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Nasceu em Angola, queria ser agricultora, mas acabou por ser tornar o rosto do combate aos vírus e aos surtos e uma das maiores defensoras da vacinação em Portugal. A propósito dos 120 anos da Direção-Geral da Saúde (DGS), comemorados este mês, Graça Freitas foi a convidada do programa Sob Escuta, a grande entrevista da Rádio Observador. Pela primeira vez, a médica falou sobre a forma como viu a decisão da Assembleia da República, que, no ano passado, determinou a inclusão de três vacinas — meningite B, vírus do papiloma humano (HPV) para rapazes e rotavírus — no plano nacional, sem consultar a DGS. A diretora-geral diz que os deputados “deviam ter confiado mais” no trabalho dos especialistas.

Sobre essas mesmas vacinas, Graça Freitas revelou que a decisão — de incluir ou não no PNV — já está tomada e que falta apenas a publicação em Diário da República — que está “por dias” —, mas não quis revelar qual foi a recomendação dada à tutela.

A propósito de vacinação, mantém a certeza de que não é uma lei, que a torne obrigatória, que vai contrariar os movimentos anti-vacinas. A médica diz que falta memória à geração atual de pais — que não conviveram, como a geração anterior — com as consequências de doenças graves, como a poliomielite, que as vacinas permitiram controlar ou mesmo erradicar. E lembra que as crianças estão particularmente protegidas em Portugal, onde a população, de uma forma geral, está vacinada, mas perdem esse escudo assim que saem do país.

Ainda por decidir estão eventuais medidas relativas aos novos tipos de cigarros — do tabaco aquecido ao cigarros eletrónicos. A diretora-geral diz que é preciso ter, primeiro, sustentação científica, antes de avançar com qualquer proibição ou limitação. O problema é que é “uma realidade nova” e, por isso, a DGS admite “contratar engenheiros químicos” em regime de prestação de serviços para ajudar a estudar os efeitos dos derivados de tabaco na saúde.

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