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Pedro Granadeiro/Global Imagens

Pedro Granadeiro/Global Imagens

"Gastou o dinheiro todo e da mulher" em raspadinhas. O vício que chega a 100 mil pessoas e que não tem resposta do Governo

ICAD alerta para falta de estratégia no combate ao vício da raspadinha, que chega a milhares de pessoas. Governo sem pensamento "global".

“É o café, são as raspadinhas. É como se fosse parte da vida dele.” Aos centros do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) chegam todo o tipo de casos de adição e a raspadinha não é exceção.

Rosário Vasconcelos é psicóloga clínica há 38 anos e ao Observador conta a história de um doente que acompanhou depois de “gastar todo o dinheiro dele e da mulher“. A raspadinha não é o único caso de dependência de jogo. As crianças mais novas recebidas no consultório de Rosário Vasconcelos, em Almada, têm quatro anos, com índices de vício em jogos online.

No caso do idoso, a raspadinha teve de sair da vida dele. Esse é apenas um dos 100 mil casos que o relatório “Quem Paga a Raspadinha” estima que existam em Portugal de risco de dependência do jogo. A primeira fase do estudo foi apresentada em setembro de 2019 e revelou, por exemplo, que 60 mil portugueses jogam a lotaria instantânea todos os dias.

Maioria dos jogadores de raspadinha tem rendimentos abaixo de 1000 euros. “São os pobres a financiar os mais pobres”

E mais de um ano depois de ter sido conhecida esta realidade, o psiquiatra Pedro Morgado, um dos responsáveis pelas três fases do relatório diz que o problema que foi detalhado em 2023 continua em 2025 e apenas por “falta de vontade política”. Ao Observador, critica a falta de medidas tomadas “para mitigar este problema”, o que faz com que hoje tenha, “pelo menos, idêntica dimensão, se não tiver sido agravado”.

Pedro Morgado não está sozinho nas críticas. No próprio ICAD há alertas para o risco que sucessivas eleições têm no desenho de medidas de saúde pública. Na prática, o vício no jogo em Portugal – nomeadamente na raspadinha – está há um ano sem ser pensado “de forma global”.

O estudo foi apresentado por Francisco Assis e entregue ao Governo, à Santa Casa da Misericórdia e à Assembleia da República, a 19 de setembro de 2023. Na apresentação, o então presidente do CES disse que haveria “consequências” e esperou que o estudo se traduzisse em medidas concretas e se não fosse através do Governo, seria a própria “sociedade” a “exigir soluções”.

Francisco Assis, entrevistado pelo Observador a 4 de dezembro de 2023. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“O que não queremos é que os estudos fiquem na gaveta” defendeu na altura Francisco Assis. Ao apresentar o estudo “Quem Paga a Raspadinha”, o CES garantiu que iria financiar a segunda e a terceira fase do estudo. Mas mais de um ano depois, pouco ou nada mudou.

Assis deixou o CES para ser deputado na Assembleia da República e depois para ser deputado no Parlamento Europeu eleito pelo Partido Socialista e foi rendido no Conselho Económico e Social por Luís Pais Antunes, que tomou posse em julho de 2024.

A divulgação do estudo aconteceu poucos meses antes da queda com estrondo do Governo de António Costa. Portugal voltou a eleições em março de 2024 e, ao Observador, fonte do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) alerta que a ida precipitada a eleições obrigou o ICAD a “começar do zero” no que toca à procura de respostas legislativas para o problema do vício no jogo.

“Pensar de uma forma mais global” este problema “não tem sido possível” desde as eleições de março de 2024. “Na prática, a realização de reuniões onde fosse possível elaborar respostas concretas e legislativas — não foi possível durante este ano“. Ainda assim, esta fonte assegura que a dificuldade em desenhar uma estratégia para combater este problema de fundo na sociedade portuguesa não compromete o esforço “de todos os dias” do ICAD em responder às dificuldades das pessoas.

"Na prática, a realização de reuniões onde fosse possível elaborar respostas concretas e legislativas não foi possível durante este ano. Pensar o problema de uma forma global não tem sido possível."
Fonte do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD)

O Governo ainda em funções remete para a consulta do Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das Dependências 2030 (PNRCAD), plano que foi aprovado em setembro de 2023, pelo anterior Governo de António Costa. Ou seja, em resposta ao Observador, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social não identifica novas medidas, desde a sua entrada em funções em abril de 2024, para combater o vício no jogo – mais precisamente o vício na raspadinha.

O plano a que se refere o executivo foi publicado apenas sete dias depois da apresentação do estudo “Quem Paga a Raspadinha” e – sem surpresas – não inclui qualquer menção aos dados recolhidos pelos investigadores da Universidade do Minho.

