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Invista sem emoções. Ligue o piloto automático

Não precisa de ser um robô para evitar cometer erros nos seus investimentos. Aplique o seu dinheiro através de fundos de índice e elimine as emoções humanas que afastam a sua carteira dos ganhos.

Ao longo de 2,7 milhões de quilómetros, os carros sem condutor da Google estiveram envolvidos em seis acidentes ligeiros, quando, mostram as estatísticas norte-americanas, já deveriam ter provocado, pelo menos, um ferido. O sistema automático de condução nunca foi o culpado dos acidentes, revelou Chris Urmson, o responsável pelo desenvolvimento das viaturas. “Não é surpresa, especialmente se soubermos que os erros de condução causam 94% dos acidentes”, explica Urmson.

Nas finanças pessoais, os “acidentes” de percurso também são quase sempre culpa de erros humanos. O excesso de confiança pode ser o mais comum, mas a ganância, o medo e o comportamento de manada também são grandes fiadores das catástrofes financeiras ao nível particular.

Os investidores de longo prazo podem, no entanto, minimizar os erros humanos confiando as suas aplicações a um processo automático, tal como nos carros da Google. Definindo um sistema de aforro de longo prazo de baixo custo, é possível recrutar as probabilidades de sucesso para a sua carteira.

“A maioria dos investidores, institucionais e individuais, descobrirão que a melhor maneira de deter ações é através de um fundo de índice que cobre comissões mínimas”, avisou Warren Buffett, atualmente o segundo homem mais rico do mundo, na sua carta aos acionistas da Berkshire Hathaway em 1997. “Aqueles que seguirem este caminho baterão certamente os resultados líquidos (depois de comissões e despesas) obtidos pela maioria dos investidores profissionais”, concluiu o guru da bolsa.

Warren Buffett

Warren Buffett recomenda fundos de índice como o Vanguard S&P 500 que cobra 0,05% dos capitais por ano.

No ano passado, Warren Buffett foi mais longe. “O meu conselho para os gestores da minha herança não poderia ser mais simples: apliquem 10% do dinheiro em títulos de dívida pública de curto prazo e 90% num fundo muito barato sobre o índice S&P 500. (Sugiro um da Vanguard.) Acredito que o resultado de longo prazo desta política será superior ao alcançado pela maioria dos investidores – fundos de pensões, institucionais ou particulares – que empregue gestores de altas comissões.”

Ligar o piloto automático

Já explicámos que há cinco coisas que deve ter antes de começar a investir em fundos de investimento: um pé-de-meia de emergência para garantir que não mexe nas poupanças de longo prazo, tempo para deixar o dinheiro capitalizar, o próprio dinheiro a investir (periodicamente, de preferência), alguns minutos por ano para avaliar os produtos escolhidos e controlo emocional para não falhar a promessa de investimento de longo prazo.

Se quiser ligar o piloto automático das poupanças, falta apenas escolher um fundo de índice. Este tipo de produto tem duas grandes vantagens: a primeira é que reduz o número de minutos por ano que precisa para avaliar os produtos em carteira e a segunda é uma redução substancial dos custos de investimento.

O que distingue os fundos de índice da generalidade dos fundos de investimento é o facto de não ser gerido ativamente. Em vez de ter um gestor profissional a escolher títulos para oferecer exatamente um retorno superior a um índice de referência, o objetivo do fundo de índice é oferecer um retorno equivalente ao índice de referência através da sua replicação, subtraído dos custos de administração. Como a gestão é passiva, os investidores não precisam de pagar salários a gestores de ativos profissionais, apenas a administradores.

Em Portugal, há apenas um fundo de índice: o BBVA PPA Índice PSI 20, que procura replicar o principal índice da bolsa portuguesa. É, no entanto, um mau exemplo para investidores no que toca ao desempenho (é o pior entre os seis fundos de poupança em ações), apesar de ser o mais barato. Os encargos correntes do fundo do BBVA absorveram 0,54% do capital dos subscritores em 2014, enquanto que os restantes PPA “comeram”, em média, 2,1% do património dos investidores.

Menos custos significam mais ganhos

Embora não seja o caso do BBVA PPA Índice PSI 20, os fundos de índice tendem a alcançar rentabilidades acima da média dos fundos da mesma categoria. A explicação é simples: o rendimento alcançado pelos gestores de fundos tendem para o desempenho do índice, mas, ao descontar uma comissão de gestão mais elevada, acabam por render menos no final das contas.

