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Rui Costa, da lista G, e João Noronha Lopes, da lista F, tiveram o primeiro debate na RTP3, SIC Notícias, CNN/Portugal e CMTV após uma primeira volta onde tiveram 72,4% dos votos (42,13%-30,26%)
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▲Rui Costa, da lista G, e João Noronha Lopes, da lista F, tiveram o primeiro debate na RTP3, SIC Notícias, CNN/Portugal e CMTV após uma primeira volta onde tiveram 72,4% dos votos (42,13%-30,26%)

▲Rui Costa, da lista G, e João Noronha Lopes, da lista F, tiveram o primeiro debate na RTP3, SIC Notícias, CNN/Portugal e CMTV após uma primeira volta onde tiveram 72,4% dos votos (42,13%-30,26%)

Amor ao Benfica, namoro a novos eleitores e dois piscares de olho a Vieira – mas o primeiro debate 2.0 foi tudo menos romântico

Começou morno, ferveu ao lume de redes tóxicas e ataques pessoais, arrefeceu com Vieira, acabou de forma fria: Rui Costa e Noronha queriam ganhar novos eleitorados mas acabaram a falar para os "seus".

Os números da primeira volta das eleições do Benfica não são conhecidos a nível micro, havendo o total de votos e votantes por candidato mas sem distribuição por número de votos em cada um dos locais com urnas no país e no Mundo, nem por isso deixa de haver margem nos bastidores da campanha para perceber a razão de cada um dos resultados apurados. E uma das ideias que surgiu na madrugada de sábado para domingo era a postura de João Noronha Lopes com Rui Costa no debate organizado pela BTV na antecâmara do sufrágio. Bem ou mal, houve quem recordasse essa estratégia de “ataque” relembrando como funciona aquilo que neste caso acabou por funcionar como uma “maioria silenciosa” que teve um peso decisivo no resultado final.

Eleições Benfica. Rui Costa diz que “12% de 85.000 não é uma diferença curta”, Noronha diz que “agora vai começar uma eleição nova”

Noronha Lopes conseguiu ser melhor em vários locais nos votantes de três ou dez votos (numa diferença que só não foi maior porque essa faixa cruzou com muito eleitorado de João Diogo Manteigas), tendo o Pavilhão 1 e 2 da Luz como exemplo paradigmático disso mesmo, ainda teve alguma expressão para alguns inesperada nos 20 votos sobretudo de Setúbal para cima mas não conseguiu “combater” os cerca de 17% de possíveis eleitores com 50 votos – um eleitorado mais de “continuidade”, virado para Rui Costa e Luís Filipe Vieira, que não só nunca foi apologista de mudanças radicais (o sufrágio de 2000 entre Manuel Vilarinho e João Vale e Azevedo foi uma exceção) como tem tendência a proteger os “seus”. Era aqui que a questão do debate entrava, perante a postura “ofensiva” de tentar marcar posição bipolarizando a corrida da primeira volta mas visando o incumbente. Era aqui que entroncava uma das maiores curiosidades em torno do primeiro de dois reencontros televisivos, neste caso RTP3, SIC Notícias, CNN/Portugal e CMTV.

Os oito despiques Noronha-Rui Costa entre o “senador” Vieira, o presidenciável Manteigas e o fazedor Mayer: como foi o debate na BTV

Ao contrário do que aconteceu na primeira volta, os dois candidatos mais votados teriam não um mas dois debates entre si. Um, esta quinta-feira, nos canais generalistas. Outro, na próxima quinta-feira, na BTV. E até à luz dos próprios resultados apurados em dia de recorde mundial havia outro tipo de preparação de ambas as partes, com Rui Costa ciente de que tem a vantagem do seu lado desde que exista uma votação tão grande ou maior do que na primeira volta e com João Noronha Lopes consciencializado da importância de ter uma postura que permitisse dar maior entrada no eleitorado com mais anos de filiação. Tudo em 70/75 minutos, ao contrário das quatro horas com seis candidatos da primeira volta, e com quatro moderadores.

O fenómeno que ficou pela bolha, o peso dos 50 votos e uma maioria silenciosa que apareceu: os vencedores e vencidos das eleições do Benfica

“Não se desiste do Benfica e eu não desisto do Benfica. A minha energia, convicção e determinação são iguais às que tinha em junho quando apresentei a candidatura. É preciso obviamente dizer que este resultado não é o que gostaria mas também é preciso referir que quase 60% dos benfiquistas não se reveem no rumo que o clube está a tomar. Vou trabalhar para agregar os votos dos benfiquistas que não se reveem neste rumo. Nesta segunda volta começa uma nova eleição. Somos dois candidatos e acho que isso vai permitir que exista uma discussão mais profunda, com menos ruído, onde possamos comparar as ideias”, tinha destacado João Noronha Lopes no primeiro comentário aos resultados apurados na primeira volta.

