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AFP via Getty Images

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Recolher obrigatório, fechar a noite, cercos sanitários e teletrabalho. O que fizeram os outros quando chegaram aos números de Portugal? /premium

Portugal chegou a médias que República Checa e França alcançaram há um mês. O Reino Unido precisou de uma semana para reagir aos valores que Portugal atingiu agora. Hungria vai pelo mesmo caminho.

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É preciso recuar até meados de julho para encontrar o momento em que Espanha ultrapassou os dois mil novos casos registados de infeção pelo novo coronavírus. É um marco que Portugal atingiu esta quarta-feira pela primeira vez, mas não são números estranhos aqui ao lado: na primeira vaga da epidemia de Covid-19, a métrica nunca baixou dos dois mil casos diários entre 8 de março e 19 de abril.

Três meses depois, Espanha está em plena segunda vaga com números que ultrapassam de longe os da primeira. Mas a 17 de julho, quando atingiu novamente os dois mil casos diários, os dados não eram particularmente preocupantes: com 46,4 milhões de habitantes, os 2.023 casos daquele dia simbolizavam uma média de incidência de novos casos nos 14 dias anteriores de 21  por 100 mil habitantes — e esta é que a métrica usada internacionalmente para avaliar a evolução epidemiológica dos países (e para, em alguns casos, fechar-lhes as fronteiras ou os corredores aéreos). É assim porque é a melhor forma que os epidemiologistas encontraram para medir como a doença estava a atingir uma população, já que o entre o contágio, a incubação, os testes e a ida ao médico ou hospital decorrem normalmente 10 a 14 dias. Ou seja, um caso identificado neste dia 14 por um médico, pode de facto ter decorrido de uma infecção no dia 1.

Em Portugal, esta média era esta quarta-feira de 152. Um número que, aliado aos mais de dois mil casos registados nas últimas 24 horas, levou o Governo a agir. Em vez de manter o atual estado de contingência por mais 15 dias, apertando apenas algumas regras, como previsto, decidiu instituir o estado de calamidade e impôs novas medidas: os ajuntamentos foram limitados a cinco pessoas, propôs a obrigatoriedade de máscara na rua em certas situações e até a utilização da aplicação StayAway Covid poderá passar a ser obrigatória para alguns casos, apesar de muita polémica sobre a matéria.

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Em Espanha, a vida noturna acabou e as máscaras tornaram-se obrigatórias

Espanha registou essa métrica, a de 152 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, a 21 de agosto, mas não esperou para anunciar novas medidas de restrição à propagação do SARS-CoV-2. Seis dias antes, Salvador Illa, ministro da saúde espanhol, ordenou o encerramento dos bares e discotecas em toda a Espanha, todos os restaurantes têm de fechar portas à uma da manhã e passou a ser proibido fumar na rua se não houvesse distanciamento de dois metros.

Espanha 152 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias a 21 de agosto, mas não esperou para anunciar novas medidas de restrição à propagação do SARS-CoV-2. Seis dias antes, Salvador Illa, ministro da saúde espanhol, ordenou o encerramento dos bares e discotecas em toda a Espanha, todos os restaurantes deviam fechar portas à uma da manhã e passou a ser proibido fumar na rua se não houver distanciamento de dois metros.

Além da vida noturna, também os lares para idosos mereceram a atenção do Governo espanhol: cada residente passou a poder receber apenas uma visita durante um máximo de uma hora por dia. Todos os visitantes têm também de realizar um teste de diagnóstico PCR antes de entrarem no estabelecimento; e o mesmo passou a ser válido para os funcionários desses lares que regressassem de férias.

Dias antes, Madrid, a região espanhola que mais preocupações inspira, já estava sob imposições específicas há duas semanas: as máscaras passaram a ser obrigatórias em todos os espaços públicos, incluindo na rua, para os maiores de seis anos; já estavam proibidos os ajuntamentos com mais de 10 pessoas e todos os restaurantes têm de manter um registo dos clientes para facilitar o rastreio de contactos.

Média está a baixar, mas Madrid continua com regras apertadas

Entretanto, Espanha disparou e atingiu a média de 255 novos casos nos últimos 14 dias por 100 mil habitantes esta quarta-feira, números ainda assim inferiores à média constantemente acima dos 300 que o país teve entre meados de setembro e 11 de outubro. Depois de confinar vários bairros da capital, os números levaram Pedro Sánchez a declarar o estado de alarme em Madrid (entre muita polémica) e a instituir assim restrições à mobilidade que o Tribunal Superior de Justiça tinha rejeitado, após recurso da presidente da região autónoma de Madrid, Isabel Díaz Ayuso.

