Este artigo é da responsabilidade da Pinto Lopes Viagens

Rui Pinto Lopes conhece Marrocos desde criança. Já lá foi mais de 60 vezes, percorreu o país de lés a lés e acompanhou centenas de viajantes pelo terreno. Para o CEO da Pinto Lopes Viagens, este é um destino que se entranha: tão próximo e, ao mesmo tempo, tão distante; tão diferente quanto seguro; tão intenso quanto acolhedor.

Fascina pela cultura e pelo património, pela forma como o deserto, a montanha e o mar cabem dentro do mesmo país, pelas cidades que se modernizaram sem perder a alma histórica e, sobretudo, pelas pessoas, que recebem de braços abertos quem chega. Nesta entrevista, Rui Pinto Lopes traça o roteiro de um país “fabuloso” — daqueles a que se regressa sempre com vontade de descobrir mais.

Rui Murka

Rui Pinto Lopes

O Rui conhece Marrocos desde criança e já lá voltou dezenas de vezes. Depois de tantas viagens, o que é que ainda o surpreende naquele país?

Marrocos continua a surpreender-me porque é um país inesgotável.

É uma expressão que uso muitas vezes: está tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe. Perto na distância — em pouco mais de uma hora estamos lá —, mas muito distante na cultura, na forma de estar, nos ritmos, na arte, na gastronomia, nas cores, nos sons, até na diversidade do clima e das paisagens.

Mesmo depois de tantas viagens, há sempre qualquer coisa nova: uma luz diferente numa medina, uma conversa inesperada, uma estrada que revela uma paisagem que não tínhamos fixado da mesma maneira, uma refeição, um gesto de hospitalidade. Marrocos tem essa capacidade rara de nos voltar a surpreender mesmo quando achamos que já o conhecemos.

E há outro aspeto que me parece importante sublinhar: é um destino muito seguro e muito acolhedor. Às vezes, por desconhecimento, há quem chegue com algumas ideias pré-concebidas sobre o mundo árabe ou sobre o continente africano. Mas Marrocos desmonta rapidamente esses receios. É um país sereno para viajar, com um povo muito amável, muito disponível, que recebe o visitante com uma simpatia genuína. E isso faz uma diferença enorme na forma como se vive a viagem.

Muitos viajantes falam desse primeiro impacto cultural à chegada. Ainda assim, Marrocos continua a bater recordes de visitantes. Na sua opinião, o que explica esse fascínio?

Acho que Marrocos fascina porque não se esgota numa primeira viagem. Muitos visitantes chegam por aquilo que conhecem melhor: a praia, Marraquexe, talvez uma imagem mais clássica das medinas, dos mercados, das cores e dos cheiros. Mas depois percebem que o país é muito mais vasto e muito mais diverso do que essa primeira ideia.

Gosto muito de olhar para Marrocos a partir de Tânger, talvez porque é uma cidade que conheço desde criança. Ia lá com o meu pai, há 40 anos ou mais, e lembro-me de uma Tânger muito diferente: o porto estava no centro, havia camiões, contentores, movimento a toda a hora. Era uma cidade intensa, algo caótica, mas já com uma identidade fortíssima. Hoje, quem chega a Tânger encontra outra realidade. O porto foi deslocalizado, a cidade abriu-se à baía, surgiram novos hotéis, novas zonas urbanas, e a medina foi alvo de uma recuperação profunda. Para quem, como eu, conheceu a cidade há décadas, é impressionante ver esta transformação. Tânger modernizou-se, mas não se descaracterizou. E isso, para mim, diz muito sobre Marrocos.

A partir dali abre-se quase um leque sobre o país. Para um lado, a costa mediterrânica, ainda pouco explorada pelos portugueses, que muitas vezes a associam apenas a Saídia. Desconhecem Al Hoceima, pequenas enseadas, montanhas que descem até ao mar e lugares de grande autenticidade. Do outro lado, a costa atlântica, com cidades e paisagens completamente diferentes. E, no interior, as cidades imperiais, o Atlas, o deserto, os oásis, as aldeias, os vales.

