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A candidata pelo CDS Linda Oliveira (à esquerda) e o candidato Afonso Brandão (à direita)

A candidata pelo CDS Linda Oliveira (à esquerda) e o candidato Afonso Brandão (à direita)

Tiros e facas em Palmela contra candidatos autárquicos. Casos não estarão relacionados. E GNR admite que não tenha havido motivação política

O local e os alegados alvos. Há características que aproximam os dois casos que envolveram políticos em Palmela, mas não terão ligações. GNR admite não ter havido motivações políticas nos disparos.

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Pouco mais de seis quilómetros e menos de 12 horas separam os dois episódios de violência que aconteceram este fim de semana em Palmela e que envolveram dois candidatos às eleições autárquicas. O mais recente, uma alegada tentativa de esfaqueamento contra o candidato do Chega à Câmara Municipal de Palmela, terá acontecido na freguesia da Quinta do Anjo, na manhã de sábado. O outro, vários disparos junto ao local onde a candidata do CDS à Junta de Freguesia de Palmela se encontrava a colocar cartazes, acontecera na noite anterior na Avenida dos Caminhos de Ferro. Estão estes dois episódios relacionados? Para já a GNR afasta qualquer ligação entre os dois. E nem sequer fecha a porta a que os disparos tenham sido feitos contra o alvo errado, ou seja, sem qualquer motivação política.

Ainda assim são várias as características que fazem estes episódios parecerem idênticos. Desde logo, o facto de envolverem candidatos às eleições autárquicas: Linda Oliveira, do CDS, e Afonso Brandão, do Chega. Depois, o momento em que aconteceram: o episódio que envolveu a candidata do CDS aconteceu por volta das 22h00 da passada sexta-feira, quando Linda Oliveira estava com o marido a colocar cartazes nas ruas. Cerca de 11 horas depois, ocorreu o episódio com o candidato do Chega, por volta das 10h de sábado, quando Afonso Brandão e outros membros da lista distribuíam panfletos pela rua. E ainda o facto de terem acontecido no mesmo concelho: o primeiro junto ao cruzamento da Avenida do Caminho de Ferro com a Estrada do Lau e o segundo na freguesia da Quinta do Lago — pouco mais de seis quilómetros separam os locais onde ocorreram.

Ambos os episódios, a ter em conta o que foi apresentado à polícia, destacam-se pela violência, nomeadamente devido ao recurso a armas — uma faca, num dos casos, e uma arma branca, no outro. Dada a violência, os casos poderão, numa fase mais avançada do inquérito, acabar por configurar crimes de tentativa de ofensas à integridade física ou até mesmo de tentativa de homicídio.

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Para já, os dois casos estão a ser investigados pelas autoridades, isoladamente. O episódio dos disparos está já nas mãos pela Polícia Judiciária (PJ). Já o episódio com arma branca está com a Guarda Nacional Republicana (GNR), que recebeu a queixa de Afonso Brandão no domingo. Mas o que aconteceu ao certo?

Atiradores seguiam de mota sem luzes e sem matrícula e estavam vestidos de preto. Caso já está a ser investigado pela PJ

Vestidos de preto, numa mota sem luzes e sem matrícula. A descrição das duas pessoas que dispararam contra o local onde estava Linda Oliveira foi feita pela própria, no dia seguinte, em declarações ao Observador. “Dispararam aquilo que, pelo som, eram tiros de caçadeira”, disse. Não acertaram nela, nem no marido, mas os tiros vieram na sua direção, ao que conta. “Dispararam na nossa direção, mas não contra nós, como se fosse apenas para assustar e não para acertar”, explicou. Os dois autores dispararam ainda contra uma habitação próxima ao local onde Linda Oliveira se encontrava, tendo mesmo danificado uma janela.

Dois homens vestidos de preto numa mota dispararam na direção de candidata do CDS em Palmela. PJ investiga

A candidata pelo CDS à Junta de Freguesia de Palmela afixava cartazes de campanha, acompanhada pelo marido, numa carrinha quando tudo aconteceu. Foi às 22h de sexta-feira e estavam, naquele momento, na Avenida dos Caminhos de Ferro junto ao cruzamento com a Estrada do Lau.

O caso dos disparos em Palmela está a ser investigado pela Polícia Judiciária (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Linda Oliveira acabou por apresentar queixa contra desconhecidos. Às 22h20, a GNR recebeu uma “denúncia via 112, que dava conta de disparos de uma arma de fogo por dois indivíduos que se faziam transportar num motociclo”, lê-se no comunicado emitido já no sábado, que adianta: “A denúncia telefónica terá sido feita por um trabalhador de afixação de cartazes eleitorais que se encontrava a laborar no local, e posteriormente pelo alegado proprietário de uma habitação”.