Com o estado de alarme, todos os municípios madrilenos com mais de 100 mil habitantes ficaram dentro de um cerco sanitário que só pode ser rompido para trabalhar, estudar e por alguns motivos de saúde. As medidas foram alvo de críticas pelo governo regional de Madrid, que se recusou inicialmente a cumpri-las. Mas, depois de o governo ter dado 48 horas para a comunidade cumprir as novas regras, elas acabaram mesmo por ser postas em prática.

Outras medidas também foram impostas por outros governos regionais espanhóis. Na Catalunha, que tem 7,5 milhões de habitantes, o secretário regional de Saúde Pública insistiu no incentivo ao teletrabalho, todos os bares e restaurantes foram encerrados e a capacidade dos ginásios e centros comerciais foram reduzidas. As aulas presenciais foram suspensas nas universidades e algumas competições desportivas também adiadas.

Em França, um país a quatro velocidades e o recolher obrigatório

Em França, a média de 151 novos casos por 100 mil habitantes foi atingida a 12 de setembro. O Governo, que acaba de decretar o estado de emergência e o recolher obrigatório a partir das 21h00, e que ainda publicará novas medidas de combate à pandemia em breve, precisou na altura de dez dias para tomar novas medidas. Mas, em vez de terem sido implementadas nacionalmente, o país foi colocado a quatro velocidades.

Em Paris, por exemplo, os bares e restaurantes passaram a fechar no máximo às 22h e os ajuntamentos não podem ultrapassar as 10 pessoas. Em Aix-Marseille e Guadeloupe, cidades com alerta máximo, os bares e restaurantes foram fechados e quaisquer estabelecimentos sem um protocolo rigoroso de saúde vão encerrar também. No resto do país, a máscara continuou a ser obrigatória em espaços fechados.

Espanha 152 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias a 21 de agosto, mas não esperou para anunciar novas medidas de restrição à propagação do SARS-CoV-2. Seis dias antes, Salvador Illa, ministro da saúde espanhol, ordenou o encerramento dos bares e discotecas em toda a Espanha, todos os restaurantes deviam fechar portas à uma da manhã e passou a ser proibido fumar na rua se não houver distanciamento de dois metros.

Agora que o país atingiu o dobro daquela média de novos casos diários, as autoridades francesas preparam-se para apertar as regras. Depois de o Conselho de Ministros ter declarado o estado de emergência, Emmanuel Macron impôs também o recolher obrigatório entre as 21h e as seis da manhã em nove cidades; e proibiu os ajuntamentos com mais de seis pessoas.

No Reino Unido, um semáforo para medir as preocupações

A 4 de outubro, o Reino Unido saltou de uma média de 135 novos casos nos 14 dias anteriores por 100 mil habitantes para 163. Mas só esta segunda-feira, já a média estava nos 253 casos diários, é que Boris Johnson impôs novas regras para diminuir a capacidade de propagação do vírus. Mas só em Inglaterra, o país do Reino Unido que mais inspira cuidados.

O número de casos quadriplicou nas últimas três semanas e o sistema de saúde está a suportar mais pessoas internadas nos hospitais do que em março, quando foi imposto o confinamento. Por isso, o primeiro-ministro anunciou um plano com três níveis de alerta: médio, alto e muito alto. E prometeu articular-se com as autoridades de saúde para impor medidas localmente — não nacionalmente —, como o encerramento de bares e restaurantes, espaços de entretenimento e lazer ou espaços de beleza e bem-estar.

No Reino Unido, o número de casos quadriplicou nas últimas três semanas e o sistema de saúde está a suportar mais pessoas internadas nos hospitais do que em março, quando foi imposto o confinamento. Por isso, o primeiro-ministro anunciou um plano com três níveis de alerta: médio, alto e muito alto. E prometeu articular-se com as autoridades de saúde para impor medidas localmente — não nacionalmente —, como o encerramento de bares e restaurantes, espaços de entretenimento e lazer ou espaços de beleza e bem-estar.

No nível médio, onde está a maior parte do território inglês, o número máximo de pessoas que podem estar juntas é de seis; e todos os restaurantes, bares e estabelecimentos semelhantes têm de fechar às 22h.