“A indústria dos fundos de investimento tem sido construída, de certo modo, sobre bruxaria”, avisa John Bogle, o “pai” do investimento indexado no livro “Common Sense on Mutual Funds”. Segundo o fundador da sociedade gestora Vanguard, os clientes dos fundos tradicionais pagam comissões elevadas para não conseguirem retornos superiores. Atualmente, a Vanguard é detida pelos próprios fundos que gere, isto é, os clientes investidores são donos da sociedade gestora.

“A indústria dos fundos de investimento tem sido construída, de certo modo, sobre bruxaria.”
John Bogle, fundador da Vanguard, em “Common Sense on Mutual Funds”

O Amundi Index Equity North America AE, um fundo comercializado pelo ActivoBank que replica o índice de ações norte-americanas MSCI North America, ganhou, em termos líquidos, 19,6% em 2014. Os fundos geridos ativamente renderam 15,5% nesse ano. Entre 2010 e 2014, o fundo da Amundi gerou 12,6% por ano, enquanto a concorrência ofereceu retornos médios de 11,0%.

É possível encontrar fundos que renderam mais do que o fundo de índice, mas, embora não seja possível garantir que continuem a render mais do que o índice, pode garantir-se que os fundos de índice ganharão aproximadamente o mesmo que o índice, excluindo os custos correntes de gestão.

Os fundos de índice da Amundi, que também abrangem as ações da zona euro, são os que cobram menos aos investidores e, por isso, os que potencialmente podem oferecer retornos mais próximos aos próprios índices. Porém, a oferta de fundos de índice nos bancos portugueses incluem também regiões mais pequenas, como o Brasil, a Rússia e a Índia.

Replicantes de índice
Estes são os principais fundos de índice comercializados pelos bancos portugueses. O Millennium bcp é o único que prevê a cobrança de uma comissão de subscrição (1% ao balcão ou 0,5% via Internet, com um mínimo de oito euros), embora esteja suspensa até 30 de setembro de 2015.
Fundo Mercado
(índice de referência)
Rentabilidade anual bruta Taxa de encargos correntes Comercialização
1 ano 3 anos 5 anos
Amundi Index Equity North America AE
ISIN: LU0389812347
América do Norte
(MSCI North America)
39,62% 22,22% 17,09% 0,35% ActivoBank
Pictet Latam Index R EUR
ISIN: LU0625741516
América Latina
(MSCI Latam)
3,19% -3,70% n.a. 1,20% Banco Best, Banco Big, Banco Invest
Pictet Brazil Index R EUR
ISIN: LU0625735039
Brasil
(MSCI Brazil)
-3,62% -6,69% n.a.  1,05% Banco Best, Banco Big
Pictet China Index R EUR
ISIN: LU0625738058
China
(MSCI China)
78,17% 19,79% n.a. 1,01% Banco Best, Banco Big
Pictet USA Index R USD
ISIN: LU0130733172
Estados Unidos da América
(S&P 500)
39,90% 23,01% 17,74% 0,74% Banco Best, Banco Big
BNY Mellon S&P 500 Index Tracker A EUR
ISIN: IE0004234476
39,75% 22,08% 17,00%  1,30% Banco Best
BNY Mellon S&P 500 Index Tracker A USD
ISIN: IE0004234583
39,73% 22,03% 16,93% 1,30% ActivoBank, Banco Big
Pictet Europe Index R EUR
ISIN: LU0130731713
Europa
(MSCI Europe)
19,91% 19,47% 13,65% 0,66% Banco Best, Banco Big
Pictet India Index R USD
ISIN: LU0625739023
Índia
(MSCI India)
43,24% 16,09% n.a. 1,06% Banco Best, Banco Big
Pictet Japan Index R EUR
ISIN: LU0474966834
Japão
(MSCI Japan)
46,18% 18,01% n.a. 0,71% Banco Best, Banco Big, Millennium bcp
Pictet Emerging Markets Index R USD
ISIN: LU0188499684
Mercados emergentes
(MSCI Emerging Markets)
28,39% 8,08% 6,07% 1,19% ActivoBank, Banco Best, Banco Big, Millennium bcp
Amundi Index Equity Pacific Ex Japan AE
ISIN: LU0390717543
Pacífico excluindo Japão
(MSCI Pacific ex Japan)
26,55% 14,02% 8,75% 0,35% ActivoBank
Pictet Pacific Ex Japan Index R USD
ISIN: LU0148539108
21,02% 12,77% 10,54% 0,74% Banco Best, Banco Big
Pictet Russia Index R EUR
ISIN: LU0625742837
Rússia
(MSCI Russia)
10,45% -2,61% n.a.  1,04% Banco Best, Banco Big, Banco Invest
Amundi Index Equity Euro AE
ISIN: LU0389811372
Zona euro
(MSCI EMU)
19,31% 21,92% 12,42% 0,35% ActivoBank
Pictet Euroland Index R EUR
ISIN: LU0255981135
17,93% 21,24% 12,06% 0,64% Banco Best, Banco Big
Fonte: Bloomberg, entidades comercializadoras. Rentabilidades em euros a 8 de maio de 2015. n.a. = não aplicável.