“Não se desiste do Benfica e eu não desisto do Benfica.” Noronha Lopes “esperava melhor”, mas lembra que segunda volta é “uma nova eleição”

“Quero, enquanto presidente do Benfica, expressar o meu profundo orgulho pela vitalidade democrática do nosso clube. O Benfica e os seus sócios deram, uma vez mais, uma plena demonstração da sua inigualável grandeza – em Portugal e no Mundo. Estabelecemos um novo recorde mundial num dia intenso de democracia, pluralismo e respeito pela história e pelos valores do Benfica. Não posso estar mais orgulhoso com esta votação, pela mobilização das pessoas que foram votar. Ouvi dizer agora que 58% não acredita em mim mas também posso dizer que há 70% que não acredita no outro lado… Apoios? Conto com o apoio de todos os benfiquistas, não estou a contar com os outros candidatos. Só quero mostrar quem sou e o que quero fazer. Não, não falei com ninguém depois das eleições”, salientou de seguida Rui Costa.

“Também posso dizer que 70% não acredita no outro lado…”: Rui Costa mostra-se orgulhoso pela votação e deixa “farpa” de resposta a Noronha

Um debate que começou morno, aqueceu muito e foi arrefecendo no “namoro” a Vieira

A chegada de ambos à zona da entrada da porta 1, onde estava montado o cenário para o debate, mostrava a dois candidatos calmos, com discursos muito ponderados, sem grandes novidades para apresentar e fazendo um prolongamento daquilo que tinham sido as declarações após o desfecho da primeira volta. Uma passagem rápida pela caracterização, uns instantes de espera de microfone ligado, o início de novo duelo a dois. E logo a abrir, mais do que apontar armas ao adversário, os primeiros momentos foram mais de defesa própria.

Noronha garante o regresso de Bernardo Silva: “Falo com o Bernardo há muito tempo. É alguém que eu admiro e que é um grande benfiquista”

“Sei que parto ligeiramente atrás, tenho de pedalar um bocadinho mas acredito que é possível. Dúvidas em relação a mim? Eu estive cá anteriormente com Manuel Vilarinho, com dois trabalhos, para servir o Benfica contra João Vale e Azevedo. Candidatei-me numa altura que ninguém se candidatou. Tenho sido participativo, mesmo nas Assembleias Gerais. O Benfica é o clube da minha vida”, referiu Noronha Lopes. “É necessário que os que acreditaram em mim continuem a acreditar e ir buscar votos que estavam noutros candidatos. Estou grato. Foi uma votação mundial. Não serviu para ninguém ganhar. Cá estamos os dois. Tem sido uma campanha muito longa para todos. Até para os benfiquistas, que ouvem há três meses falar de eleições. É de enaltecer estes debates. Recebi o telefonema de Cristóvão Carvalho, a quem agradeço. Não tive mais nenhum contacto, não considero uma falta de respeito ou de fair play, até porque fui apenas o vencedor da primeira volta. Não se decretou o próximo presidente. Acho natural que não haja parabéns, porque ninguém ganhou nada. Apoio de Vieira? Ninguém é dono da decisão dos sócios”, salientou Rui Costa.

Ponto seguinte: e se não ganhar a segunda volta? “Vamos começar a segunda parte. Com toda a humildade democrática, preparei-me para isto. O meu pai diz-me que com 14 anos disse que já queria ser presidente do Benfica, eu não me lembro disto, mas ele diz-me isto. Preparei uma equipa com benfiquistas. Se não for eleito? Estou profundamente convicto que irei vencer, com todo o respeito pelo Rui. Se não vencer, voltarei aos camarotes e voltarei a participar nas Assembleias Gerais. Terceira candidatura caso não vença? Neste momento não coloco em hipótese essa possibilidade”, referiu Noronha Lopes. “De uma forma muito humilde, o Benfica nunca deixou de ser uma vida. Não foi pelos cargos que o Benfica esteve na minha vida. Será sempre assim. Também considero que vou ganhar mas de forma humilde, se não ganhar, o Benfica não sai de mim. Voltar? Não faço futurologia. Quem ganhar tem de ser o presidente dos benfiquistas. Oposição? Já passei por isso 4 anos e não consigo fazer aos outros o que me fizeram”, destacou Rui Costa.

▲ Noronha Lopes e Rui Costa chegaram com uma diferença de cerca de dez minutos à porta 1 do Estádio, onde estava montado o espaço para o debate

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Foi preciso esperar pela terceira ronda para haver os primeiros “ataques”. “A minha candidatura não é contra ninguém, é a favor do Benfica. E é uma candidatura pela positiva, com ideias e projetos. Nasce do facto de o Benfica ganhar pouco. O Rui sofre tanto como todos os benfiquistas mas o resultado destes quatro anos de Rui Costa é este. Quero ver mais vermelho e branco nos próximos quatro anos. Como Sven-Göran Eriksson dizia, no Benfica não existem segundos lugares. Não está aqui em causa a vontade que Rui Costa tem em ganhar mas sim os resultados. É contra isto que me estou a candidatar”, atirou Noronha Lopes, mostrando um quadro com os títulos nacionais nos últimos quatro anos. “O Benfica está muito melhor do que há quatro anos, os benfiquistas têm noção disso. Até à Liga de 2023, vínhamos de três anos com uma Supertaça. Foi feita uma reformulação grande numa altura crítica. Presidente do quase? Se o presidente do quase é porque o Benfica foi competitivo, não ganhando, em todas as competições… Não estou contente mas quando não ganhar, que o Benfica perca como perdeu no ano passado, a lutar por todas as provas”, disse Rui Costa.