O fascínio de Marrocos está muito nessa sobreposição de mundos. É um país que se transformou muito nas últimas décadas — na economia, nas cidades e na vida quotidiana —, mas que soube preservar aquilo que o torna único: o património, a hospitalidade, a força das suas tradições, a vida nas ruas, a relação com a história.

Por isso, o chamado choque cultural não afasta necessariamente as pessoas. Muitas vezes é precisamente isso que as prende. Marrocos obriga-nos a sair do nosso ritmo, da nossa lógica, da nossa zona de conforto. E quando esse encontro é bem enquadrado, transforma-se numa descoberta muito rica. Está aqui ao lado, mas continua a dar-nos a sensação rara de estarmos verdadeiramente em viagem.

Marraquexe

Como referiu, Tânger é um exemplo muito evidente dessa transformação. Mas essa modernização sente-se também noutras cidades marroquinas?

Tânger não é caso único. Esse processo de transformação vê-se em várias cidades marroquinas, e Rabat é talvez um dos exemplos mais evidentes.

Durante muitos anos, Rabat era uma capital com uma certa desordem urbana, menos afirmativa do que seria de esperar de uma cidade com esse estatuto. Hoje é uma cidade muito diferente: mais organizada, mais harmoniosa, com melhores acessos, novas ligações viárias, zonas requalificadas e uma relação muito mais cuidada com o seu património. O metro de superfície trouxe outra mobilidade à cidade, o aeroporto foi remodelado, os monumentos foram valorizados e surgiram equipamentos culturais que, há duas décadas, seriam difíceis de imaginar naquele contexto, como um Museu de Arte Moderna. Isso diz muito sobre a ambição do país.

Casablanca é outro caso muito interessante. É a capital económica de Marrocos, uma cidade enorme, intensa, industrial, com uma dinâmica própria e, durante muito tempo, bastante difícil de atravessar e de viver turisticamente. Mas também aí houve uma transformação muito significativa. A marginal foi requalificada, a corniche, a marginal junto ao Atlântico, ganhou nova vida, apareceram unidades hoteleiras, espaços de lazer, melhores acessos, e parte daquela pressão industrial que marcava o centro foi sendo afastada.

O que me impressiona nestes exemplos é que não estamos a falar apenas de obras. Estamos a falar de uma mudança de visão. Marrocos percebeu que podia modernizar-se, organizar as suas cidades, criar melhores condições para quem lá vive e para quem visita, sem abdicar da sua identidade. E talvez seja isso que mais surpreenda: a velocidade com que o país mudou e a forma como essa mudança convive com uma história tão antiga e tão presente.

E nas Cidades Imperiais, essa preocupação em recuperar e valorizar o património também é visível?

Sem dúvida. As Cidades Imperiais são talvez o melhor exemplo dessa capacidade que Marrocos tem demonstrado: preservar a história sem a transformar numa peça de museu, criando melhores condições para que continue viva.

Marraquexe é um caso muito especial. Quem não conhece não sabe o que perde — e quem conhece percebe rapidamente que é uma cidade à qual se regressa. Não se esgota numa primeira visita. Tem uma energia própria, uma teatralidade natural, uma mistura de tradição, património, jardins, palácios, riads, mercados e vida de rua que continua a ser absolutamente fascinante. Nos últimos anos, tem beneficiado de investimentos importantes que melhoraram ainda mais a experiência de visita, sem lhe retirar essa intensidade que a torna única.

Fez é outro mundo. É a mais antiga das capitais imperiais e tem uma das grandes medinas históricas do mundo árabe. Entrar na medina de Fez é quase entrar noutra dimensão do tempo. Mas o que é interessante é que essa antiguidade não ficou parada. O Estado marroquino tem investido muito na recuperação e valorização daquele património, e hoje é possível visitá-la com segurança, calma e profundidade, embrenhando-nos nas suas ruas, nos ofícios tradicionais, nos sons, nos cheiros, no pulsar de uma cidade com séculos de história. Para o mercado português, seria muito importante recuperar uma ligação aérea direta a Fez, porque facilitaria muito o acesso a esta região e permitiria valorizá-la ainda mais.

