1230,4kWh poupados 1230,4 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

As votações desta segunda-feira decorreram na sala do Senado no Parlamento porque o Plenário estava a ser preparado para as cerimónias do 25 de novembro.
i

▲As votações desta segunda-feira decorreram na sala do Senado no Parlamento porque o Plenário estava a ser preparado para as cerimónias do 25 de novembro.

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

▲As votações desta segunda-feira decorreram na sala do Senado no Parlamento porque o Plenário estava a ser preparado para as cerimónias do 25 de novembro.

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

PS e Chega travam propinas, cortam IVA de obras de arte e atualizam Endovélico no dia 3 de votações para OE que põe mais PPP na saúde

O dia parecia que ia acabar com poucas surpresas, até que o Chega, nos últimos momentos do dia, reverteu o sentido de voto e levou ao congelamento das propinas do ensino superior, associando-se ao PS.

    Índice

    Índice

O Governo pode ter cantado vitória (em quase tudo) nos dois primeiros dias de votação na especialidade do Orçamento do Estado, mas neste terceiro dia viu chumbada a pretensão de as propinas do ensino superior serem atualizadas à inflação. Mas mais do que isso, viu mesmo a proposta socialista de congelar o valor das propinas para o ano letivo 2026/2027 aprovada.

Fernando Alexandre, ministro da Educação, tinha avançado com a intenção de atualizar as propinas à inflação, mas não tinha posto a proposta no Orçamento do Estado. Ela acabou por entrar pela mão do PSD/CDS que, além de sugerirem essa atualização à inflação, ainda queria limitar as propinas dos mestrados que sejam obrigatórios para acesso às profissões. A proposta foi chumbada em toda a linha. E até o Chega rever o voto o Parlamento tinha chumbado quer a atualização à inflação, quer o congelamento. Já que a proposta do PS que pretendia o congelamento das propinas do ensino superior foi, numa primeira votação, também chumbada.

Chega muda sentido de voto e congela propinas do ensino superior a pedido do PS

Mas no prolongamento da sessão de votações (quando os partidos retificam votos feitos durante a tarde) o Chega juntou-se ao PS e congelou as propinas para 2026/27. Ao cair do pano, desta segunda-feira, o PS cantou vitória e o Governo, e os partidos associados, acabou derrotado. Deverá ser tema de avocação para quarta-feira.

Também do PS passou a imposição de atualizar os subsídios (por turma e por curso) aos cursos profissionais das escolas profissionais privadas. Os partidos que apoiam o Governo votaram contra, depois de em plenário o secretário de Estado da Educação, Alexandre Homem de Cristo, ter anunciado que este ensino terá “cara nova” a partir de setembro do próximo ano.

Se a maioria das propostas do ensino superior ficaram pelo caminho, o PSD e o CDS conseguiram fazer aprovar — por unanimidade — a medida para que reconhecimento de créditos em mobilidade interna seja automático.

Ainda para os estudantes, o Parlamento aprovou esta segunda-feira a proposta socialista para que quem esteja deslocado continue a ter acesso a cuidados de saúde primários na área onde frequenta o ensino superior, sem ter de se voltar a inscrever. E, sob proposta do Livre, fica a determinação para que o Governo destine uma verba específica “para implementar as respostas de apoio psicológico para vítimas de assédio e violência sexual nas instituições do ensino superior” e que estabeleça um “mecanismo de recolha e divulgação de dados qualitativos e quantitativos sobre o assédio e violência sexual no ensino superior”.

O ensino superior foi um dos temas da sessão desta segunda-feira na qual foi aprovado um total de 67 propostas de alteração. O PCP foi o grande vencedor deste terceiro dia. Viu aprovadas 15 propostas suas, mais do que as 11 do PSD/CDS e as 10 do Livre. O PAN obteve nove votações favoráveis. E o PS e o Chega ficaram, cada, com oito alterações gravadas no Orçamento. O Bloco teve três vitórias e a IL apenas uma.