“Mensagens enviadas para os sócios? É um não assunto. As mensagens foram mandadas aos que estavam inscritos como candidatos e apoiantes. Agora se outros reencaminharam para outras pessoas… Estas mensagens foram mandadas apenas para pessoas que aceitavam receber. É perfeitamente natural fazer-se com pessoas que estavam em grupos ou que eram voluntários da candidatura. Quantos voluntários tenho? Ainda ontem tive uma conferência com 700 voluntários. É um não tema. Não vamos criar ruído à volta disto. Vamos discutir ideias sobre o Benfica”, apontou depois Noronha Lopes sobre outro dos casos do dia da primeira volta. “Importa saber quantas pessoas são essas, com a quantidade de mensagens e emails enviados… Esses voluntários devem ser tantos como os sócios. Porquê queixa do Benfica? Porque as queixas foram feitas ao Benfica. O Benfica recebeu essas queixas, entregou-as ao Departamento de auditoria interna e enviou ao CNPD. Pouco ético? Acho que sim, não foi só para os delegados…”, respondeu logo Rui Costa.

▲ Primeiro debate depois da primeira volta não teve o mesmo tom ao "ataque" do debate a seis da BTV mas chegou a aquecer a meio entre os dois candidatos mais votados

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Estava a chegar o ponto alto de despique, neste caso tendo como mote aquilo que foram as “campanhas sujas” e que chegou depois a patamares muito díspares onde cada um foi apresentando “níveis de ataques”.

– JNL: Em primeiro lugar, partilho a condenação e a repulsa pelos atos e campanhas que fazem na internet e que envolvem os candidatos e as suas famílias. Aquilo que o Rui passou é o que eu também tenho passado. Nestas eleições já fui acusado de tudo: de ser o novo Vale e Azevedo, de querer viver do Benfica, de não pagar impostos… A ponto de fazer algo que nunca pensei fazer: apresentar a minha declaração de rendimentos. Essas campanhas na internet são miseráveis. Mas outra coisa são os ataques que vêm de outra campanha. Um vice-presidente da sua campanha disse que estava farto das burrices de João Noronha Lopes. Eu tinha-o colocado na ordem. A campanha de Rui Costa, em determinada altura, disse que eu festejava as derrotas do Benfica. Acha que Bagão Félix ou Luís Tadeu festeja as derrotas do Benfica?
– RC: Sabemos como as redes sociais funcionam. Lamento o que se tem visto, que não se perceba que no final do dia somos todos do mesmo clube e que isto não é uma eleição política. Não somos partidos a lutar contra os outros a ver quem fica no Governo. Tudo daquilo a que se tem assistido é lamentável. Quando metem famílias, os meus filhos… Capacidades de gestão de Noronha Lopes? Falo das ofensas, o fomentar o ódio no clube. Não estamos em partidos. Não pode ser uma campanha política. Tem de ser visto como a campanha do maior clube do mundo. Só somos grandes se conseguirmos estar mais juntos. É natural que haja quem esteja do lado e do outro. Fomentar o ódio não consigo compreender. Abomino…
– JNL: Concretize, Rui, concretize. Eu também não quero entrar nisto. O que se passa na internet é uma vergonha e estou completamente de acordo com o Rui. Mas há uma diferença. Quando pergunto a Rui Costa para concretizar, ele não consegue concretizar. Se esses ataques partissem da minha candidatura, eu teria reagido de forma diferente. Se uma pessoas estiver próxima de mim e ofender, eu reajo. Essa é a diferença que existe entre mim e Rui Costa em relação a este ponto…
– RC: Quem da minha candidatura disse isso? Ontem o seu diretor de campanha ofendeu-me de alto a baixo. Numa Assembleia Geral, o seu diretor de campanha chamou a minha mãe à conversa. Os seus apoiantes diziam esta semana que o melhor que podia acontecer ao Benfica era ser goleado frente ao Vitória [de Guimarães] e frente ao Leverkusen. É extraordinariamente triste desejar que o clube perca. Ontem, da sua campanha, mandaram-me coisas à procura de podres meus. Não acho natural. Quem falou sobre a sua pessoa não está na minha campanha. Fernando Tavares não está na minha lista.
– JNL: Para ser claro, nesta campanha todas as críticas que faço são críticas objetivas ao que se passou durante o mandato de Rui Costa. E digo-lhe mais: durante uma Assembleia cheguei a defender Rui Costa de ataques pessoais. Um presidente do Benfica tem todo o respeito institucional. Não é o meu estilo. O que estamos aqui a defender, mais uma vez, é um mandato de quatro anos. Em quatro anos, Rui Costa, que quer ganhar tanto como eu, que é um grande benfiquista, não ganhou, não equilibrou as contas…
– RC: Quando fizeram a pergunta, falei no geral. Tenho de ir às ofensas todas que me fazem, como as pessoas nas Assembleias Gerais, muitas pessoas da sua lista. O apelo que faço é que, pelo menos, as pessoas percebam que toda a gente é do Benfica…

