulcões submersos no Mar Egeu, que compõem o arco vulcânico helénico.

Há relação entre a atividade sísmica e atividade vulcânica na região?

As autoridades gregas afirmam que os recentes sismos a abalar Santorini estão relacionados com o movimentos das placas tectónicas e não com a atividade vulcânica. João Duarte, segue a mesma linha, e classifica os eventos geológicos em Santorini enquanto uma “crise sísmica”, sendo expectável que se registem “milhares de sismos durante vários dias”. Compara até esta crise com a que se registou há pouco tempo nos Açores.

"Estes vulcões já tiveram erupções brutais, incluindo a erupção histórica que se pensa ter acabado com a civilização minoica".
João Duarte

Segundo o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, os sismólogos conseguem, à partida, “separar o que é um sismo relacionado com movimento de falhas do que é um sismo relacionado com movimento de magma”. Principalmente, porque quando mexe uma falha, “o movimento de magma em profundidade não dá origem a sismos de tão alta magnitude como os que foram registados nos últimos dias”.

Atividade sísmica na Terceira “dentro dos padrões da crise “

Mas há um grau de incerteza sobre os dois fenómenos geológicos, que “surge do facto de muitas vezes as falhas controlarem o sítio por onde o magma ascende“. “O que sabemos até agora é que ainda não é o magma que está a mexer, mas sim as falhas, mas convém monitorizar porque pode acontecer esta ascensão do magma pelas falhas”, explica.

Quando se deu a última erupção do vulcão de Santorini?

Foi precisamente uma das maiores erupções vulcânicas da história que, por volta do ano 1.600 antes de Cristo, deu à ilha de Santorini a sua forma atual e resultou também num grande tsunami que atingiu Creta. “Estes vulcões já tiveram erupções brutais, incluindo a erupção histórica que se pensa ter acabado com a civilização minoica”, afirma João Duarte.

Caminhando para tempos mais próximos, a última erupção vulcânica de grande dimensão em Santorini data de 1950. Desde então não se registou um evento geológico deste tipo digno de nota, exceto alguma atividade sísmica com origem vulcânica — que se ficou por aí — em 2011 e 2012. Atualmente verifica-se atividade fumarólica, em vários locais de Santorini, principalmente no interior das crateras recentemente ativas.

No caso de se registar um sismo de magnitude suficiente para provocar um tsunami, então, segundo o investigador do Instituto Dom Luiz, este teria potencial para se propagar "por todo o Mediterrâneo"
João Duarte

“O vulcão continua bastante ativo, pelo que existe sempre algum risco“, afirmou Isobel Yeo, vulcanóloga submarina do Centro Nacional de Oceanografia em Southampton, Inglaterra, à National Geographic, em março do ano passado. A especialista admitia que, quando se trata de vulcões submarinos, os cientistas estão perfeitamente conscientes de que “são capazes de nos apanhar de surpresa”.

Apesar do potencial de fator surpresa, os atuais instrumentos GPS facilitam a monitorização, com maior pormenor, das movimentações vulcânicas e, assim, a antecipação de uma eventual erupção. Será pois relativamente  difícil a população grega ser apanhada de surpresa por um evento deste tipo.

Há risco de um sismo de grandes dimensões nos próximos dias? E de tsunami?

O maior sismo registado em Santorini e arredores nas últimas horas não ultrapassou a magnitude 5 na escala de Richter e não é expectável, tendo em conta o historial geológico da ilha, que um sismo de magnitude muito mais elevada tenha lugar.

João Duarte não descarta, no entanto, a possibilidade de um sismo com “magnitude entre 6 a 7” afetar a região. Sendo que um terramoto dessa dimensão acarreta já algum poder de destruição localizada. “Podem acontecer deslizamentos de terra e os deslizamentos de terra submarinos até podem provocar pequenos tsunamis“, alerta.

▲ "Deslizamentos de terra submarinos até podem provocar pequenos tsunamis", alerta João Duarte

Getty Images/iStockphoto

No caso de se registar um sismo de magnitude suficiente para provocar um tsunami, então, segundo o investigador do Instituto Dom Luiz, este teria potencial para se propagar “por todo o Mediterrâneo”. Em teoria, “podia afetar o norte de África e o sul de Itália“, refere. O especialista recorda, no entanto, que o atual sistema de alerta de tsunamis poderia evitar danos tanto nas ilhas gregas, que já se encontram sob numerosos avisos, como na restante costa do mar Egeu.

Apesar do risco iminente de algum destes desastres naturais provocar destruição material ou humana, o facto de uma crise sísmica deste tipo poder durar, tipicamente, semanas ou até meses, faz com que os critérios de evacuação sejam mais amplos. “É impraticável evacuar ilhas durante meses, seria catastrófico a nível económico”, nota João Duarte, que afirma que provavelmente só em caso de alerta de tsunami é que uma verdadeira ordem de evacuação terá lugar.

Sobre o risco em que ficam os residentes e turistas, lembra que na Grécia e especificamente em Santorini, “não se constrói em altura”.  “As casas são todas muito baixinhas, e isso já tem tudo a ver com a atividade sísmica, para precisamente não se dar o desabamento de edifícios”.

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