O vício no jogo é mencionado poucas vezes e não há qualquer menção à raspadinha. Apenas são citados dados do Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral de 2016/2017, que alertam para uma “prevalência de portugueses que desenvolvem uma relação problemática com o jogo a dinheiro“, e que na altura seria de 0,6%, uma percentagem que, já alertava o programa, “tem vindo a aumentar significativamente“.

Vício na raspadinha é fenómeno português para o qual “não existem respostas políticas”

Estudar o vício da raspadinha assumiu-se como objetivo para Pedro Morgado quando começou a receber na sua clínica problemas de adição, em particular “à raspadinha”. “Em 2020 fizemos o primeiro retrato daquilo que é a evolução das apostas em raspadinhas em Portugal, que de facto contrasta com a realidade de outros países e, portanto, parecia que aqui em Portugal havia um cenário de excecionalidade em relação a este jogo em específico.”

É assim que o psiquiatra explica o foco dado à raspadinha no relatório produzido por investigadores da Universidade do Minho, em setembro de 2023.

E é precisamente este perfil de jogadores que, defende o psiquiatra, “deve suscitar reflexão” ao país e aos decisores políticos, nomeadamente “o facto de os jogos regulados pela Santa Casa serem sempre apresentados como jogos com um propósito social, um propósito de beneficência. E parece que quem está a financiar esta beneficência são aqueles que mais necessitam, os mais pobres, os mais vulneráveis e aqueles que têm menor escolaridade”.

Uma das conclusões da primeira fase do relatório apontava para esse dado: 55% das pessoas que jogam raspadinha ganham menos de mil euros por mês.

Carlos Santos Silva/Global Imagens

Carlos Santos Silva/Global Imagens

Mais de um ano depois do estudo, o psiquiatra aponta “falta de vontade política”. “O retrato que foi feito em 2023 é o de um momento específico, mas, como não foram tomadas medidas para mitigar este problema, ele está pelo menos com idêntica dimensão, se não tiver sido agravado também pela forma como as coisas naturalmente evoluem.”

“Um jogo é tão ou mais viciante quanto mais imediato for o resultado da aposta que é feita. Na raspadinha, a pessoa raspa e recebe imediatamente o resultado e, portanto, logo a seguir pode ir comprar outra raspadinha e ficar num ciclo de dependência do qual é mais difícil de sair. E, insiste, “isto liga com a necessidade de desenvolver políticas, que sejam políticas de saúde pública responsáveis na regulação do jogo, porque não está em causa proibir o jogo. Não há aqui nenhuma vontade proibicionista.”

O estudo não está acabado — ainda bem a meio vai. O CES encomendou à Universidade do Minho mais duas fases deste relatório, coordenado por Pedro Morgado que adianta ao Observador que o objetivo é responder à pergunta “porque é que a adição à raspadinha em Portugal contrasta com outros países?” através de uma análise mais detalhada às “características psicológicas dos jogadores”, aos “fatores de risco para o desenvolvimento desta adição” para compreender se “no cérebro há algumas alterações que são específicas a esta doença”.

Vai ser preciso esperar para conhecer as conclusões da segunda fase. Pedro Morgado assegura que o relatório já foi entregue ao CES e que, neste momento, a equipa de investigadores da Universidade do Minho está a “aguardar autorização” para divulgar os resultados. Mas o Conselho Económico e Social não confirma ao Observador já ter recebido a segunda fase do relatório.

"Muitas destas pessoas são pessoas que sofrem em silêncio, as famílias têm enormes prejuízos e tentam suprir as dívidas até com alguma vergonha de uma forma muito silenciosa e muito escondida e, portanto, estes são problemas que não têm a visibilidade pública que ajudaria a resolver a situação."
Pedro Morgado, psiquiatra

A segunda e a terceira fase do relatório “Quem Paga a Raspadinha” ainda não são públicas. Ainda assim, a divulgação da primeira fase foi suficiente para levar o presidente do CES na altura, Francisco Assis, a exigir que as conclusões “não ficassem na gaveta”, mas ano e meio depois foi o que aconteceu. Pedro Morgado não encontra exemplos de medidas que tenham sido tomadas depois da divulgação da primeira fase do estudo. “Acredito que a política deve basear as suas decisões na melhor evidência. E esta é uma matéria onde existe evidência e portanto é com desilusão que vejo que a evidência não está a ser colocada ao serviço das populações”.

O psiquiatra nota que muitas das pessoas que enfrentam o vício no jogo são “pessoas que sofrem em silêncio”, cujas famílias têm “enormes prejuízos” e que tentam resolver os problemas “com vergonha, de uma forma muito silenciosa e muito escondida”. Ou seja, é um problema que “não tem visibilidade pública que ajudaria a resolver a situação”.

