A discussão sobre o risco de transmissão da Covid-19 nos transportes públicos não é nova. Já opôs o ministro das Infraestruturas e a ministra da Saúde, com Pedro Nuno Santos a dizer que era impossível cumprir as restrições na lotação dos transportes e Marta Temido a responder que eram espaços fechados, pouco arejados, com muitas pessoas e, como tal, se deveria optar pela prudência.

Com a publicação de um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), o ministro Pedro Nuno Santos não perdeu a oportunidade de, no Twitter, dizer, de novo, que não há ligação entre as infeções de Covid-19 e a utilização dos comboios. Mas será isso mesmo que o estudo conclui?

Conhecer o risco de transmissão dentro do comboio e outros transportes públicos é uma pergunta essencial para a Saúde Pública, mas este trabalho de investigação não permite dar resposta a isso, disse ao Observador Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública. Mas também não era esse o objetivo do estudo, e não chega a conclusões sobre isso, como explicou um dos autores, Milton Severo, ao Observador. “Não estamos a dizer, nunca, que o risco é zero [nos comboios]”, esclarece o investigador. “Estamos a dizer que há outros fatores, como os fatores socioeconómicos, que estarão mais associados com o risco de infeção.”

Mas o melhor é ir por partes, já que houve interpretações erradas do dito estudo.

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