O ponto mais quente estava a serenar, outro ponto mais “eleitoral” estava a nascer: como lidar com a questão Luís Filipe Vieira? Rui Costa fez de tudo para não beliscar o antigo líder, Noronha Lopes deu logo o passo em frente para defender o antigo líder. “Naquele dia da saída em 2021 não está em causa se aplaudia ou não o trabalho dele. Entre coisas boas e más, está aqui uma obra que também é do mandato dele. Naquele dia não estava em causa falar ou desprezar Vieira. Estávamos a meio de um empréstimo obrigacionista que ia cair, uma inscrição na UEFA que ia cair. A única coisa que importava era mostrar ao mundo que o Benfica tinha um presidente. Por questões jurídicas, não era o momento para enaltecer ou desprezar Vieira. Reconciliação? Isso é uma questão pessoal. Não sou rancoroso. O que me faz estar aqui é o Benfica”, disse o atual líder. “Olhem para aquilo que foi esta campanha, olhem para aquilo que foram os ataques pessoais e façam uma análise. Sobre Luís Filipe Vieira, não trabalhei com ele mas os benfiquistas têm de lhe reconhecer os méritos. Não consigo perceber como não foi convidado para os 20 anos do Estádio. Rui Costa pegou no Benfica numa altura complicada mas faz-me confusão que faça desmerecer o que aconteceu antes”, acusou o gestor.

Também a contratação de José Mourinho voltou a levar a um choque, com Rui Costa a dizer que Noronha Lopes considerava o Special One como uma cartada eleitoral e Noronha Lopes a garantir que Mourinho é um grande treinador e o “seu” treinador, assim como Bernardo Silva voltou a ser falado com o gestor a garantir que se for presidente o número 10 irá regressar e com o atual líder a dizer que já esteve naquele papel e que um jogador benfiquista volta com qualquer presidente. A partir daí, houve outro Noronha no debate.

“Permita-me que comente o que disse Rui Costa sobre a estabilidade. Obviamente que temos treinadores de projeto. Já tivemos um exemplo no Benfica, que foi Vieira, em manter Jorge Jesus e depois foi campeão. Qualquer benfiquista percebe isto: quando temos cinco treinadores em quatro anos, como é que podemos ganhar? Gastámos 400 milhões, ganhámos apenas um Campeonato. Qual é a avaliação que fazemos destes quatro anos de mandato? Desportivamente, Rui Costa falhou. Não estamos a falar do seu benfiquismo, é do que ganhou no seu mandato”, referiu o gestor, voltando a falar mais uma vez do ex-líder.

▲ Debate organizado por RTP3, SIC Notícias, CNN/Portugal e CMTV foi o primeiro na campanha da segunda volta, havendo outro na próxima semana marcado na BTV

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“Mais uma contradição, estarmos a falar dos treinadores que não podem sair. A 27 de setembro, Noronha Lopes disse na CNN que um treinador fica no Benfica, quer tenha sucesso ou não. Correto? Se ele não tiver sucesso, vai mantê-lo. Anunciou que já teria despedido Roger Schmidt no final da época. As incongruências não deixam perceber qual é a mensagem que quer passar. Falar de estabilidade num clube desta dimensão e com o grau de responsabilidade é uma linha muito ténue. Todos queremos estabilidade e criar o treinador de projeto. Já deu o exemplo de Jorge Jesus e Vieira. Já percebi que hoje Vieira para si até é herói. Virou herói. Ouvindo o que disse do passado e a ouvir o que estou a ouvir hoje, já percebi que a estratégia mudou. Deu o exemplo que Vieira manteve Jesus e no ano a seguir ganhou. Depois diz que Schmidt devia ter sido despedido ao final da segunda época. Está a insistir numa contradição”, disse Rui Costa. “O Rui está a colocar na minha boca uma coisa que não disse. Sabe o que revela falta de planificação? O treinador não pode ser despedido à quarta jornada. Na época seguinte, treinador é despedido à quinta”, atirou o gestor.

Já numa parte final, os programas foram também tema… mais uma vez. “Os programas são conhecidos, não vou estar a ler 300 páginas. Ouvimos os candidatos, tiveram todos uma liberdade de expressão enorme, com os canais abertos para anunciar os programas. Não preciso de ler um programa de 300 páginas para saber os pontos chave. Lembro-me dos 500 mil sócios, dos 500 milhões de receita, do aumento do Estádio. Noronha Lopes acabou de dizer que há ideias que vêm de outras candidaturas, que podem ser aproveitadas. Mas não fiz críticas ao programa, João”, comentou Rui Costa. “Eu tenho aqui o meu programa, Rui. Tenho alguma dificuldade em perceber que tenha feito críticas ao meu programa sem sequer o ler. Tenho-o aqui”, voltou a oferecer Noronha Lopes, antes de garantir que não haverá espaço para Mário Branco em caso de triunfo. “Mas tenho a certeza que vou falar com José Mourinho e ele vai rever-se no nosso projeto”.

Por fim, e mais uma vez, Pedro Proença foi tema. “O Nuno Gomes expressou a sua opinião há um ano, quando não tinha nenhum vínculo com o Benfica. Neste momento está totalmente alinhado com a minha visão e as minhas observações sobre Pedro Proença, alguém que durante tempo embalou os clubes com uma promessa de 300 milhões para os direitos televisivos. Eu não tinha votado em Pedro Proença. Há uma diferença: não conheço Pedro Proença e sou completamente independente. E isso permite-me defender intransigentemente o Benfica, de forma a olhar apenas para os interesses do Benfica. Eu gostava de fazer uma pergunta a Rui Costa: voltava a apoiar Pedro Proença?”, questionou o candidato da lista F. “Já expliquei que o Rui Costa que não apoia a pessoa mas o projeto para a Federação. Proença recolhe os votos de todos os clubes da Primeira e Segunda Liga porque o que era discutido, o que estava em cima da mesa para a Liga e que passaria para a FPF… Proença está a par destas pastas todas. O compromisso com os clubes todos é a resolução das matérias todas, não é só a centralização”, respondeu o candidato da lista G. “Olhe, eu não passava nenhum cheque em branco”, rematou Noronha Lopes antes das mensagens finais.