As comissões podem ter um impacto crítico no futuro dos investidores. Enquanto os fundos de índice podem ter comissões anuais de gestão tão baixas como 0,35%, os fundos tradicionais podem cobrar mais de 2,90% por ano, como o Pictet Global Megatrend Selection R, disponível no ActivoBank, no Banco Best, no Banco Invest e no Banco Big.

Se acreditar que, no longo prazo, os títulos selecionados pelos gestores profissionais dos fundos tradicionais renderão tanto como os títulos que compõem os fundos de índice, então a diferença ao nível de comissionamento pode significar ter um património 50% superior dentro de 30 anos.

Simulação de acumulação através de fundo de índice vs. fundo tradicional.

Simulação de acumulação através de fundo de índice vs. fundo tradicional.

Mesmo que os gestores dos fundos tradicionais consigam ganhar mais do que o índice de referência, será que o excesso de retorno anual é superior à diferença entre 2,90% e 0,35%? Provavelmente não.

O ActivoBank, o Banco Best, o Banco Big, o Banco Invest e o Millennium bcp são os únicos que distribuem fundos de índice aos investidores nacionais. Há, no entanto, um grupo de fundos de índice que qualquer banco lhe pode oferecer: os fundos de índice que estão cotados na bolsa.

Vá à bolsa comprar índices

Os fundos de índice que podem ser subscritos junto da banca portuguesa são um bom ponto de partida, mas não preenchem todas as necessidades dos investidores portugueses. Não há, por exemplo, fundos de ações mundiais ou fundos de obrigações.

Na bolsa, os investidores nacionais podem satisfazer quase todas as suas necessidades através de fundos cotados, conhecidos normalmente pela sigla ETF, do inglês exchange-traded funds. Note-se, no entanto, que nem todos são fundos de índice puros. Muitos são fundos geridos ativamente por uma equipa de gestão profissional e, por isso, têm comissões de gestão mais elevadas. Outros são fundos que replicam índices, mas de forma alavancada ou inversa: podem replicar duas vezes as variações diárias do índice ou apresentar um movimento oposto ao índice de referência, por exemplo.

Os aforradores que pretendem uma solução automática de longo prazo devem restringir o seu património a simples fundos de índices sobejamente conhecidos nos mercados financeiros, como o norte-americana Standard & Poor’s 500 ou os internacionais MSCI. É neste grupo que é possível encontrar as comissões mais baixas. O Vanguard S&P 500 apresenta uma comissão anual de gestão de apenas 0,05% – e há fundos de índice que ainda cobram menos.

Alargue os horizontes
Estes fundos de índice cotados estão entre os maiores, os mais baratos e os mais populares nas bolsas. A maioria distribui rendimentos periódicos (trimestral ou semestralmente), mas os assinalados com asteriscos reinvestem os dividendos.
Fundo Índice de referência Rentabilidade anual bruta Taxa de encargos correntes Principais bolsas
1 ano 3 anos 5 anos
Ações do mundo
Vanguard Total World Stock FTSE Global All Cap 34,47% 20,00% 14,85% 0,17% Nova Iorque
iShares Core MSCI World* MSCI World Index 33,88% 21,26% 15,28% 0,20% Amesterdão, Frankfurt, Londres
Ações da Europa
iShares Stoxx Europe 600 Stoxx Europe 600 21,00% 20,35% 14,52% 0,20% Frankfurt
iShares Euro Stoxx 50 Euro Stoxx 50 17,41% 21,69% 11,78% 0,16% Frankfurt
Ações da América do Norte
Vanguard Total Stock Market CRSP US Total Market 42,11% 24,34% 19,27% 0,05% Nova Iorque
Vanguard S&P 500 Standard & Poor’s 500 42,09% 24,21% n.a. 0,05% Nova Iorque
Ações do Reino Unido
iShares Core FTSE 100 FTSE 100 20,06% 15,71% 13,72% 0,07% Amesterdão, Londres
Vanguard FTSE 100 FTSE 100 19,93% n.a. n.a. 0,09% Londres
Ações do Japão
Vanguard FTSE Japan FTSE Japan 49,26% n.a. n.a. 0,19% Londres
iShares Core MSCI Japan IMI* MSCI Japan Investable Market 47,89% 19,32% 9,81% 0,20% Amesterdão, Frankfurt, Londres
Ações de mercados emergentes
Vanguard FTSE Emerging Markets FTSE Emerging 33,91% n.a. n.a. 0,25% Londres
Amundi ETF MSCI Emerging Markets* MSCI Emerging Markets 29,36% 9,12% n.a. 0,20% Londres, Paris
Obrigações da zona euro
iShares Core Euro Corporate Bond Barclays Euro Corporate Bond 4,66% 5,82% 5,25% 0,20% Amesterdão, Frankfurt, Londres
iShares Euro Government Bond 3-5yr Barclays Euro Government Bond 5 Year 3,27% 4,47% 4,08% 0,20% Amesterdão, Frankfurt, Londres
Fonte: Bloomberg, entidades gestoras. Rentabilidades em euros a 8 de maio de 2015. n.a. = não aplicável. *Não distribui rendimentos.

