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O capitão da Seleção Nacional esteve em campo na passada quarta-feira e no domingo, primeiro contra Espanha e depois contra França

Getty Images

O capitão da Seleção Nacional esteve em campo na passada quarta-feira e no domingo, primeiro contra Espanha e depois contra França

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As duas bolhas que o vírus teve de furar para chegar a Ronaldo: primeiro a da Juventus, depois a da Seleção /premium

O capitão da Seleção deixou a bolha da Juventus para se juntar à bolha da Seleção. E, algures, foi infetado. As possibilidades de contágio são várias e podem ir de Turim à Cidade do Futebol.

Cristiano Ronaldo deixou Itália quando estava em isolamento devido a dois casos positivos no staff da Juventus, chegou a Portugal e só saiu da Cidade do Futebol para jogar com a Espanha em Alvalade e ir jogar a Paris. Esta terça-feira entrou novamente em isolamento depois de ter testado positivo para a Covid-19. O capitão da Seleção Nacional rompeu a bolha do clube italiano para se juntar à equipa de Fernando Santos, testou negativo depois dos dois outros casos na equipa portuguesa, José Fonte e Anthony Lopes, e defrontou Espanha e França. Algures neste processo, foi contagiado. Quando, é muito difícil saber.

Que impacto tem a Covid-19 na saúde de um atleta como Cristiano Ronaldo? E pode deixar sequelas?

Para além do encontro da Seleção com a Suécia já esta quarta-feira, na Liga das Nações, o avançado da Juventus falhará os próximos jogos da equipa de Pirlo — um da liga italiana, com o Crotone, e o da primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões terça-feira, com o Dínamo de Kiev. Ainda sem reação oficial por parte do clube, o caso positivo de Cristiano Ronaldo acrescenta-se às polémicas da sua saída da bolha de isolamento da Juve criada depois de dois casos entre os funcionários do clube, à festa com poucas regras sanitárias que o jogador deu há algumas semanas na Comporta e ao facto de ter passado grande parte da quarentena na Madeira.

Cristiano Ronaldo testou positivo ao sexto teste em sete dias e depois de ter estado em duas bolhas de isolamento em dois países diferentes. E as possibilidades de contágio, embora reduzidas e espaçadas no tempo, são várias.

Ronaldo chegou à concentração da Seleção, na Cidade do Futebol, no início da semana passada

DIOGO PINTO/FPF

A bolha da Juventus: isolamento por dois casos, jogo ganho por falta de comparência e viagem para Portugal sem o resultado do segundo teste

Logo na primeira jornada da Serie A, contra a Sampdoria, a Juventus voltou a saber o que é jogar com adeptos nas bancadas. Nessa semana, no final de setembro, o governo de Antonio Conte autorizou o regresso de público aos jogos de futebol e restantes atividades desportivas desde que não excedesse as mil pessoas. A liga italiana recomeçou com barulho real, palmas e cânticos e os tempos mais preocupantes da pandemia no país, pelo menos nessa altura, pareciam já ser uma memória. Mas o reavivar do contágio um pouco por toda a Europa, incluindo em Itália, acabou por afetar também o futebol.

Há pouco mais de uma semana, no último dia de competições de clubes antes de as seleções se reunirem para os respetivos compromissos, o Nápoles perdeu por falta de comparência o jogo em Turim contra a Juventus. O motivo? Uma alegada proibição das autoridades de saúde italianas — refutada pela Serie A — que teria impedido os napolitanos de viajar depois dos dois casos positivos detetados no plantel de Gennaro Gattuso. Com três opções viáveis (ir a jogo, apresentar uma justificação das autoridades de saúde ou não comparecer), o Nápoles optou por não aparecer na Allianz Arena. A Juventus chegou a pisar o relvado, ouviu os aplausos dos adeptos presentes no estádio, esperou o tempo previsto nas regras e recolheu novamente ao balneário, ciente de que tinha acabado de conquistar três pontos sem sequer correr um metro.

