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Uma equipa de investigadores esteve no local da explosão a recolher provas (Fotografia: Comité de Investigação da Federação Russa)
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Uma equipa de investigadores esteve no local da explosão a recolher provas (Fotografia: Comité de Investigação da Federação Russa)

Comité de Investigação da Federação Russa

Uma equipa de investigadores esteve no local da explosão a recolher provas (Fotografia: Comité de Investigação da Federação Russa)

Comité de Investigação da Federação Russa

O que se sabe e o que falta saber da morte de Daria Dugina, filha do "cérebro de Putin"

Alvo do ataque seria o pai, que esteve no local onde carro explodiu momentos depois. Rússia acusa Ucrânia de ser responsável e já abriu uma investigação. Mas qual a motivação do autor da explosão?

A morte de Daria Dugina marcou o 179.º dia da guerra na Ucrânia. Na manhã deste domingo, a agência russa TASS divulgou que uma explosão de um carro, na região de Moscovo, tinha causado a morte da filha do filósofo russo Alexander Dugin, considerado o ideólogo de Vladimir Putin. Ao que tudo indica, o ataque visava não a filha, mas o pai, um defensor da restauração do poder russo e da invasão das tropas russas na Ucrânia.

O que marca também o 179.º dia de guerra são as acusações entre a Rússia e a Ucrânia sobre quem terá sido o autor do ataque. Os russos acusaram os “terroristas do regime ucraniano” de terem “tentado matar Alexander Dugin”. Já a Ucrânia garantiu que “nada tem a ver com isto”, porque não é “um Estado terrorista”, nem um “estado criminoso como a Federação Russa”.

Na manhã após a explosão, uma equipa de investigadores da filial de Moscovo do Comité de Investigação da Rússia esteve no local onde explodiu o carro para procurar provas que ajudem a perceber exatamente o que aconteceu. Já é conhecida alguma informação, mas ainda restam dúvidas sobre esta explosão: o que a causou, quem é o seu autor e qual a sua motivação?

O que se sabe sobre a explosão

Explosão aconteceu na noite de sábado. Daria Dugina, de 29 anos, jornalista e comentadora política, morreu cerca das 21h30 deste sábado, quando o carro que conduzia no regresso a casa, explodiu. A explosão aconteceu perto da aldeia de Bolshiye Vyazemy, a aproximadamente 20 quilómetros da capital russa de Moscovo.

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Vítima vinha de um festival cultural. Pai e filha tinham sido convidados de honra do festival “Traditsiya” (“Tradição”, em português), realizado perto de Moscovo, onde Dugin deu uma palestra. Os dois deveriam regressar do evento no mesmo carro, mas Dugin acabou por seguir em outra viatura. Cinco minutos depois, o carro explodiu.

Alvo do ataque seria o pai. O ataque de que Daria Dugina foi alvo visaria o seu pai, o filósofo russo Alexander Dugin, considerado o ideólogo de Vladimir Putin.

Pai esteve no local da explosão. Nas redes sociais, começaram a circular vários vídeos e fotografias que mostram os momentos após a explosão que matou Daria Dugina. Exemplo disso, é um vídeo partilhado no Twitter pela EuroMaidan News onde é possível ver um homem, que aparenta ser Alexander Dugin, com as mãos na cabeça. Um amigo da família confirmou à agência TASS que o pai seguiu um caminho diferente da filha, mas depois voltou ao local do acidente.

Autoridades russas abriram investigação. Uma equipa de investigadores da filial de Moscovo do Comité de Investigação da Rússia esteve, na manhã desta domingo, a trabalhar no local onde explodiu o carro de Daria Dugina, relata a Associated Press.

Os investigadores acreditam que o atentado foi "premeditado e de natureza contratual" (Fotografia: Comité de Investigação da Federação Russa)

Comité de Investigação da Federação Russa

Ataque foi premeditado e de natureza contratual. Alexander Bastrykin, chefe do Comité de Investigação da Rússia, adiantou que os investigadores acreditam que o atentado foi “premeditado e de natureza contratual”, ou seja, que alguém o planeou e encomendou, escreve o The Guardian.