“E o Campeão é…” do primeiro debate a dois do Benfica. Noronha vai ter de pedalar mais que Rui Costa porque perdeu. Veja as notas

Como tinham sido as interações entre Rui Costa e Noronha Lopes no primeiro debate

Tema 1. Futebol

– JNL: Não posso deixar de estranhar que, depois de termos investido 130 milhões de euros em jogadores o plantel ainda apresente estas lacunas. Na gestão do futebol todos cometemos erros, mas é preciso aprender com eles. Se continuarmos a cometer os mesmos erros, os resultados não aparecem (…) Ouvi Rui Costa a dizer que se é para perder, que seja assim, e a falar das entradas e saídas. Fico surpreendido porque parece que o candidato Rui Costa critica o presidente Rui Costa, que constituiu o plantel, tal como o presidente Rui Costa criticou o antigo vice e diretor desportivo Rui Costa quando disse que tinha herdado um plantel mais velho e com jogadores a mais. A pergunta que faço é: quantos Costas há na Direção?

– RC: Começar por esclarecer que este trajeto, esta gestão do futebol não pensa no imediato. E é por não pensar no imediato que o Benfica tem esta estrutura e apenas seis jogadores acima dos 25 anos (…) Dizer só a Noronha Lopes que o Rui Costa nunca festejou nem assumiu que festejou algo que não fosse um título do Benfica. Nasci neste clube com 8 anos e aprendi muito cedo que aqui não há vitórias morais. O que disse é que o Benfica, se não ganhar, que jogue até ao fim. Queremos que o Benfica lute por títulos e, o que disse, foi que no ano passado lutámos por todos. Em relação à estrutura, acho muito estranho que se prometa uma ampla estrutura que não se percebe muito bem quem vai comunicar com quem porque é muita gente. Uma estrutura altamente profissional com cargos onde nenhuma das pessoas executou, no passado, qualquer cargo desses. Mário Branco leva uma vida neste cargo. Não estão em causa as pessoas, mas nenhuma delas teve o cargo que o senhor está a meter neste momento no Benfica.

– JNL: Rui Costa foi vice para o futebol e diretor desportivo. Se não sabe o que faz um vice e um diretor desportivo, fico surpreendido. Posso garantir que o Nuno Gomes e o Pedro Ferreira estão preparadíssimos. Trazem qualidade, preparação. O Nuno saiu do Benfica pelo próprio pé, tirou um curso de gestão desportiva, é consultor da FIFA. O Pedro é um dos melhores scouts que o Benfica já teve. Foi para Inglaterra, levou o Nottingham Forest aos lugares europeus. Tiveram carreiras no Benfica, não se encostaram, foram à vida deles e voltam mais enriquecidos. O seu diretor desportivo, ou diretor geral porque a definição das funções na sua estrutura foi opaca, ou quem esteve a tratar do futebol era comentador televisivo. Dizer que o Nuno Gomes, que teve um passado na formação, que o Pedro Ferreira, como chiefscout, estão pior preparados do que alguém que foi comentador televisivo…
– RC: Explique lá o que faz o vice-presidente para o futebol no clube. Eu acompanhava a equipa. Está aqui o ex-presidente e pode confirmar.
– JNL: O vice-presidente terá toda a supervisão do futebol do Benfica. É uma pessoa extraordinária, com competências. O diretor-geral coordena o futebol do Benfica. Tem debaixo de si a formação, o scouting e a ligação com as áreas operacionais de apoio ao clube. Aqui as pessoas não entram de paraquedas, estão a falar há muito tempo e estão prontas para trabalhar…

– RC: Não pus em causa as pessoas, pus em causa a experiências nestes cargos. Nunca estiveram nestes cargos…
– JNL: Mas qual é a experiência do Rui Pedro Braz?
– RC: Estou apenas a colocar em causa os cargos, não as pessoas…

Tema 2. Futebol de formação

– JNL: Rui Costa diz que não era possível segurar João Neves. Todos os jogadores um dia quererão sair, mas os benfiquistas não percebem que João Neves, que não queria sair, tenha saído. Quem disse foi João Neves. O processo não foi resolvido na altura certa. Devia ter sido em dezembro ou janeiro. Aí é que se devia falar com a família e empresário. Se deixamos o assunto arrastar-se quando o jogador está com a cabeça no outro lado, claro que não fica. Rui Costa não fez o que deveria ter feito para segurar João Neves. Não é só um dos melhores médios do Mundo, mas personificava a mística, entrega e ambição que os adeptos do Benfica querem ver (…) Não pode ser João Neves a pagar os erros de gestão desta Direção. O João não saiu por estratégia, mas sim por urgência. Os benfiquistas não percebem que num ano tenhamos de vender o João Neves porque é preciso receber 50 milhões e depois gastamos 130 milhões em reforços. Eu percebo o motivo. Estamos em período eleitoral.
– RC: Em relação ao João Neves, não me lembro de o ter visto em nenhuma reunião connosco, caro Noronha Lopes. Não me lembro de o ter visto em qualquer reunião para me estar a desmentir daquilo que foram as reuniões com João Neves. Não queria sair do Benfica, mas evidentemente não queria perder valor em relação ao que foi ganhar para Paris. Que é completamente incomportável para o Benfica. Chegar a determinados valores. Hoje já consegue levantar o valor das transferências, mas não consegue levantar até esses valores os contratos.