Insólito: estádio com público, Nápoles não apareceu e Juventus esperou para ganhar por 3-0 sem jogar

Ainda assim, e apesar de se ter apresentado em campo, também a Juventus estava já em isolamento nesta altura. “Existem protocolos muito claros para estas situações, que explicam o que fazer em caso de haver positivos por Covid-19. Aplica-se o protocolo da Federação e todos sabemos o que fazer. E isso passa por entrar em isolamento profilático numa estrutura acordada com a Autoridade de Saúde local dentro da qual o grupo se isola para continuar a treinar e a jogar. Portanto, esta noite teríamos jogado com o Nápoles. O trabalho da Federação e do Ministério da Saúde é claro. Ontem [sábado], ao saber que tínhamos casos positivos na equipa, isolámo-nos para jogar esta noite. O presidente do Nápoles pediu-nos para adiar o jogo, um pedido legítimo, mas as regras são claras e todos temos de as seguir. Todas as organizações têm regras e se não as seguirmos isso pode ser um erro. Não sou eu quem tem de dizer se as regras estão bem ou mal, se têm de mudar ou não, só sigo os regulamentos”, explicou, nesse domingo, Andrea Agnelli, presidente bianconeri. A Juventus tinha entrado em isolamento profilático no dia anterior, devido a dois funcionários infetados, e todos os jogadores e elementos da equipa técnica estavam autorizados a treinar e jogar mas impedidos de contactar com o exterior.

A Juventus apresentou-se em campo para defrontar o Nápoles, no dia 4, mas acabou por ganhar o jogo por falta de comparência da equipa de Gattuso

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Todo o plantel de Andrea Pirlo testou negativo numa primeira ronda e repetiu o teste para que os jogadores pudessem ser dados como aptos com um duplo negativo. Isolados no Juventus Center, o centro de estágio do clube a 14 quilómetros do centro de Turim, os atletas internacionais depressa foram confrontados com uma decisão que teriam de tomar em poucas horas: esperar pelo resultado do segundo teste e chegar atrasados à concentração das respetivas seleções ou abandonar a bolha de isolamento desde logo para rumarem aos países de origem. A isso, acrescia a hipótese mais preocupante de um eventual positivo que obrigaria a falhar a convocatória. Cristiano Ronaldo, ao que parece, teve poucas dúvidas.

Um dia especial para Ronaldo que não trouxe a melhor notícia: português denunciado por furar bolha da Juventus

Segundo o que a Gazzetta dello Sport escreveu logo na altura, o jogador português ficou desagradado com a decisão da Juventus de entrar em isolamento depois dos dois casos entre os funcionários. “Furioso”, segundo o jornal italiano, Ronaldo terá mesmo “levantado a voz” quando percebeu que estava em cima da mesa a possibilidade de falhar os compromissos da Seleção, e não jogar contra Espanha (particular), França e Suécia (para a Liga das Nações).

Sem esperar pelo resultado negativo do segundo teste, Cristiano Ronaldo abandonou o Juventus Centre, deixou Itália e chegou à Cidade do Futebol na segunda-feira à noite, dia 5, deixando no seu Instagram uma foto de despedida com a família. Foi prontamente seguido por Bentancur (Uruguai), Dybala (Argentina), Buffon (Itália), Cuadrado (Colômbia), Danilo (Brasil) e Demiral (Turquia) que também partiram para os seus países. Os italianos Bonucci e Chiellini, por outro lado, adiaram a ida para a seleção, assim como o galês Ramsey e o francês Rabiot.

Assim, e de acordo com a imprensa italiana, Cristiano Ronaldo e os restantes colegas que deixaram Itália sem conhecerem o resultado do segundo teste correm agora o risco de serem multados — depois de uma denúncia feita pelas autoridades de saúde regionais. Em resposta e já em formato de recurso, a Juventus lembrou que os casos positivos ocorreram em funcionários e não no plantel e que, tendo em conta as convocatórias das seleções, os jogadores poderiam realizar as respetivas viagens. Certo é que o jogador português, em conjunto com os outros cinco elementos da equipa, já deve mesmo ter sido notificado da infração e será provavelmente sujeito a uma multa. Já Mário Rui falhou o triplo compromisso da Seleção Nacional para ficar em isolamento com o Nápoles e não furar a bolha do clube.