Serviço de Segurança Federal diz ter identificado a responsável. Num comunicado, citado pela agência de notícias russa RIA Novosti, os serviços de segurança dizem: “Foi estabelecido que o crime foi preparado e cometido pelos serviços especiais ucranianos. O autor do crime é uma cidadã da Ucrânia Natalya Pavlovna Vovk, nascida em 1979”.

O que falta saber

De quem era o carro. O veículo que explodiu era um Toyota Land Cruises. As informações iniciais, vindas de um amigo da família e líder do movimento Horizonte Russo, Andrei Krasnov, à agência russa TASS, davam conta de que o carro era de Alexander Dugin — sustentando a tese de que o alvo do ataque era o pai e não a filha. No entanto, a agência de notícias russa independente Agentstvo divulgou bases de dados do governo que mostram que o carro estava registado no nome de Darya Dugina, escreve o The Guardian.

O que causou a explosão. A filial de Moscovo do Comité de Investigação da Rússia que esteve a trabalhar no local onde explodiu o carro de Daria Dugina, avançou que as informações preliminares indicam que a explosão terá sido causada por uma bomba colocada no carro. No entanto, tratam-se ainda de informações preliminares, pelo que não existe uma certeza absoluta sobre a origem da explosão — que só será possível apurar finda a investigação que está em curso.

O autor da explosão. Mantém-se as dúvidas, enquanto Ucrânia e Rússia trocam acusações: o líder separatista de Donetsk, no leste da Ucrânia, Denis Pushilin, acusou os “terroristas do regime ucraniano” de terem assassinado Daria Dugina, “numa tentativa de eliminar Alexander Dugin”. No entanto, a Ucrânia negou qualquer envolvimento na explosão: o conselheiro presidencial ucraniano Mikhail Podoliak garantiu que o país “nada tem a ver com isto” porque não é “um Estado terrorista”, nem um “Estado criminoso como a Federação Russa”.

Após as declarações vindas de Kiev, Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, disse que se a Ucrânia estiver envolvida na morte de Daria Dugina “deve-se falar sobre a polícia de terrorismo de Estado implementada pelo regime de Kiev”.

Entre as acusações trocadas por Moscovo e Kiev sobre quem foi o autor da explosão há ainda espaço para a versão de Ilya Ponomarev. O antigo parlamentar da Duma russa, que foi expulso por atividades “anti-Kremlin”, alegou que guerrilheiros russos são os responsáveis por colocarem a bomba no carro onde seguida a filha do filósofo que é considerado o ideólogo de Vladimir Putin.

Segundo Ponomarev, o Exército Nacional Republicano (National Republican Army, em inglês), uma organização clandestina que opera na Rússia com o objetivo de derrubar o regime de Putin, terá entrado em contacto para que lesse um comunicado em direto no canal de televisão ucraniano em russo “Manhã de Fevereiro”: “Nós, ativistas russos, militares e políticos, agora partidários e combatentes do ‘Exército Nacional Republicano’, banimos os belicistas, ladrões e opressores dos povos da Rússia!”.

Putin será deposto e destruído por nós! O nosso objetivo é acabar com a destruição da Rússia e dos seus vizinhos, parar a atividade do bando de empresários do Kremlin que sugaram a riqueza do nosso povo e cometem hoje crimes dentro e fora do país”, de acordo com o comunicado lido por Ilya Ponomarev.

A motivação do ataque. Tudo indica que o alvo da explosão era o pai de Daria Dugina, defensor da restauração do poder russo e da invasão das tropas russas na Ucrânia. Ainda assim, não se conhecem as razões do ataque, nem se estão relacionadas com a guerra. Certo é que se esta explosão tiver sido uma arma da Ucrânia, seria a primeira vez desde fevereiro que o conflito atingiria a capital russa.

Atualizado às 13h30, de 22 de agosto, com a alegada identificação da autora do crime e como as alegadas declarações do Exército Nacional Republicano.

 
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