Embora os custos correntes dos fundos de índice cotados sejam mais baixos do que os dos fundos de índice disponíveis para subscrição nos bancos (e do que os dos fundos tradicionais), há outras despesas que é preciso contabilizar. Como são negociados na bolsa, é preciso pagar comissões de compra e de venda, de recebimento de dividendos e de guarda de títulos.

Se for investir em fundos de índice cotados, opte pelo intermediário financeiro mais barato. Descobrir o corretor mais barato não é linear: precisa de saber quanto irá aplicar, qual a frequência e o montante. Por exemplo, se apenas quiser investir em ETF nas bolsas de Amesterdão e de Paris, o Banco Carregosa, através da plataforma GoBulling Pro, é o que menos cobra: a comissão de compra e de venda é de cinco euros. Na bolsa de Frankfurt, é o Banco Best que tem a comissão mínima mais baixa (dez euros), enquanto o Santander Totta lidera na negociação na bolsa de Londres através da Internet (15 euros de mínimo). O Banco Invest propõe a comissão mínima mais baixa para a bolsa de Nova Iorque (dez dólares).

É possível baixar ainda mais os custos elegendo um intermediário estrangeiro. A DeGiro, que se estreou em Portugal em outubro para extinguir os “dinossauros” da corretagem portuguesa, cobra dois euros mais 0,02% da operação. Só em transações de mais de 15 mil euros é que o Banco Carregosa fica mais barato nas bolsas de Amesterdão e Paris.

Como, regra geral, as comissões de bolsa têm um valor mínimo, é importante que amealhe um capital substancial antes de efetuar qualquer compra de fundos cotados. Só assim conseguirá minimizar o peso dos encargos. Além disso, se não precisar de receber rendimentos periódicos, deve preferir fundos que não distribuem dividendos, por o seu recebimento representar mais comissões e mais tributação.

Qual o mais barato: fundo cotado ou não?

Imagine que quer replicar o índice MSCI Emerging Markets, que agrega mais de 800 ações de empresas de mais de 20 países em desenvolvimento. Deve escolher um fundo de índice, como o Pictet Emerging Markets Index R USD, ou um fundo cotado, como o Amundi ETF MSCI Emerging Markets? Ambos satisfazem a necessidade (copiam o índice de referência), mas o primeiro tem uma taxa de encargos correntes de 1,19% e o segundo de 0,20%. A resposta da solução mais económica depende do montante a aplicar, da frequência do investimento, do intermediário financeiro e da duração do investimento.

Mesmo que escolha o intermediário mais barato (o Banco Carregosa através da compra na bolsa de Paris), a subscrição do fundo não cotado é mais económica se o montante a aplicar for baixo. Se aplicar mensalmente 222 euros (o mínimo do fundo da Pictet), o Amundi ETF MSCI Emerging Markets só se torna mais vantajoso a partir do quinto ano de investimento, assumindo a rentabilidade histórica das ações. É este período que permite diluir os custos de negociação. Porém, se aplicar 500 euros mensais, o período desce para dois anos e três meses. Com mil euros por mês, o fundo cotado fica mais económico através do Banco Carregosa em menos de dois anos.

Antes de decidir pela sua preferência, analise bem os custos. Como resumo, saiba que os fundos cotados são mais baratos no longo prazo, porque diluem os custos de negociação, mas os fundos de índice não cotados são mais práticos (não precisa de fazer operações de bolsa) e mais flexíveis (há menos custos se quiser trocar de produtos), embora a oferta seja menor.