– JNL: A questão do João Neves não é do passado. Simboliza duas coisas: a importância de ter jogadores no plantel que passam a mística e o talento para os jogadores que vêm a seguir. Se o jogador da formação vê que outro jogador sai ao fim de 6 meses ou um ano, o que quer? Quer sair também. A formação faz-se de símbolos, Rui. E eu estou farto desta conversa de que não podemos cortar as pernas aos jogadores. Não devemos é cortar as pernas aos jogadores, para eles serem primeiro campeões no Benfica.
– RC: E foi, e foi…
– JNL: Esse discurso fatalista de que não podemos fazer melhor é que faz com que não ganhemos. Temos excelentes técnicos da formação a sair. Tem de haver uma aposta nos técnicos. Eles têm de ser valorizados, estão a tratar dos diamantes para o futuro.

Corridas contra o tempo, uma camisola que emociona o Maestro e os bonés do “movimento MBGA”: um dia com Rui Costa

Tema 3. Finanças

– JNL: Pergunto como é possível termos quatro diretores financeiros em quatro anos. Tivemos cinco treinadores em quatro anos. E tivemos Domingos Soares de Oliveira, Luís Mendes que se demitiu, Jaime Antunes que se demitiu e agora Nuno Catarino. Não é surpreendente que o passivo tenha aumentado 100 milhões. Não é uma surpresa que os resultados correntes apresentem um resultado negativo todos os anos de 15 milhões. Os sócios perguntam para que isto serviu? Ganhámos mais títulos? Modernizámos o estádio? Melhoramos o Seixal? Rui Costa, zero. Tem de haver rigor financeiro. Temos de equilibras as despesas e receitas correntes. Temos de apresentar sucesso desportivo, foi por isso que apresentei uma organização. Não festejamos Relatórios e Contas (…) Temos de colocar mão nisto. Mais quatro anos disto e ficamos numa situação complicada…
– RC: Não tive cinco diretores financeiros, tive três, terminando com o Nuno Catarino, que está a fazer um excelente trabalho. Se falarmos das pessoas que saíram, talvez o recorde seja seu: 58 dias. É uma coisa que está em ata…
– JNL: Mas qual ata?
– RC: Se puder continuar… A única coisa que fui enquanto jogador de futebol foi ter a vontade de voltar ao Benfica para jogar e seja com A, B ou C. Está aqui o senhor que era presidente na altura e pode prová-lo. Em relação à parte financeira. Se contabilizarmos a dívida total do Benfica, hoje é de 241,5 milhões. Baixou e não aumentou. É verdade que aumentou a dívida líquida, estabilizámos e vimos até onde podia aumentar dentro de três pilares muito simples (…) O estranho, e aqui pergunto onde está a sua responsabilidade [fala com João Noronha Lopes], é chumbar um exercício de 30 milhões ao Benfica. E era sobre isso que gostava de perguntar. Em relação aos custos, repito. Subiram 5,6 milhões para um aumento de receitas de 11% ao ano e vai aumentar até aos 500 milhões com as várias medidas. Subimos em todas as alíneas. De área comercial, todas. Subiram no meu mandato e vão continuar a subir.

– JNL: Rui Costa disse que o problema do passivo tinha a ver com o Covid-19. Houve seis jogos com Covid-19 no seu mandato. Quanto aos FSE, diz que continuam a subir. Se fossem custos internos aparecia como lucro. Na página 115 do relatório, o lucro é de 1,4 milhões. Onde foi o dinheiro? Digo-lhe com toda a amizade, mas nesta matéria aquilo que está a dizer não faz sentido. Ao contrário do que acontece consigo, que não leu o meu programa, eu li o seu e vê-se um conjunto de lugares comuns que não dizem nada sobre o futuro do Benfica. Duplicar as receitas do digital. Como?
– RC: Continuo a achar muita piada a todo este conflito em relação à parte financeira do Benfica… Continua a ser claramente o clube português em melhor condição financeira, isso é incomparável. Nunca teve sequer perto de ter problemas com o fair play financeiro, nunca necessitou de ir à banca pedir perdões, nunca faltou a um atleta, fornecedor, colaborador, inclusive reduziu as dívidas de 40 milhões a clubes. A dívida total passou de 247 para 241 milhões (…) Mas acho graça à preocupação do lado de Noronha Lopes. que tem José Theotónio como grande símbolo para resolver os problemas financeiros, mas ao mesmo tempo ainda não conseguiu explicar se vai ficar a tempo inteiro, em part time… Numa altura disse que ficaria a part time, noutra situação já a tempo inteiro. Tanta preocupação com a parte financeira e ainda estamos à espera para saber se o seu CFO estará a tempo inteiro.