E que medidas deveriam ser tomadas em Portugal? Pedro Morgado lembra que o tema está estudado e que revistas científicas, como a Lancet, publicam recomendações sobre o que cada país deve fazer para combater o vício no jogo. O psiquiatra pede “uma maior regulamentação dos locais onde o jogo é permitido”; o acesso “universal ao tratamento” para quem tenha este tipo de problemas; “a desnormalização do jogo e a criação de uma possibilidade de “auto-exclusão” do jogador, ou seja poder pedir um teto ao quanto pode investir no determinado jogo.

“Resultados enviesados”. Santa Casa alerta para o crescimento do jogo online

Apesar de já não contar com os CTT para vender raspadinhas nas estações de correios desde 2024, tal como foi anunciado pelo anterior Governo, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa disponibiliza os jogos sociais através da sua rede de mediadores que chega aos cinco mil postos, a maioria na cidade de Lisboa e na cidade do Porto.

Numa série de respostas enviadas ao Observador, a Santa Casa reconhece que existe “em curso um plano de alargamento” desta mesma rede de mediadores que disponibilizam não só a lotaria instantânea, como todos os restantes jogos sociais.

Questionada sobre o tipo de medidas tomadas pela instituição desde a publicação da primeira fase do relatório “Quem Paga a Raspadinha”, a Santa Casa nega que a exoneração da direção de Ana Jorge tenha comprometido a política “de Jogo Responsável” e apresenta um rol de medidas.

[Já saiu o quinto episódio de  “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo PodcastPlus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto episódio]

Destaca que está prevista uma “nova vaga de veiculação da campanha” de sensibilização sobre jogo responsável – “Saber Parar também é Ganhar”, que começou em fevereiro do ano passado e vinca as “inovações tecnológicas” que tem trazido ao mercado. Continua a trabalhar num “futuro cartão de apostador” para auxiliar os mediadores a verificar, por exemplo, a idade dos apostadores, que a Santa Casa pretende implementar, mas ainda sem data concreta. O que tem data definida – 2025 – é a renovação dos canais digitais da Santa Casa – que pretende introduzir novas funcionalidades de Jogo Responsável – como a “possibilidade de os apostadores definirem limites para os seus gastos“.

Além disso, continua a ser disponibilizada a Linha de Apoio ao Jogo Responsável, para assegurar uma resposta de “aconselhamento psicológico aos apostadores”, uma linha “totalmente anónima e confidencial” que no limite pode reencaminhar os utentes para as equipas de tratamento do Serviço Nacional de Saúde. Quanto à publicidade aos jogos explorados pela Santa Casa, como a raspadinha, mas também o euromilhões, totoloto e totobola, a SCML assegura que os “fatores de risco” dos jogos têm levado a um “criterioso planeamento dos gastos publicitários”. A raspadinha é disso um exemplo, tendo sido nos últimos anos “alvo de fortes restrições“.

"A SCML considera descontextualizado, económica e socialmente, o foco exclusivamente dado à Raspadinha (...) quando se assistiu nos últimos anos ao brutal crescimento do mercado de Jogo On-line, que representa atualmente cerca de 86% dos montantes apostados pela população portuguesa."
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Ainda assim, e apesar de dizer nesta resposta ao Observador que “todos os estudos” nesta matéria “são bem vindos“, a Santa Casa considera que o foco dado “exclusivamente à raspadinha” por parte dos investigadores da Universidade do Minho é “descontextualizado, económica e socialmente”. A instituição nota que Portugal assistiu nos últimos anos a um “brutal crescimento no mercado do jogo online” que representa “cerca de 86% dos montantes apostados pela população portuguesa”, enquanto os jogos sociais, explorados pela Santa Casa, representam “apenas 14%” — metade dos quais são relativos à raspadinha. E esta realidade, aponta a Santa Casa, foi “ignorada” pela primeira fase do relatório de Pedro Morgado e Luís Aguiar-Conraria.

Santa Casa teve “o melhor ano dos últimos cinco anos”. Lucros ultrapassam 30 milhões com recuperação dos jogos sociais

As críticas não se ficam por aqui. A instituição liderada agora por Paulo Alexandre de Sousa aponta o que considera serem as “limitações” do estudo, nomeadamente no que toca à “reduzida dimensão da amostra; o baixo grau de confiança; a baixa taxa de resposta e a metodologia de recolha por telemóvel” o que leva a Santa Casa a notar um “elevado enviesamento dos resultados”. E dado os resultados do último Inquérito Nacional aos Comportamentos Aditivos, realizado em 2022, a instituição diz que as conclusões não apontam no mesmo sentido que o estudo encomendado pelo CES. “Não seria expectável, num prazo tão curto, um aumento tão significativo da população com problemas com o jogo (de 1,8% no Inquérito Nacional de 2022 para 3,09% neste estudo do CES/Universidade do Minho de 2023).”