E depois há Meknès, que fica relativamente perto de Fez e que também tem conhecido uma transformação assinalável. É uma cidade muitas vezes menos mediática, mas de enorme importância histórica. Tem havido investimentos relevantes na recuperação da zona do Palácio Real e dos espaços associados à memória de Moulay Ismail, uma das grandes figuras da história marroquina, contemporâneo de Luís XIV. Meknès merece mais atenção, precisamente porque permite perceber outro lado de Marrocos: menos óbvio, mais discreto, mas muito rico do ponto de vista patrimonial.

No fundo, estas cidades mostram que Marrocos não está apenas a construir futuro. Está também a cuidar do passado — e isso, para um destino turístico, é absolutamente decisivo.

Mesquita de Hassan II, Casablanca

Quando saímos das cidades mais conhecidas, que Marrocos menos óbvio é que vale a pena descobrir?

Há um Marrocos menos evidente, mas absolutamente extraordinário. Junto a Meknès, por exemplo, temos Volúbilis, um conjunto de ruínas romanas classificadas como Património Mundial da UNESCO e que ainda é pouco visitado. É um lugar impressionante, não só pelo valor arqueológico, mas também pela forma como nos recorda que Marrocos sempre foi uma terra de encontros, de passagens e de civilizações sobrepostas.

Depois, a partir de Fez ou de Meknès, podemos atravessar o Médio Atlas e entrar noutro país dentro do país. Ifrane é conhecida como a “Suíça marroquina”: uma cidade de montanha, onde chega a nevar no inverno e onde existe até uma estância de esqui nas proximidades. Para quem imagina Marrocos apenas como deserto e calor, é uma surpresa enorme.

E, ao cruzarmos o Atlas em direção ao sul, o cenário muda novamente. Entramos no Marrocos das portas do deserto, com Erfoud, Ouarzazate e as dunas de Merzouga. Dormir num acampamento no deserto, ver o sol nascer ou desaparecer sobre dunas douradas, algumas com mais de cem metros de altura, é uma experiência difícil de traduzir por palavras. Há ali uma escala, um silêncio e uma luz que ficam connosco.

Mais a sul, há ainda lugares absolutamente marcantes, como as gargantas do Todra ou Aït Benhaddou, também classificada como Património Mundial da UNESCO e conhecida por ter servido de cenário a grandes produções cinematográficas, incluindo “Gladiador”. Depois, atravessamos o Alto Atlas, subimos a altitudes superiores a dois mil metros, com o Toubkal, o ponto mais alto do país, a aproximar-se dos 4.200 metros, e voltamos a descer em direção a Marraquexe.

E Marrocos ainda nos reserva outro capítulo: a costa atlântica. Agadir é a face mais balnear, mas depois há cidades com uma ligação muito forte à história portuguesa, como Essaouira, El Jadida e Safim. Em El Jadida, por exemplo, a cisterna portuguesa é um monumento extraordinário. São vestígios com cerca de 500 anos que continuam bem preservados e que nos fazem olhar para Marrocos também como parte da nossa própria história.

É isso que torna o país tão fascinante: em poucas horas de estrada, passamos de ruínas romanas a cidades imperiais, de florestas e montanhas com neve ao deserto, de aldeias fortificadas a antigas praças portuguesas no Atlântico. Marrocos é feito destas camadas todas — e quanto mais se viaja, mais se percebe que há sempre outro Marrocos por descobrir.

A Pinto Lopes Viagens tem vários circuitos em Marrocos. Como é que se organiza a descoberta de um país tão diverso?

A Pinto Lopes Viagens vai a Marrocos praticamente desde a sua criação, há mais de 50 anos. É um destino que conhecemos muito bem, não apenas do ponto de vista turístico, mas também do terreno, das estradas, dos tempos de viagem, dos hotéis, dos guias, das melhores épocas e da forma como cada região deve ser vivida. Esse conhecimento acumulado permite-nos ter uma programação muito abrangente e, ao mesmo tempo, muito cuidada.