Mas o dia não acabou sem que o JPP fizesse a sua história — pela primeira vez no Parlamento nacional viu serem votadas favoravelmente duas propostas (ambas parcias) de alteração ao documento das contas públicas. Foi à revelia do PDS e CDS que o JPP garantiu a aprovação parlamentar para que em 2026 haja uma verba para um projeto-piloto para instalação de bodycams na PSP e GNR e videovigilância na PSP, GNR e PJ. Ainda do JPP ficou inscrita a proposta para que o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça realize, “no prazo de 120 dias, um levantamento técnico do parque imobiliário judicial na Região Autónoma da Madeira” e avalie “a segurança estrutural e contra incêndios, acessibilidade, eficiência energética e AVAC, estanquidade e condições funcionais”. E foi pouco o que ficou desta sessão de forças de segurança e muito menos de bombeiros que viram praticamente rejeitadas quase todas as propostas que lhe diziam respeito.

PS e Chega juntam-se para que galerias de arte passem a ter IVA reduzido nas transações de obras de arte

Pela mão do Chega e do PS, que tinham propostas idênticas e que foram ambas aprovadas, o IVA das importações e transmissão de obras de arte feita por galerias de arte baixa de 23% para 6%.

O Chega inicialmente ainda queria abranger os leiloeiros e as transmissões de objetos de coleção e antiguidades sujeitas ao regime dos bens em segunda mão, mas acabou por retirar da sua proposta final essa pretensão. E assim ficaram apenas os galeristas abrangidos. O PS assumia, na proposta de alteração, que a sua proposta “é totalmente compatível com a Diretiva IVA e permite alinhar o enquadramento português com o praticado nos principais mercados de arte europeus”, dizendo mesmo que merecia até “a concordância da atual ministra com a tutela da Cultura, que declarou recentemente que ‘faz naturalmente sentido’ reduzir a taxa de IVA de transações de obras de arte de 23% para 6%”.

IVA da caça e de arte, antigos combatentes, portagens e pensionistas emigrantes. Que propostas conseguirão PSD, Chega e PS colocar no OE

O IVA regressou esta segunda-feira às votações, porque estas propostas tinham ficado adiadas. Já se antecipava que pudesse, também neste caso, haver uma coligação negativa, como acabou por acontecer. Num Orçamento do Estado que o Governo quis expurgado de medidas laterais fica, para a história, a aprovação, sob proposta do PCP, de vincular o Estado a atualizar e modernizar a base de dados digital de gestão e inventariação do património cultural — o Endovélico (o nome do sistema de Informação e Gestão Arqueológica foi inspirado numa divindade pré-romana da antiga Lusitânia), cuja disponibilização online remonta a 1998.

Vias com perfil de autoestrada sem portagens, expansão do Metro do Porto e projetos já aprovados, mas sempre adiados

O dia foi fértil em aprovações na área das infraestruturas e acessibilidades, com o PCP a conseguir o maior número de aprovações. Quase sempre contra votos negativos dos partidos que apoiam o Governo.

Num Orçamento onde a isenção de portagens volta a marcar — e ainda terá um espaço relevante na próxima quarta-feira –, os comunistas asseguraram para 2026 que o lançamento de concurso e contratação de algumas vias rodoviárias sem a presença de portagens, ainda que as mesmas venham a ter perfil de autoestradas. É o caso da duplicação do IP 3, que vai ligar Coimbra a Santa Comba Dão cujo processo vai avançar em 2026. Também o IC31 que vai ligar a A23 (Castelo Branco) às termas de Monfortinho (Idanha-a-Nova) deve ter perfil de autoestrada, mas sem portagens.

O Governo já tinha decidido avançar com estas duas estradas que estão inseridas num pacote de 30 obras rodoviárias que a Infraestruturas de Portugal tem de estudar e lançar. Mas em alguns casos, como é a duplicação do IP3, estava ainda em estudo o modelo de contratação do investimento que poderia passar por uma parceria público privada (PPP) com ou sem portagens.

Ainda não existe um valor fechado para o custo total destes investimentos que se encontram em fase diferentes de desenvolvimento. Este ano, o Governo autorizou a realização de despesa até 450 milhões de euros para as 30 obras a executar até 2028.

Governo autoriza até 447 milhões para obras rodoviárias e dá prioridade ao IP3 com perfil de autoestrada

Ainda no setor das infraestruturas, o PCP fez aprovar uma proposta para o Governo lançar um projeto que já está decidido e a ser trabalhado. A terceira travessia do Tejo rodoferroviária foi aprovada em 2024 pelo Governo e voltou a ser aprovada pela oposição (e contra o voto dos partidos que apoiam o Executivo) para ser lançada em 2026. Os comunistas justificam esta redundância com o facto da ponte Chelas-Barreiro já ter sido aprovada no passado e sofrido “sucessivos adiamentos” e querem passar dos planos à prática em 2026. O Governo prevê lançar o concurso para a obra em 2026.