– JNL: Rui Costa disse numa entrevista que o próximo exercício está feito. Como é que alguém com responsabilidade pode dizer uma coisa destas? Não sabe o que serão o resultado das vendas dos jogadores. Chego à conclusão, com toda a estima que tenho por si…
– RC: Não diga que tem estima e está a atacar-me há três meses…
– JNL: Há uma coisa que eu não faço que são críticas pessoais. Faço críticas relativamente ao seu mandato como presidente. Já disse que assina muitas vezes sem ler e agora chego à conclusão que não lê os jornais. José Theotónio disse o que vai fazer no Benfica: compromisso total.
– RC: Mas o próprio não disse isso…
– JNL: Devia era estar satisfeito por alguém com o calibre profissional de José Theotónio se dedique ao Benfica. Rui Costa disse que estive 50 dias no Benfica. É mentira. Se ler a entrevista de Manuel Vilarinho, hoje ele disse que fui um suplente até ao último dia. Leia, informe-se.

Tema 4. Direitos televisivos

– JNL: Em relação aos direitos televisivos há falta de coerência de Rui Costa. Sancionaram o projeto de Pedro Proença durante quatro anos. Quando se verificaram os acontecimentos da Taça, saltaram do processo. O Benfica esteve omisso, foi entregue um projeto e o Benfica nem foi informado. Isto não é defender o Benfica. 94% das receitas são geradas por três clubes. Nesses três, o Benfica gera mais receitas. Geramos mais receitas, audiências, impacto social. O Benfica tem de defender os seus interesses. É muito importante iniciar já conversas com o Governo sobre este decreto-lei, perceber se continua a fazer sentido. O panorama audiovisual mudou. Se a Liga e a FPF não o fazem, o Benfica tem de ser líder no processo. Temos de ouvir o mercado. O Benfica vai ser respeitado. Não é pelos outros votarem a favor que eu voto.

– RC: Acho que neste tema acabamos por estar todos de acordo, mesmo quem dá mais um floreado para abrilhantar a festa. Na verdade, estamos todos de acordo com a preocupação que há com os direitos televisivos (…) Há duas regras básicas: 2026 a 2028 o Benfica tem de fazer um ótimo contrato, e depois defender a causa, nem que a lei seja adiada, como é o que andamos a propor há meses.

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Tema 5. Infraestruturas

– RC: Tenho um estudo prévio para aumentar a capacidade para 83 mil espectadores feito por uma das maiores empresas de engenharia de construção de estádios do Mundo, um estudo que visa em modernizar e tornar o estádio mais cómodo e digital. Há um conjunto de natureza financeira que só posso ter quando entrar e o processo. Não vou apresentar ao presidente da Câmara e aos jornalistas primeiro, mas sim aos sócios. Quero melhorar os pavilhões e a piscina, vejo o estado ao que aquilo chegou. A terceira área é de investir no Seixal e melhorar as condições da formação. Quero criar um centro de convívio para os sócios, que vivem à volta do estádio o seu benfiquismo e para as Casas quando vêm de fora. O meu vice para o património é Manuel Mota. As estradas e as pontes em que circulamos foram feitas por empresas dele.

– RC: Apresentámos um projeto que está mais do que pronto para ser apresentado aos sócios. No dia em que o aprovarem, está pronto para entregar na Câmara. Não é uma utopia. No fundo, tudo o que ouvi aqui inclui-se no Benfica District, parece-me uma coisa muito simples. É uma questão de modernizar e dar uma dimensão diferente ao Benfica. A criação deste Estádio fez o Benfica crescer, a criação do Benfica District irá estar na mesma medida. É uma situação que resolve os problemas das entradas, das saídas, das Fan Zones… É um projeto elaborado e construído para modernizar e fazer crescer o clube. Está estruturado por uma empresa mais do que conhecedora do caso. A Cidade das Modalidades não foi concretizada por uma razão simples. Precisamos de um terreno com uma certa medida e numa certa modalidade. Para fazermos, vamos fazer uma coisa à séria, à Benfica, e que vá ao encontro das necessidades.

– JNL: Tenho dificuldade em entender como a Direção que prometeu a cidade das modalidades e que não saiu do papel quer fazer acreditar aos benfiquistas que vai fazer um projeto como o Benfica District…
– RC: Não sei o que tem uma coisa a ver com a outra. Aqui estamos nos nossos terrenos. Percebo a sua aflição de fazer crescer o Estádio da Luz. Foi uma das coisas que o fez sair do Benfica…
– JNL: Ninguém acredita que a Direção tenha a capacidade de concretizar. Não vou fazer hotéis nem centros comerciais. Tudo tem de ficar concentrado no Estádio e no Seixal. Tenho dúvidas em relação à Cidade das Modalidades. Não prometo aquilo que não posso cumprir. Mas, oh Rui Costa, por que diz que sabe por que saí do Benfica?
– RC: Eu li as atas. Era a favor deste estádio?
– JNL: Era.
– RC: Então as atas estão enganadas.
– JNL: Tem as atas? Já sabíamos que Rui Costa não lia aquilo que assinava. Eu tenho a ata.

– RC: A questão do Benfica District tem uma componente que está a ser desvalorizada, que é a receita na entrada. Isto não será só um tema estético. As obras são fora do estádio, as grandes obras. É viável continuarmos a jogar aqui. O facto de fazermos este projeto não é só para fazer uma coisa bonita e para os sócios terem muito orgulho – que vão ter. Ultrapassa muito isso. Tem a ver com as condições para as modalidades. E vocês foram ao encontro disso. E tem uma receita esperada de 40 M€ por ano. Se vamos aproveitar o Euro-2030? Como é óbvio!