Quando alguém me pergunta o que deve fazer em Marrocos, a primeira coisa que pergunto é: quanto tempo tem? Porque Marrocos não é um destino de uma só resposta. Depende se a pessoa quer uma primeira visão geral, se quer aprofundar o deserto, se quer conhecer as cidades imperiais, se procura o norte ou se quer apenas uma escapada a Marraquexe.

Para quem quer uma visão mais completa do país, o nosso circuito Marrocos Completo é, naturalmente, a proposta mais abrangente. São 12 dias dentro de Marrocos, atravessando o país de norte a sul, passando por Tânger, Rabat, a capital Casablanca, Marraquexe, Essaouira, El Jadida, o Médio Atlas, o Alto Atlas e as dunas de Merzouga. É um circuito que permite perceber a dimensão e a diversidade do país: o Marrocos urbano, o Marrocos atlântico, o Marrocos imperial, o Marrocos das montanhas e o Marrocos do deserto.

Depois temos circuitos mais focados, de cerca de uma semana, que respondem a diferentes formas de viajar. O Circuito dos Mil Kasbahs, por exemplo, leva-nos ao sul e ao universo das antigas fortalezas construídas em adobe (barro, palha e água) seco ao sol. Kasbahs eram estruturas de proteção, muitas vezes associadas a famílias, clãs ou comunidades, e fazem parte de uma paisagem absolutamente fascinante. É uma viagem que nos transporta para um imaginário quase das mil e uma noites, entre vales, montanhas, oásis e portas do deserto.

Há também o Circuito das Cidades Imperiais, provavelmente o mais clássico dos roteiros marroquinos, que passa por Fez, Meknès, Rabat e Marraquexe — cidades que, em diferentes momentos da história, foram centros de poder do Império Marroquino. No nosso caso, acrescentamos também Casablanca e as antigas possessões portuguesas como El Jadida e Essaouira. Faz sentido para nós incluir essa dimensão, porque liga Marrocos à nossa própria memória histórica. Mazagão, a antiga El Jadida, e Mogador, hoje Essaouira, continuam lá, com vestígios muito fortes dessa presença portuguesa.

Temos ainda um circuito de oito dias que combina o essencial das cidades imperiais com uma aproximação ao deserto, para quem procura uma experiência equilibrada entre património, paisagem e viagem de estrada. E temos o Norte de Marrocos, um programa mais curto, de seis dias, que recupera uma forma de viajar que durante muitos anos foi muito comum entre os portugueses. Antes da generalização das ligações aéreas, grande parte das viagens a Marrocos fazia-se por estrada e passava naturalmente por Tânger. Hoje, muitos viajantes já não chegam por essa porta, mas ela continua a ser extraordinária.

Nesse circuito vamos a Tânger, hoje profundamente modernizada, a Tetuão, classificada como Património Mundial da UNESCO, a Chefchaouen, a chamada “Cidade Azul”, e também a Ceuta. Apesar de ser território espanhol, Ceuta está intimamente ligada à história portuguesa, desde 1415, e permite visitar lugares como a Igreja de Nossa Senhora de África, junto à Catedral. É uma viagem curta, mas muito rica em história,

Para quem prefere uma escapada mais concentrada, temos ainda programas dedicados apenas a Marraquexe, normalmente de quatro dias, e todos os anos mantemos também propostas para o fim de ano em Marrocos. No fundo, a nossa programação tenta responder a diferentes níveis de curiosidade: de quem vai pela primeira vez e quer uma grande panorâmica, a quem já conhece Marrocos e quer descobrir outro lado do país.

Chouara Tannery, Fez

Certamente já construiu muitos circuitos. Como é que se monta um circuito num país tão diverso e tão rico culturalmente?

Pois, é uma excelente pergunta. E não há uma resposta direta. Como o país é tão diverso, nós não temos um circuito para Marrocos. Temos vários para abranger tudo aquilo que o país tem e não se consegue num só circuito ter tudo. Conseguimos ter praticamente tudo no Marrocos Completo.