No Porto, o metrobus terá segregação total apenas na Avenida da Boavista

▲ O PCP fez aprovar uma proposta para corrigir o projeto da linha da Trofa de modo a eliminar a solução de Metrobus.

JOSÉ COELHO/LUSA

Mais ambiciosa é a proposta comunista que defende a expansão do Metro do Porto no que toca às linhas Rosa e Rubi, já em construção, para estas serem feitas no “prazo previsto” e compensando os comerciantes pelos atrasos.

Quanto aos planos que ainda não estão no terreno, os comunistas fizeram aprovar uma proposta para corrigir o projeto da linha da Trofa de modo a eliminar a solução de Metrobus que tantos problemas têm trazido à cidade do Porto na rotunda da Boavista. Nesta proposta contra a qual apenas os partidos do Governo votaram contra, o PCP também quer garantir o financiamento para concretizar as linhas Maia II e São Mamede, cuja construção foi já várias vezes anunciada e adiada.

Ainda na ferrovia, foi contemplada proposta de eletrificação da Linha do Oeste à linha do Norte e à futura rede de Alta Velocidade numa via em que a modernização tem demorado muito mais tempo do que o anunciado. Foram aprovadas ainda a proposta do Bloco para reabrir a linha do Douro entre Pocinho e Barca d’Alva e outra do Livre para Portugal insistir com Espanha para retomar o comboio noturno Lusitânia.

AD aprova PPP na saúde sempre que seja “vantajoso”, PS o regresso de médicos emigrados

O guião do terceiro dia de votações estava carregado de propostas para o setor da saúde. E várias tiveram luz verde. A mais relevante teve o selo da AD e foi aprovada porque o Chega assim quis. O objetivo da coligação que suporta o Governo é aumentar o recurso a PPP na saúde, sempre que isso se revele “vantajoso”. Concretamente, sempre que isso “contribua para a obtenção de mais ganhos em saúde para as pessoas destinatárias, especialmente quando doentes”. Também se deverá recorrer a PPP quando “se afigure vantajoso para o interesse público, nomeadamente face à consideração do binómio qualidade-custos”.

Segundo um despacho publicado em outubro, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) tem até abril para concluir o estudo para demonstrar a necessidade de Parcerias Público-Privadas (PPP) em Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Garcia de Orta.

A coligação ainda fez passar duas propostas tendo em vista o reforço da rede nacional de cuidados continuados integrados, por um lado, e a rede nacional de cuidados paliativos, por outro.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, durante a sua audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, na Assembleia da República, em Lisboa, 31 de outubro de 2025. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

▲ Ana Paula Martins, ministra da saúde, ficou com o respaldo do Parlamento para aprovar PPP na saúde sempre que seja "vantajoso".

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Por sua vez o Chega, mesmo na fase final das votações, conseguiu viabilizar uma medida que fará com que as unidades locais de saúde passem a cobrar a prestação de cuidados a doentes estrangeiros não residentes e que não beneficiem de nenhum protocolo ou acordo internacional. O partido justifica a medida com “pressão crescente” sobre o SNS que decorre “do acesso de estrangeiros não residentes sem qualquer cobertura” através de seguros ou protocolos.

Ainda na área da Saúde, o Chega viu aprovada uma iniciativa para que seja criada uma plataforma única para a gestão de fluxos clínicos. O objetivo é que esta plataforma “integre os sistemas de referenciação, marcação e gestão das listas de espera do Serviço Nacional de Saúde (SNS), garantindo a rastreabilidade do percurso assistencial, a transparência e a redução dos tempos de resposta”.

Os socialistas também tiveram vitórias na saúde. Numa proposta com muitos pontos que visava atrair e fixar médicos no SNS, foram aprovados dois, com o aval do Chega. Assim, terá de ser criado um “programa de apoio aos médicos portugueses residentes no estrangeiro, dirigido a médicos emigrantes que pretendam voltar ao país”. Isto inclui incentivos fiscais e financeiros, além do acesso “imediato” ao Programa Regressar. Na mesma proposta fica definido a criação e o reforço da rede de creches com horários e condições adaptadas às necessidades dos profissionais da saúde.