No nível alto, ficam proibidos os encontros de agregados familiares dentro de espaços fechados, mas mantém-se a “regra dos seis”. No nível muito alto, onde os níveis de transmissão estão a aumentar mais rapidamente e o sistema de saúde pode colapsar, fecham-se os restaurantes e os encontros entre pessoas de agregados familiares são proibidos.

Nos Países Baixos, o teletrabalho é “a norma”

A 28 de setembro, três dias depois de ter chegado à média de 151 novos casos nos 14 dias anteriores por 100 mil habitantes, os Países Baixos reagiram aos números com 12 regras. O documento alerta que trabalhar em casa continuará a ser “a norma, a menos que seja absolutamente impossível”, não se pode receber mais do que três convidados em casa e os ajuntamentos estão limitados a quatro pessoas, sem contar com as crianças com menos de 14 anos.

Em espaços públicos como os restaurantes, o número máximo de pessoas permitidas numa sala é 30, neste caso incluindo crianças e também funcionários. Os bares e restaurantes têm de fechar obrigatoriamente às 22h e não podem receber mais clientes uma hora antes. Os ginásios foram fechados, os espaços como os museus só podem receber visitantes por reserva e todos os estabelecimentos devem manter um registo dos clientes para facilitar o rastreio de contactos.

O número de pessoas que se podem reunir para participar em atividades ao ar livre em que não haja fluxo contínuo de pessoas passou a ser 40, contando com as crianças com menos de 13 anos mas excluindo funcionários. As regras acrescentam que, nas atividades onde haja esse fluxo de contínuo de pessoas, “aplica-se um número máximo de visitantes por metro quadrado”, mas esse número não foi esclarecido. Os eventos desportivos não podem receber público e mantém-se o aconselhamento de evitar viajar para o estrangeiro.

A 28 de setembro, três dias depois de ter chegado à média de 151 novos casos nos 14 dias anteriores por 100 mil habitantes, os Países Baixos reagiram aos números com 12 regras. O documento alerta que trabalhar em casa continuará a ser "a norma, a menos que seja absolutamente impossível", não se pode receber mais do que três convidados em casa e os ajuntamentos estão limitados a quatro pessoas, sem contar com as crianças com menos de 14 anos.

São regras especialmente apertadas nos Países Baixos, uma vez que, quando foi atingido com a primeira vaga de Covid-19, o primeiro-ministro Mark Rutte escolheu a promoção da “imunidade coletiva”, impedindo um confinamento como o que se viveu na maior parte dos outros países europeus — apesar de, em abril, ter registado uma das maiores taxas de letalidade da doença.

Como estão os quatro países mais parecidos com Portugal

Há quatro países que podem servir de referência para enquadrar os números registados em Portugal: três deles por terem uma população semelhante à portuguesa; e outro por ter registado números relativos próximos aos do nosso país. Este último é a Irlanda, que chegou à média de 153 novos casos nos 14 dias anteriores por cada 100 mil habitantes na segunda-feira, apenas três dias antes de Portugal.

Mas desde 6 de outubro que a Irlanda já tinha entrado no “nível três das medidas de restrição”, um conjunto de regras mais apertadas válidas para todo o país nas três semanas seguintes. O plano impõe um máximo de seis visitantes por casa — mas todos eles devem ser do mesmo agregado familiar — e estão proibidos os convívios “em qualquer outro contexto”. O teletrabalho deve continuar a ser cumprido, exceto nas profissões que não o permitam.

Além disso, não se pode viajar para fora do país, as escolas devem seguir planos de contingência restritivos, as pessoas com mais de 70 anos ou mais vulneráveis não devem andar de transportes públicos e só podem fazer compras em horários reservados para elas, as visitas em residências para idosos estão proibidas e a capacidade dos transportes públicos foi reduzida para 50%.

República Checa vive regras do início da pandemia

A República Checa tem 10,7 milhões de residentes, aproximadamente tantos como Portugal, mas chegou à media acima dos 150 novos casos nos 14 dias anteriores por cada 100 mil habitantes a 17 de setembro — um golpe duro para um país que tinha escapado à primeira vaga da pandemia, mas que agora tem cumprido as mesmas medidas que o resto da Europa seguiu entre março e maio.