Tema 6. Associativismo

– RC: Só fazer aqui uma nota sobre as Casas do Benfica: tenho visto nas redes sociais e têm espalhado por aí que o Benfica fechou 120 Casas neste mandato. O Benfica fechou três casas. Paris, Mira e Luxemburgo. E no Luxemburgo está para abrir de novo. E abrimos quatro que estavam fechadas: Arganil, Foz Coa, Montreal e Ourém. Fizemos obras em 29 Casas, inserimos o modelo 2.0 em Santarém (…) Tudo o que fazemos, todos nós aqui, temos de apontar aos sócios. São os verdadeiros donos do clube. A Casa do Sócio, uma promessa eleitoral minha, não está feita por causa das obras que vão ser feitas aqui à volta do estádio. E também se encaixará dentro do Benfica District.

– JNL: Tenho ouvido os sócios, não só para dizer as minhas ideias, mas para ouvir. As Casas não podem ser só notícia em altura de eleições e aniversário. O presidente tem de ir às Casas. Cresci fora de Lisboa e sou emigrante. Dou um grande valor às pessoas que estão nas Casas. Vamos realizar duas reuniões da Direção por ano fora de Lisboa. Vamos criar a figura de Provedor de Sócio, para ouvir as queixas e reclamações. Os sócios vão passar a ter resposta. Vamos criar o Congresso das Casas. Há uma nova geração que não tem a dedicação para ir às Casas com a geração mais velha. Muitas Casas têm comissões administrativas que vão ficando com as pessoas porque ninguém as substitui. Recebi um SMS do presidente da Casa de Algueirão-Mem Martins, que não consegue pagar a conta da eletricidade…
– RC: Eu estive lá e sei, falei com o presidente…
– JNL: Mas não está resolvido. Ele mandou-me uma SMS hoje…
– RC: Já tem um gerador para resolver o problema no imediato.

– JNL: Vamos criar o Portal da Transparência, com as comissões de intermediação e o calendário do meu programa eleitoral. Queremos melhorar o programa Mais Vantagens, há muitas vantagens que não são regionais. Há que melhorá-lo. Estas ideias são de todos. Tenho um projeto para aumentar para 500 mil sócios, para expandirmos o benfiquismo. Vamos criar um portal da bilhética transparente e funcional.

Tema 7. Relações externas e institucionais

– RC: O Benfica terá de estar na linha da frente em todos esses temas. Foi falado da relação com os outros clubes e o que queremos dos outros clubes é: fomos toda a vida o alvo a abater pela nossa grandeza. E concordo plenamente que temos de querer, evidentemente, procurar evidenciar o melhor para o futebol português. O futebol limpo, que possa ser jogado dentro das quatro linhas. Não tenho intenções de cortar, até prova contrária, relações com ninguém, mas irei sempre defender o Benfica intransigentemente como tenho feito e como procuro fazer no futuro de modo a que o Benfica seja respeitado como merece.

– JNL: O Benfica quer ter as melhores relações institucionais. Mas para ser respeitado o Benfica tem de se dar ao respeito. Rui Costa disse que coloca o Benfica acima de tudo. Estou completamente de acordo, mas não foi o que aconteceu com Pedro Proença. Votou em Proença porque não podia ir contra a corrente. Se tiver de ir contra a corrente, vou…
– RC: Não é porque não podia, não queria.
– JNL: Não queria? Ainda pior. Ouvimos de Rui Costa que não tinha votado em Proença mas sim no projeto de Proença. Fiz-lhe essa pergunta em Assembleia Geral mas ainda não percebemos esse apoio. Garanto que estarei a defender os interesses do Benfica até à primeira à última jornada. Não será com comunicados meiguinhos. Quando o presidente tiver de dar a cara, dará.

– RC: Quando digo projeto, e não a pessoa em si, é toda a estrutura que levou para a Federação, o projeto que colocou em cima da mesa e acima de tudo porque antes era presidente da Liga. Todas as matérias que acabei de referir são necessárias modificar, estão nas mãos de uma pessoa que se lamentava dos mesmos temas e que os conhece na exatidão das preocupações dos clubes. Esta foi a promessa que levou para a Liga e estaremos sempre vigilantes em relação às promessas cumpridas e não cumpridas. Há um Conselho de Arbitragem que esperamos que possa ter identificado as lacunas. Mas há aqui ainda uma questão: sou sempre visado, Noronha Lopes sempre que começa a resposta, começa com Rui Costa. Vou só dar-lhe um exemplo flagrante. Sabe quem foi um dos apoiantes de Pedro Proença à Federação? O seu vice-presidente, Nuno Gomes. Pergunte-lhe se está de acordo com isto…
– JNL: Querer transformar Nuno Gomes como principal apoiante de Pedro Proença quando o presidente do Benfica o apoiou… Está tudo dito. Nuno Gomes está alinhado com a minha visão para o futebol português e com o que temos de fazer.

[Chegou o histórico debate entre Soares e Freitas. E o socialista já conseguiu o voto dos comunistas sem “olhar para o retrato” dele. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]

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