Os socialistas fizeram aprovar uma alteração para dar mais força à execução dos investimentos em unidades hospitalares já aprovados ou previstos, em particular os que estão inscritos no PRR.

Ainda do PS, foi aprovada a proposta que diz que os estudantes deslocados vão continuar a ter acesso a cuidados de saúde primários na área onde frequentam o ensino superior, sem que tenham de voltar a inscrever-se de forma permanente no SNS.

O Livre viu várias propostas suas aprovadas na área da saúde. Desde logo o levantamento, até ao final do do terceiro trimestre de 2026, do edificado do SNS que necessite de uma reabilitação urgente. Feito o levantamento, o Governo “elabora um relatório”, acrescido “de um plano detalhado e realista tendo em vista a renovação do património que dela necessite”, que deve ser apresentado à Assembleia da República até final do ano.

O partido fez aprovar uma proposta para que os produtos de higiene menstrual continuem a ser distribuídos gratuitamente em 2026 em escolas e unidades de saúde, uma vez que não há dotação prevista para esta medida em 2026. E que a sua distribuição seja alargada a espaços como instituições que apoiam pessoas em situação de vulnerabilidade, casas de abrigo para vítimas de violência doméstica, estabelecimentos prisionais e centros educativos.

Do PAN, e por unanimidade, foi aprovada uma proposta para um projeto piloto para desenvolver um kit de emergência a disponibilizar às vítimas de violência doméstica.

O PAN conseguiu ainda inscrever no orçamento que, em 2026, o Governo vai avaliar a possibilidade de comparticipar vacinas antialérgicas. Nomeadamente para doentes com asma alérgica, rinite alérgica, conjuntivite alérgica, alergia a veneno de himenópteros, alergia alimentar e alergia ao látex, “desde que devidamente justificados por indicação clínica, efetuada por médicos especialistas em Imunoalergologia”.

Caixotes do lixo cheios em Lisboa, 26 de dezembro de 2024. Os trabalhadores da higiene urbana no município de Lisboa estão em greve de 25 de dezembro até 2 de janeiro ao trabalho extraordinário, a que se junta uma greve geral de dois dias, na quinta e sexta-feira. MIGUEL A. LOPES/LUSA

▲ Municípios podem ter prémio financeiro se reduzirem lixo.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Menos resíduos dão prémio às câmaras e o combate aos equipamentos obsoletos

Os municípios que conseguirem reduzir 5%, ou mais, a produção de de resíduos urbanos indiferenciados por habitante, face ao ano ter vão ter direito a um incentivo financeiro. A alteração foi proposta pelo PSD e CDS e teve votos favoráveis de todos os partidos, com exceção do Chega e PCP que se abstiveram. O financiamento deste incentivo será assegurado a partir de 2026 com verbas da taxa de gestão de resíduos e outras dotações do Ministério do Ambiente.

Os critérios de elegibilidade, cálculo e atribuição do incentivo são definidos por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do ambiente, das finanças e da administração local, podendo essa portaria atender, adicionalmente, à implementação de boas práticas municipais, designadamente sistemas de recolha seletiva porta-a-porta e tarifação proporcional à quantidade de resíduos produzidos (PAYT).

No setor da energia, o PS fez aprovar o reforço do apoio às indústrias eletrointensivas por compensação de CO2. “Em 2026, o Governo reforça o apoio às indústrias eletrointensivas”, refere a proposta, “no âmbito dos auxílios de estado permitidos, quer seja por via do Orçamento do Estado, quer seja por via do Fundo Ambiental”.
A proposta teve os votos contra do PCP e a abstenção do Chega, CDS, PSD e Bloco.

Por iniciativa do Chega, o programa nacional de combate à obsolescência programada de equipamentos elétricos e eletrónicos deverá arrancar no primeiro trimestre de 2026 com verbas do Fundo Ambiental. Este programa chegou a ser aprovado para 2025, mas ficou no papel. Cabe ao Governo lançar este programa que terá medidas de sensibilização, certificação e incentivo à reparação e reutilização desses equipamentos. Até ao final do próximo ano, deverá ser apresentado um relatório detalhado sobre a execução do programa, identificando as medidas adotadas, os resultados obtidos e as metas de redução de resíduos eletrónicos alcançadas.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.