Sem esperar pelo resultado negativo do segundo teste, Cristiano Ronaldo abandonou o Juventus Centre, deixou Itália e chegou à Cidade do Futebol, em Portugal, na segunda-feira à noite, dia 5. Foi prontamente seguido por Bentancur (do Uruguai), Dybala (da Argentina), Buffon (de Itália), Cuadrado (da Colômbia), Danilo (do Brasil) e Demiral (da Turquia).

Quer isto dizer que Cristiano Ronaldo saiu de Itália com dois testes realizados e apenas um negativo confirmado — a confirmação do segundo negativo terá surgido logo entre segunda e terça-feira da semana passada, mas não foi revelado. Com o período de incubação da Covid-19 a oscilar entre os dois e os 14 dias, é ainda possível que o capitão da Seleção Nacional tenha testado positivo agora por ter estado em contacto com algum dos funcionários infetados da Juventus. Ainda assim, esta acaba por ser a hipótese menos forte, não só pela distância temporal mas também pelo facto de nenhum outro elemento do plantel ou da equipa técnica de Andrea Pirlo estar infetado.

A bolha da Seleção: os casos de José Fonte e Anthony Lopes, os quartos individuais e a polémica fotografia do último jantar

Cristiano Ronaldo deu entrada na Cidade do Futebol, em Oeiras, na segunda-feira à noite, dia 5. Na Seleção Nacional, durante os períodos de concentração da equipa, aplica-se o protocolo desenhado para o regresso das competições que é também adotado na Primeira Liga e nas restantes divisões do futebol. Ou seja, os jogadores são testados 48 horas antes dos jogos, um único caso não obriga ao isolamento coletivo da equipa e todos os elementos que testem negativo antes das partidas podem jogar e treinar.

Estes testes obrigatórios, porém, foram reforçados com novas rondas devido aos dois casos positivos que surgiram desde que a Seleção está reunida. José Fonte registou positivo logo na passada terça-feira, o primeiro dia de treinos, o que forçou uma ronda adicional, antes do particular com a Espanha, na quarta-feira; Anthony Lopes foi dado como infetado na sexta-feira, o que também levou a novos testes e atrasou a viagem de Portugal para Paris, onde se disputou o jogo com a França para a Liga das Nações. Assim, Cristiano Ronaldo — tal como todos os elementos do plantel e da equipa técnica de Fernando Santos — realizou seis testes nos últimos sete dias. Só esta segunda-feira, já depois de ter jogado contra Espanha e contra França, é que o capitão da Seleção deu positivo. Repetidos os exames esta terça-feira, a infeção de Ronaldo foi confirmada e os negativos dos restantes elementos da equipa foram também garantidos.

José Fonte testou positivo para a Covid-19. Restante plantel e staff não estão infetados, Domingos Duarte foi convocado

O jogador da Juventus tem estado sempre na Casa dos Atletas da Cidade do Futebol, em Oeiras, desde o início da semana passada. Ali, todos os jogadores têm um quarto individual, pelo que o risco de contacto nesse capítulo é reduzido. Contudo, todos os atletas podem encontrar-se para jogar nos quartos e estão em contacto nos treinos, nas tarefas diárias e nas refeições — como é possível ver pela última imagem partilhada por Ronaldo no Instagram –, pelo que tem de ser admitida a probabilidade de o capitão da Seleção ter sido contagiado por dois colegas que jogam em França, um dos país mais afetados por esta segunda vaga: José Fonte (Lille) ou Anthony Lopes (Lyon). Aqui, acrescenta-se também o facto de a comitiva portuguesa ter viajado para e de Paris no fim de semana, numa deslocação que também acarreta, de forma natural, alguns riscos, para uma cidade que está sob fortes medidas restritivas devido ao número crescente de casos de Covid.

A hipótese do contágio ter acontecido no jogo frente a Espanha, outros dos países mais afetados pela segunda vaga e onde os casos não páram de cresecer, também poderia ser uma possibilidade. Mas a seleção espanhola não reportou qualquer caso nem antes, nem depois do jogo em Alvalade.