A fiscalidade é igual nos investimentos em fundos de índice cotados ou não cotados. Conte com uma tributação de 28%.

A fiscalidade não deve ser um fator determinante na sua decisão. Os rendimentos e as mais-valias obtidos com fundos de índice subscritos nos bancos portugueses ou fundos cotados na bolsa são alvo de tributação após o reembolso ou do pagamento de dividendos à taxa de 28% (22,5% para os residentes nos Açores). Os contribuintes podem, no entanto, optar pelo englobamento das mais-valias na declaração anual de IRS.

Investir num índice na prática

Replicar um índice é das soluções de investimento mais simples. Se quiser investir num cabaz de ações de empresas da zona euro, pode ir ao ActivoBank subscrever o Amundi Index Equity Euro AE. No mínimo, tem de aplicar 152 euros, que é o valor aproximado de uma unidade de participação. Com o seu dinheiro, o administrador responsável, Lionel Brafman, que trabalha nos escritórios da Amundi em Paris, compra ações no mercado de modo a replicar o índice MSCI EMU, de títulos da zona euro.

As últimas informações mostram que a carteira do Amundi Index Equity Euro AE tem 237 ações espalhadas pela Europa. A alemã Bayer, as francesas Sanofi e Total, o espanhol Banco Santander e a holandesa Anheuser-Busch Inbev são as maiores participações. Quem subscreve o fundo fica à mercê da flutuação das ações na carteira.

Além de ações do BCP, da EDP, da Galp e da Jerónimo Martins, o fundo Amundi Index Equity Euro AE tinha algumas ações moribundas do BES no início ano.

Ao longo do tempo, a Amundi cobra comissões ao capital do fundo e desconta despesas correntes, que, conjuntamente, valem 0,35% do dinheiro dos investidores por ano. Quando chegar a hora de usar o dinheiro, o subscritor dá uma ordem de resgate. Se a administração foi bem feita, a sua rentabilidade será igual à do índice menos os encargos cobrados ao longo do tempo e menos os impostos cobrados pela autoridade fiscal.

Investir através de um fundo cotado é mais complexo. O iShares Euro Stoxx 50 replica um índice de 50 ações das maiores empresas da zona euro. É aconselhável que defina sempre um preço máximo de compra quando se dá a ordem na bolsa através do intermediário financeiro. Para decidir o preço a que está disposto a comprar deve ler não só os preços no mercado (as últimas cotações e o livro de ordens), mas também o valor indicativo da sociedade gestora. Este valor indicativo é normalmente conhecido por iNAV: é o valor unitário do património do fundo e é divulgado várias vezes ao longo das sessões de bolsa.

Se o seu preço proposto para a compra encontrar um vendedor na bolsa que se satisfaça com o mesmo montante, a operação é efetuada. A partir daí, o investidor é dono de um fundo que tem 50 ações em carteira. Atualmente, a Total, a Bayer, a Sanofi, o Banco Santander e a alemã Daimler são os maiores ativos.

Nenhum dos 50 títulos do iShares Euro Stoxx 50 é português.

A BlackRock, a sociedade gestora responsável pelo iShares Euro Stoxx 50, cobra progressivamente comissões de gestão e outros encargos, o que anualmente representa uma saída de 0,16% do dinheiro aplicado. Trimestralmente, a gestora distribui aos investidores os dividendos que recebeu das empresas nos três meses anteriores. O intermediário financeiro cobra normalmente uma comissão sobre o recebimento dos dividendos e, ao longo do ano, comissões pela guarda do fundo cotado.

Na altura de desinvestir, o aforrador faz a operação inversa, isto é, coloca uma ordem de venda na bolsa. Se encontrar um comprador para essa ordem, a operação é realizada. Se a BlackRock geriu bem o fundo cotado e se o investidor conseguiu fazer as operações de compra e de venda a preços próximos dos valores patrimoniais, a rentabilidade do investidor será igual à do índice, excluindo os encargos correntes do fundo, as comissões de bolsa e os impostos sobre os dividendos e as mais-valias.

Qualquer que seja o seu método preferido de replicação, deixar o seu património flutuar com um índice é desligar as emoções nos investimentos. É mais de meio caminho para o sucesso da sua carteira.

David Almas é analista financeiro independente registado na CMVM com o número oito. O autor trabalha subordinado ao Código Deontológico dos Jornalistas. O autor detém unidades de participação do iShares Core MSCI World.

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