Os militares da GNR foram ao local para fazer uma inspeção “na tentativa de recolher qualquer vestígio”. No entanto, não encontraram quaisquer armas de fogo, nem conseguiram encontrar os suspeitos, apesar de terem percorrido as imediações do local. A candidata duvida que esta seja uma situação de criminalidade espontânea: “O facto de estarem de preto e sem matrícula mostra que situação foi premeditada”, considerou.

Os factos, pela natureza do crime, foram comunicados à PJ, que detém a competência para a investigação. Ao que o Observador apurou, o expediente enviado pela GNR à PJ suscita a possibilidade de o alvo do suspeito não ser a candidata pelo CDS e de não haver motivação política. Questionada pelo Observador, a PJ não quis comentar o caso, lembrando que o episódio ainda se encontra em investigação.

Líder do CDS imputa tiroteio a “forças extremistas” e diz que partido não se deixa intimidar: “Portugal não pode regressar ao tempo do PREC”

O presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, classificou o ato como “um atentado contra a democracia” perpetuado por “forças altamente extremistas”. “Eu já tive oportunidade de falar com a Linda Oliveira, que está naturalmente muito consternada e abalada com os acontecimentos porque foi a visada de um tiroteio enquanto montava estruturas de campanha no seu próprio concelho”, disse aos jornalistas em Coimbra, no início de uma arruada com o candidato da coligação “Juntos por Coimbra”.

Homem empurrou membro da comitiva do Chega. Depois, saiu de casa com uma faca na mão e fez “algumas investidas” contra candidato

Cerca de 11 horas depois, aconteceu o episódio com o candidato do Chega à Câmara Municipal de Palmela. Afonso Brandão e outros membros do partido da concelhia de Palmela estariam a distribuir panfletos no centro da freguesia da Quinta do Anjo, quando foram surpreendidos por um homem que “abre a porta de casa e dá um empurrão” numa pessoas que acompanhava a comitiva, que fazia parte da lista do Chega à Junta de Freguesia da Quinta do Anjo, que acabou por ser projetada para a estrada, conta ao Observador fonte do Chega que se encontrava no local. “O passeio é muito curtinho e íamos todos em fila indiana no passeio. Não aconteceu um acidente grave porque na altura não ia a passar nenhum carro”, disse ainda.

A GNR recebeu a queixa de Afonso Brandão e já identificou o suspeito (DIOGO VENTURA/OBSERVADOR)

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Depois, o suspeito terá regressado a sua casa, fechando à porta. Nesse momento, o candidato à Câmara de Palmela pelo Chega, diz a mesma fonte, terá forçado a porta na tentativa de conseguir fazer com que a pessoa abrisse e pudesse ser confrontada com o que acabara de fazer. “O indivíduo abre a porta, sai com uma faca de cozinha enorme” e vai contra o candidato. Embora o suspeito tivesse feito “algumas investidas”, Afonso Brandão consegui afastar-se.

Esta não terá sido a primeira vez que o suspeito tinha atentado contra a comitiva do Chega. Pouco antes, nessa mesma manhã, diz a mesma fonte, num parque de estacionamento de um hipermercado, tinha passado junto ao candidato, de bicicleta, e ofendido Afonso Brandão verbalmente.

Candidato do Chega à Câmara de Palmela apresenta queixa por tentativa de agressão com uma faca

O candidato do Chega à Câmara Municipal de Palmela apresentou queixa à GNR, segundo anunciou o partido num comunicado emitido no dia seguinte, domingo. “A pessoa em causa, munida de uma faca de cozinha, aproximou-se da comitiva de arma em punho e tentou atingir o candidato Afonso Brandão que, felizmente, conseguiu escapar ileso ao ataque, tendo, posteriormente, apresentado queixa no posto da GNR mais próximo”, pode ler-se. No mesmo comunicado, o Chega considerou este episódio um “ataque à liberdade política e de expressão dos cidadãos e um vil ataque direcionado ao Chega ao qual se juntam as ofensas e ameaças que todos os dias são feitas aos dirigentes, militantes e apoiantes do partido”.

Quem viu o suspeito, descreve que “apresentava um estado claramente descompensado” e tinha uma idade na casa dos 50 anos. O homem já foi identificado pela GNR, ao que apurou o Observador junto de fonte desta força de segurança. “Recebemos a queixa por parte do elemento [do Chega]. A queixa foi apresentada, mas nenhuns factos foram presenciados por nós”, explicou ao Observador a major Mafalda Almeida.

Os dois casos estão agora a ser investigados, por polícias diferentes. Para já, a GNR de Palmela afasta a hipótese de os dois episódios, apesar das características semelhantes, estarem relacionados. “Não tenho conhecimento que essa relação exista. Não parece que seja esse o caso. São situações completamente distintas, curiosamente no mesmo concelho, mas em zonas distintas”, explicou ao Observador a major Mafalda Almeida.

Também não se tem registado um aumento de criminalidade no concelho de Palmela que pudesse justificar os episódios. O que está por detrás deles? Esta é a resposta que a PJ e a GNR tentam agora dar numa investigação que ainda agora começou.

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