No entanto, como Cristiano Ronaldo jogou contra Espanha e França na última semana, isso faz com que os alarmes também soem nessas duas seleções — os jornais espanhóis estão a recordar, principalmente, a imagem do português abraçado a Sergio Ramos depois do jogo em Alvalade, enquanto os franceses lembram o cumprimento extenso do capitão português a Mbappé em Paris, ainda que o avançado do PSG já tenha estado infetado. Ainda assim, nenhuma das duas seleções deu conta de casos positivos nos últimos dias, nem na equipa técnica nem no plantel. Já Léo Dubois, lateral francês que é colega de Anthony Lopes no Lyon, está infetado e também abandonou a concentração da seleção, mas o caso positivo do jogador surgiu ainda antes de Portugal receber Espanha em Alvalade.

Ronaldo vai falhar o encontro desta quarta-feira contra a Suécia, em Alvalade e a contar para a Liga das Nações, e fica também ausente, quase de certeza, dos próximos dois compromissos da Juventus: no sábado, contra o Crotone para a Serie A, e na terça-feira, contra o Dínamo Kiev para a primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. As regras atualmente em vigor em Itália obrigam a um período de isolamento de 10 dias para pessoas infetadas: o que significa que, em teoria e em caso de rápida recuperação, Ronaldo já estaria disponível para defrontar o Barcelona na jornada seguinte da Champions, no dia 28, ficando sob maiores dúvidas o encontro com o Verona no dia 25. Tudo irá depender da velocidade de recuperação do internacional português — Dybala, colega de equipa de Ronaldo na Juventus, esteve mais de um mês fora dos relvados, enquanto que alguns jogadores do Sporting que estiveram infetados recuperaram em pouco mais de uma semana.

Cristiano Ronaldo jogou contra Espanha e França na última semana, o que faz com que os alarmes também soem nessas duas seleções — os jornais espanhóis estão a recordar, principalmente, a imagem do português abraçado a Sergio Ramos depois do jogo em Alvalade, enquanto os franceses lembram o cumprimento extenso a Mbappé em Paris, ainda que o avançado do PSG já tenha estado infetado.

“Os jogadores de futebol, até pela idade, são grupo de baixo risco. Baixo risco de aquisição e depois baixo risco de ter complicações. Diria que isto é mais um incómodo, a começar pelo jogador, e também para a Seleção, do que propriamente um risco grande de saúde”, explicou o infecciologista Jaime Nina em declarações à Rádio Observador. Ainda assim, o especialista ressalva que os testes negativos dos restantes jogadores “valem o que valem”, porque “apenas dizem que no momento em que fizeram o teste não estavam a excretar fragmentos do genoma do vírus” e não impedem que os atletas estejam ainda em período de incubação. Uma opinião corroborada por João Gonçalves, virologista e diretor do Instituto de Investigação do Medicamento.

[Ouça aqui as declarações de Jaime Nina à Rádio Observador]

Jaime Nina. “Jogadores de futebol são grupos de baixo risco”

“Pelo menos há quatro, cinco dias, que foi infetado, por isso, ele nos últimos quatro, cinco dias, esteve em contacto com os seus colegas. Penso que existem todas as hipóteses de ter contaminado algum que ainda não testou positivo. É uma questão de acompanhar e de fazer esta análise constante”, disse João Gonçalves, também à Rádio Observador. Ou seja, antes do jogo desta quarta-feira com a Suécia, é possível que possa aparecer mais algum positivo na seleção portuguesa. Mas há também uma outra certeza: o facto de o jogador ter sido substituído no jogo com os franceses, não teve nada a ver com o novo vírus: “As dores musculares e o cansaço de um jogo e deste coronavírus são completamente diferentes, Deus nos livre de sentir as desta doença”, afirmou Domingos Gomes, histórico médico do FC Porto, à Rádio Observador, considerando assim que domingo, em França, Ronaldo ainda não teria quaisquer sintomas.

Resta agora perceber se Cristiano Ronaldo, que está assintomático e isolado no quarto na Casa dos Atletas, vai permanecer em Portugal — a hipótese que, em teoria, seria a mais adequada — ou regressar a Itália. Quer José Fonte quer Anthony Lopes voltaram a França, mesmo estando infetados, e estão a cumprir o período de quarentena em casa, o mesmo devendo acontecer com Ronaldo. Jaime Nina não tem dúvidas sobre o que fazer: “Deve ficar em isolamento”.

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