Raspadinha ou jogo online? Um reformado que perdeu tudo e as crianças viciadas desde os quatro anos

Maria do Rosário Vasconcelos dedicou toda a carreira profissional ao Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), onde trabalha há mais de 38 anos. Sempre tratou, enquanto psicóloga clínica, os mais variados tipos de dependências. “Entrei em 1987 no centro das Taipas”, uma das unidades de referência no tratamento e acompanhamento de dependências.

Três anos depois trocou Lisboa pela margem sul do Tejo e hoje trabalha principalmente em polos em Almada e no Seixal. O foco era a droga nos anos 90, mas o “padrão de consumo muda e tem mudado ao longo destes últimos anos”. “Quando iniciámos este processo, quando eu entrei, o problema principal era o consumo de heroína, cocaína, coisas muito graves.”

Mas as dependências vão mudando ao longo do tempo, até porque como explica Rosário Vasconcelos ao Observador são como “modas, em termos sociais” e sempre que se está perto de controlar um tipo de adição “outras coisas vão aparecendo”.

"As crianças começam a jogar aos quatro anos. Percebe? Aos quatro anos. Quando não é mais cedo. Daria um charro a um miúdo de quatro anos? Não, porque é droga não é? Mas deram-lhe um tablet, dão telefones."
Maria Rosário Vasconcelos, psicóloga no ICAD

O que acontece com a raspadinha acontece com as drogas e com quase tudo, “que é o prazer imediato. A gente raspa ali para procurar qualquer coisa, há aquela adrenalina associada. Depois acontece, ficamos todos contentes. Não acontece, temos que ir lá procurar outra vez para ver se acontece.”

“É engraçado, porque podíamos dizer que a nossa população está toda dependente” e cada geração tem o seu vício. Hoje, nota, o jogo online e as redes sociais assumem esse papel. “Eu estava a falar do prazer imediato da raspadinha, mas podia falar do prazer imediato do consumo de heroína e posso falar do prazer imediato dos plings das notificações” no telemóvel.

“Porque as crianças começam a jogar aos quatro anos. Percebe? Aos quatro anos. Quando não é mais cedo, uma senhora uma vez já me disse, ele (o filho) joga desde que nasceu.” E Rosário pergunta “daria um charro a um miúdo de quatro anos? Não, porque é droga não é? Mas deram-lhe um tablet, dão telefones…”

Nos centros onde trabalha, em Almada e no Seixal, Rosário Vasconcelos acompanha “meia dúzia” de crianças nestas situações, mas o número não revela a profundidade do problema. “São aqueles que conseguem cá chegar, por uma via ou outra, porque são encaminhados por CPCJ (Comissões de Proteção de Crianças e Jovens) porque deixaram de ir à escola, ou porque os pais consideram que já há um problema”, mas as seis crianças que acompanha não se comparam aos “milhões que devem estar cheios de problemas lá em casa, e para mim são mesmo milhões, não estou a exagerar”.

E quando chegam ao centro de tratamento, o que dizem “sempre, quase sempre, é que estão a querer tirar-me aquilo que me faz feliz, é o único sítio onde sou feliz” e isso, lembra a psicóloga clínica, é um fenómeno “muito complexo”. “Como é que vamos tirar a um miúdo a única coisa que o faz feliz, até nos fica a doer o coração”.

De crianças com índices de dependência em jogos online e nos ecrãs do telemóvel, Rosário Vasconcelos recorda que a raspadinha tem “outro público, pessoas com mais idade, reformadas, desocupadas e que vão para ali ter uns com os outros”. Foi assim, aliás, no único caso de dependência em raspadinha que tratou. “Já estava reformado e gastava o dinheiro todo dele, da mulher e da casa nessas coisas. Não sei se era só raspadinha, também poderia ser lotaria, mas sei que era raspadinha”.

“Durante algum tempo aquilo que eu senti é que o senhor estava muito deprimido, porque é como se aquilo fosse a parte social da vida dele, não é? E é o café, são as raspadinhas, estava ali com os amigos e aquilo teve que desaparecer da vida dele e então o senhor, durante bastante tempo, estava muito deprimido.” Neste caso o acompanhamento funcionou e o paciente voltou a “ter uma vida normal, com a família e os filhos”.

E volta a comparar dependências, “quando é heroína as pessoas tinham que pedir ajuda, porque chegavam a um ponto em que já não aguentavam mais. Mas nestas coisas do jogo, as pessoas não têm consciência de que estão com um problema.

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