Ora, uma semana antes deste marco, o governo já tinha imposto a utilização de máscaras em espaços públicos fechados. Mas no dia em que se chegou à média dos 150 casos diários, a República Checa foi mais longe: os estudantes deviam usá-las também durante aulas, todos os bares e restaurantes deviam encerrar à meia-noite; e todos os eventos em espaços interiores com mais de 10 pessoas foram proibidos.

Uma semana antes deste marco, o governo já tinha imposto a utilização de máscaras em espaços públicos fechados. Mas no dia em que se chegou à média dos 150 casos diários, a República Checa foi mais longe: os estudantes deviam usá-las também durante aulas, todos os bares e restaurantes deviam encerrar à meia-noite; e todos os eventos em espaços interiores com mais de 10 pessoas foram proibidos.

Estas medidas sofreram atualizações na última terça-feira: o horário de encerramento dos restaurantes passou para as 20h, todos os estudantes passaram a ter aulas à distância, as residências fecharam para todos os universitários naturais da República Checa, o consumo de álcool em espaços públicos foi proibido e os ajuntamentos foram limitados a seis pessoas.

Bélgica: primeiro a confiança, depois a reviravolta

A 23 de setembro, a Bélgica surpreendeu ao aliviar as medidas de restrição impostas para conter o novo coronavírus: “As pessoas podem ter contacto com quantas pessoas quiserem, desde que mantenham distância” e desde que não se juntem em grupos de mais de 10 pessoas de cada vez, indicou o Governo. Além disso, as lojas deixaram de ter um número máximo de clientes no interior dos estabelecimentos, as máscaras deixaram de ser obrigatórias — exceto quando não se conseguisse manter o distanciamento de pelo menos 1,5 metros.

Com 11,5 milhões de habitantes, apenas ligeiramente mais que Portugal, a Bélgica é outro país que pode servir de referência para o que está a acontecer em Portugal. Mas há uma diferença: apenas dois dias depois de diminuir a severidade das medidas de restrição, a Bélgica chegou ao mesmo número médio de novos casos em duas semanas por 100 mil habitantes que Portugal registou esta quarta-feira. Com essa métrica, não tardou a adotar novamente medidas mais apertadas.

Desde 9 de outubro, os bares começaram a fechar às 23h (duas horas mais cedo do que até então), passaram a ser permitidas apenas quatro clientes por mesa e  número de pessoas permitidas num ajuntamento passou para apenas três. O que mudou? “A propagação do vírus está acelerar rapidamente”, justificou o primeiro-ministro  Alexander De Croo: “Isso só é possível se limitarmos o número de contactos. Por isso é que estamos a apertar as medidas que já existem”.

Com 11,5 milhões de habitantes, apenas ligeiramente mais que Portugal, a Bélgica é outro país que pode servir de referência para o que está a acontecer em Portugal. Mas há uma diferença: apenas dois dias depois de diminuir a severidade das medidas de restrição, a Bélgica chegou ao mesmo número médio de novos casos em duas semanas por 100 mil habitantes que Portugal registou esta quarta-feira. Com essa métrica, não tardou a adotar novamente medidas mais apertadas.

Hungria ainda não chegou às métricas de Portugal

A Hungria tem quase 10 milhões de habitantes, um número que ronda a população portuguesa. Mas se Portugal ultrapassou os dois mil casos diários, este país ficou-se pelos 920 registados esta quarta-feira — e, de resto, nunca ultrapassou os 1.374. No entanto, não deixam de ser números surpreendentes num país que, na primeira vaga, ficou-se por um pico com apenas 210 casos em 24 horas.

Neste momento, a Hungria está com uma média de 138 novos casos nos 14 dias anteriores por 100 mil habitantes. Depois de um salto a 10 de outubro (precisamente quando atingiu o maior número desde o início da pandemia), tem estado em tendência decrescente. E, como tal, os últimos dias não trouxeram novas medidas governamentais para restringir a propagação do vírus além do distanciamento físico de 1,5 metros; e máscaras obrigatórias nas lojas, transportes públicos e espaços públicos fechados.

Desde o início do mês que as crianças só podem entrar nas escolas e jardins de infância depois de lhes ser medida a temperatura corporal — em caso de febre, deve ser colocada em isolamento e o encarregado de educação é notificado imediatamente. Os eventos públicos só podem receber até 500 pessoas e os casamentos e reuniões familiares só podem ter até 200 participantes. De resto, não há qualquer indicação sobre um número máximo de pessoas em ajuntamentos.

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