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Bruno Barata

Bruno Barata

O lado B do Algarve

Entre falésias e aldeias que permanecem às margens do tempo, um itinerário pelas paisagens dramáticas da Costa Vicentina que termina à mesa do chef José Lopes no restaurante Bon Bon, já no Carvoeiro.

Há memórias que têm cheiro a maresia. No Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, o arranque é feito em Aljezur, vila de pouco mais de cinco mil habitantes, guardada pelas ruínas de um castelo mourisco erguido no século X. Foi o último castelo islâmico a ser conquistado no Algarve, em 1249. Do alto das suas torres (curiosamente, uma circular e outra quadrada) avistam-se o vale e as águas que serpenteiam até ao mar.

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Poucos minutos bastam para chegar a algumas das mais belas praias do Parque. Encaixada entre arribas de xisto e um mar de dunas, Monte Clérigo exibe um casario branco que escala a encosta e revela uma vista espetacular do alto da Estrada Municipal 1003-1. Mais adiante, a Arrifana impõe-se com as suas falésias negras que mergulham no mar e a icónica Pedra da Agulha no horizonte. Paraíso dos surfistas, o seu areal com mais de meio quilómetro de extensão é o cenário ideal para uma refeição com os olhos no mar. No Bar da Praia, o menu torna difícil a escolha: salada de burrata e tomate ou croquetes de carne? Tártaro de atum ou sandes de cogumelos em focaccia? Sumo natural ou kombucha? Um pouco de tudo e a energia renova-se para o dia.

De volta à estrada, o DS Nº7 Híbrido Plug-In percorre com suavidade os 28 quilómetros até à Carrapateira. O trajeto é uma sucessão de colinas, curvas e horizontes abertos, onde o silêncio do modo elétrico se mistura ao som do vento e dos pássaros. Depois de atravessar a pequena vila, com menos de 200 habitantes, seguimos para o Pontal da Carrapateira, um promontório que avança sobre o mar e forma um miradouro natural entre as praias da Bordeira e do Amado. Ao longo de cinco quilómetros, a paisagem revela enseadas, arribas e trilhos entre a vegetação autóctone. As ondas a bater nas rochas compõem um espetáculo sempre celebrado pelas gaivotas.

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O ritmo do Atlântico

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As estradas que percorrem as paisagens dramáticas da Costa Vicentina fazem-se num DS Nº7 Híbrido Plug-In com suavidade e precisão. Entre o silêncio do modo elétrico e a potência do motor de combustão, encontra-se o equilíbrio certo para uma condução tranquila, em que o mar dita o tempo e a paisagem se renova a cada curva.

A condução híbrida é perfeita neste território de estradas secundárias, onde a distância entre serviços e o contacto com a natureza pedem autonomia e confiança. No interior do carro, o conforto é silencioso e a tecnologia intuitiva.

Entre o Atlântico e o asfalto, este SUV topo de gama traduz o espírito do roteiro: potência e serenidade, tecnologia e contemplação. Um automóvel pensado para percursos que convidam a demorar o olhar.

A viagem prossegue: mais 20 minutos até à Praia da Cordoama, um dos segredos mais bem guardados do litoral sul. Envolta numa névoa quase constante e protegida por falésias de mais de cem metros, é um local de culto para surfistas e praticantes de parapente. No topo, o Miradouro do Castelejo oferece uma das vistas mais imponentes de toda a Costa Vicentina, com escarpas, rochas e o oceano a perder de vista.

O destino seguinte é Burgau, 20 quilómetros adiante. A última povoação da Costa Vicentina e uma das mais pitorescas do Algarve. O casario branco estende-se até ao mar, onde ainda se veem os barcos de pesca. A praia, pequena e abrigada, é perfeita para o último mergulho do dia antes de mudar a rota rumo ao interior.

Bruno Barata

A esta altura, o chef José Lopes já nos espera no Bon Bon, mas ainda há tempo para um pequeno desvio até Porches para conhecer um segredo bem guardado. Fundada em 1968 pelo artista irlandês Patrick Swift e pelo pintor português Lima de Freitas, a Porches Pottery é um ateliê de cerâmica onde as peças são pintadas manualmente e à vista dos clientes. Juliete e Estella Swift comandam hoje o negócio iniciado há mais de meio século pelo pai, mantendo a mesma técnica: pintura livre, sem moldes. “Já diziam os fundadores: as peças têm de ter o toque humano”, recorda Juliete, capaz de reconhecer a autora de cada peça pelos traços. Ao lado da loja, a sobrinha Carol gere um café acolhedor, onde a montra está sempre recheada de scones e bolos caseiros.

Chega enfim a hora de nos entregarmos aos sabores do mar. Em menos de 10 minutos alcançamos o Carvoeiro, onde a viagem encontra o seu ponto final. Desde 2015 distinguido com uma estrela Michelin, o Bon Bon combina a sofisticação do fine dining com a autenticidade do sul. A sala, rodeada de janelas amplas, deixa entrar a luz dourada do final de tarde.

A carta apresenta uma leitura pessoal do chef José Lopes da gastronomia portuguesa e algarvia. Entre os pratos mais emblemáticos estão o salmonete grelhado no carvão, servido com xerém de algas e coentros, e a caldeirada de choco, reinterpretada com técnica e sutileza. “A inspiração pode vir de um produto, de um receituário ou até de uma imagem que não tem nada a ver com a comida”, explica o chef. “Mas o ponto de partida é sempre o mesmo: o produto e o respeito pelo território.”

Desde 2021 ao leme do restaurante Bon Bon, o chef José Lopes faz da ligação ao território o ponto de partida para uma gastronomia contemporânea, onde o produto e a memória se encontram. “O mar acaba por ser uma influência muito grande. Para além de ser uma tradição algarvia, está ligado à minha infância, às memórias de família e aos tempos passados no Algarve”, conta. “Com o tempo, tornou-se uma vontade de transmitir isso através da comida.”

O jantar resume o dia na perfeição: mar, território e memória em harmonia. É também o mar que orienta este roteiro pelo lado B do Algarve, a bordo do DS Nº7 Híbrido Plug-In, entre praias selvagens, falésias e estradas sinuosas onde o Atlântico dita o ritmo.

Consulte o guia Entre Estradas e Estrelas para uma viagem completa.

Retratos: Bruno Barata/Nuvem Conteúdo
Pratos: Bárbara Tomaz

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