Marrocos é daqueles destinos a que se regressa?

Sim, claramente. Marrocos é, como dizia, um destino tão próximo e tão diferente que dificilmente se conhece — ou se sente — de uma só vez. Há sempre uma região que ficou por descobrir, uma cidade a que queremos voltar, uma paisagem que nos ficou na memória, uma experiência que gostaríamos de repetir.

É muito comum que os viajantes regressem com essa sensação de “tenho de voltar”. Marrocos entranha-se no nosso imaginário de viagem. Pela diversidade, pela hospitalidade, pela intensidade cultural, pela beleza das paisagens, mas também porque continua a oferecer uma relação qualidade-preço muito interessante.

Ouarzazate e cordilheira Alto Atlas

De que forma é que viajar em grupo, em circuitos organizados e com guias permanentes, pode enriquecer a experiência de quem visita Marrocos?

Viajar em grupo não retira autenticidade à experiência — pelo contrário, muitas vezes permite vivê-la melhor. Garante um aproveitamento do tempo muito mais eficaz e dá ao viajante a segurança de ter sempre alguém presente: um guia que acompanha, orienta, resolve situações menos fáceis, gere ligações, horários, visitas e imprevistos.

Dou-lhe o exemplo da medina de Fez. Quando é bem visitada, a experiência é completamente diferente. Começamos na parte mais alta, descemos progressivamente pela medina, entramos na madraça, percebemos o comércio local, os ofícios tradicionais — muitos deles já desaparecidos em Portugal —, os ritmos, os sons, a forma como vive. Não se trata apenas de passar por lá; trata-se de compreender o que se está a ver.

E depois há a gastronomia, os contactos, a leitura histórica e cultural, a sensação de segurança e de enquadramento. Tudo isto permite uma vivência mais profunda do destino.

É isso que a Pinto Lopes Viagens procura proporcionar nas suas viagens de grupo: não apenas levar as pessoas aos lugares, mas dar-lhes contexto para os compreender e viver melhor.

Que lugares ou momentos em Marrocos costumam deixar uma marca mais forte nos viajantes?

No sul, sem dúvida, o nascer ou o pôr do sol no deserto. É daqueles momentos que ficam gravados. A luz sobre as dunas, o silêncio, a escala da paisagem — tudo ali é muito diferente daquilo a que estamos habituados.

Também as Gargantas do Todra são muito marcantes. De repente, chegamos a uma parede imensa, com centenas de metros de altura, rasgada por uma passagem estreita que a água foi abrindo ao longo do tempo. A imponência daquele lugar surge quase do nada, e isso surpreende muito quem chega.

Aït Benhaddou é outro exemplo. Ali temos a sensação de recuar séculos, de entrar numa paisagem que parece suspensa no tempo. É um lugar com uma força visual enorme, muito cinematográfico, mas também profundamente ligado à história e à arquitetura tradicional daquela região.

Nas cidades imperiais, Fez marca sempre muito. Estamos em pleno século XXI e, no entanto, encontramos uma medina viva, intensa, por onde passam diariamente milhares de pessoas, onde continuam a existir ofícios, comércio, ritmos e formas de vida que parecem resistir ao tempo. É uma experiência muito forte.

E depois há Marraquexe, naturalmente. Marraquexe concentra muitos dos contrastes de Marrocos: a modernidade e a tradição, a influência francesa e a medina árabe, a sofisticação e a vida popular, o património e a rua. Talvez por isso seja uma cidade que fica tanto na memória. No fundo, são regiões e experiências muito diferentes, mas todas revelam esse país que sabe acolher e que parece estar sempre de braços abertos à espera de quem chega.

Chefchaouen (“Cidade Azul”)

Há lugares em Marrocos que ainda escapam aos roteiros mais evidentes e que considera verdadeiras joias do país?

Eu destacaria dois pontos muito diferentes: Chefchaouen, a chamada “Cidade Azul”, no norte, e Essaouira, a antiga Mogador, na costa atlântica.

Chefchaouen é uma cidade muito especial, pela sua localização, pela cor, pela escala humana e pela forma como parece surgir entre as montanhas. É um lugar que tem uma identidade muito própria e que marca muito quem o visita.

Essaouira, por outro lado, é outro Marrocos. Tem o Atlântico, a antiga Mogador, a memória histórica, a fortaleza, a medina, o vento, a luz. É uma cidade de uma beleza muito particular e que muitos viajantes ainda não incluem numa primeira visita ao país.

São dois lugares distintos — um no norte, outro na costa atlântica — que, só por si, justificam uma viagem a Marrocos.

Qual é hoje o perfil do viajante que procura Marrocos?

Marrocos é um destino muito transversal. Pela proximidade, pela diversidade e também por continuar a ter uma relação qualidade-preço interessante, consegue atrair públicos muito diferentes, de várias idades e com motivações distintas.

Há quem procure Marraquexe numa escapada mais curta, há quem vá pela praia, há quem procure aventura, caminhadas, BTT ou até percursos de mota, muito ligados ao imaginário do antigo Paris-Dakar. Nesse sentido, é um país que tem oferta para muitos tipos de viajante.

No caso da Pinto Lopes Viagens, o perfil é sobretudo o de quem procura cultura, património e experiência. Os nossos clientes não vão a Marrocos pela praia; vão pela arte, pela história, pela gastronomia, pelas cidades imperiais, pelo deserto, pelas paisagens e pela vontade de compreender melhor o país.

É, por isso, um destino que assenta muito bem no nosso tipo de viagem. Permite uma vivência cultural muito rica, mas sem ser um destino distante ou difícil. Costumo dizer que Marrocos funciona dos 8 aos 80 — ou até dos zero aos cem — porque tem essa capacidade rara de oferecer experiências muito diferentes a pessoas com interesses também muito diferentes.

Tuaregue com turbante azul

Depois de tantas viagens e de tantos grupos que acompanhou, o que é que ainda o emociona em Marrocos?

As pessoas. Marrocos tem um povo extraordinário, afável e acolhedor, que recebe de braços abertos quem o visita. Costumo dizer que a maior riqueza de um país são as suas gentes, e Marrocos, nesse aspeto, nunca desilude.

Podemos falar das paisagens, das cidades, do património, da gastronomia, do deserto ou das montanhas, mas aquilo que fica muitas vezes no coração é essa forma calorosa de receber. Para mim, o povo marroquino é a alma do país — e é isso que continua a emocionar-me.

Para além dos monumentos e das paisagens, há uma dimensão mais sensorial de Marrocos que também marca quem visita o país?

Sim, muito. Marrocos também se descobre nesses detalhes: no chamamento à oração que marca o ritmo do dia, no aroma de um tagine acabado de chegar à mesa, no cordeiro cozinhado lentamente, no chá de menta servido como gesto de hospitalidade, nas lojas de especiarias, nas antigas farmácias tradicionais, onde se encontram ervas, óleos e produtos que fazem parte da cultura local há séculos.

E depois há imagens que ficam, sobretudo em Marraquexe: a praça Jemaa el-Fna ao fim do dia, os vendedores de sumo de laranja, a comida de rua, os aguadeiros com os seus trajes coloridos, os encantadores de serpentes, o som dos mercados, a luz sobre as muralhas. Mais a sul, há ainda as cabras que sobem às argânias, uma daquelas imagens improváveis que surpreendem quem viaja pelo país.

São coisas simples, mas muito marcantes. Porque uma viagem não se faz apenas dos grandes monumentos. Faz-se também destes encontros, destes cheiros, destes sabores e destas pequenas surpresas que nos dizem muito sobre a vida de um país.

Mercado em Marraquexe

Então, numa palavra, Marrocos é…

Fabuloso.

Consulte em detalhe os circuitos em Marrocos da Pinto Lopes Viagens neste link: https://www.pintolopesviagens.com/viagens-a-marrocos/