1246,8kWh poupados 1246,8 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

GettyImages-2214095362
i

▲Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky tentam não desagradar a Donald Trump com várias jogadas diplomáticas

POOL/AFP via Getty Images

▲Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky tentam não desagradar a Donald Trump com várias jogadas diplomáticas

POOL/AFP via Getty Images

Zelensky reage, Putin arrasta. Cessar-fogo transformou-se num jogo de xadrez para agradar a Trump

Putin já propôs duas tréguas que não foram cumpridas, mas mostra reservas para aceitar cessar-fogo de 30 dias. Zelensky critica falta de boa-fé do Kremlin. E nenhum dos líderes quer desagradar Trump.

Calculismo, estratégia e manipulação. Desde meados de março que estes são os conceitos que têm pautado as tentativas de negociação entre a Rússia e a Ucrânia, com intermediação de outros países, para alcançarem um cessar-fogo temporário. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sugeriu que, a partir desta segunda-feira, vigorasse uma trégua de 30 dias com o apoio dos aliados europeus. No entanto, o lado russo não a aceitou e contrapôs discutir os contornos numa reunião com diplomatas ucranianos em Istambul, na próxima quinta-feira. Zelensky disse que sim, mas desafiou Putin para um encontro cara a cara a que Trump já se disponibilizou para se juntar, mas em que ninguém sabe ainda quem vai realmente estar. É um jogo de xadrez em que todos estão a pensar a próxima jogada. E, mesmo que haja encontro, a jogada está longe de ser para cheque-mate.

Quem acompanha de perto estas dinâmicas — e molda as mesmas — é na verdade o Presidente norte-americano. Desde que regressou à Casa Branca, Donald Trump prometeu terminar com o conflito em poucas semanas. Ficou longe de concretizar o objetivo do fim rápido para a guerra. Continua empenhado na condução das negociações, faz questão de ter protagonismo (seja ao vivo — para o melhor e o pior, ao lado de Zelensky no Vaticano e na Casa Branca —, ou na sua rede social), mas já avisou que, se o impasse continuar por muito mais tempo, Washington se retira destes esforços. 

Exausta com uma guerra que há dura há mais de três anos, a Ucrânia já se mostrou disponível para terminá-la. Os dirigentes ucranianos ressalvam, no entanto, que o fim deve ser “justo” (sem cedências territoriais) e deve trazer uma “paz duradoura”, algo com o qual os países europeus concordam plenamente. Porém, a Rússia tem uma visão diferente. Estando atualmente na ofensiva no campo de batalha, Moscovo tem mostrado que não está com pressa, mesmo que os ganhos no teatro das operações sejam lentos e limitados. Isso concede-lhe uma vantagem negocial e o Kremlin quer ganhar alguma coisa com isso, elevando a fasquia e obrigando Kiev a ceder.

epa12074805 Russian President Vladimir Putin meets with Moscow Mayor Sergei Sobyanin at the Kremlin in Moscow, Russia, 05 May 2025.  EPA/VYACHESLAV PROKOFYEV/SPUTNIK/KREMLIN POOL MANDATORY CREDIT

▲ Presidente russo quer obrigar Ucrânia a ceder

VYACHESLAV PROKOFYEV/SPUTNIK/KREMLIN POOL/EPA

No fim de semana, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, clarificou o posicionamento russo. Acusando a Ucrânia de “não estar pronta para negociações imediatas”, o responsável da presidência assinalou que o “Presidente Putin está a fazer o possível para resolver o problema, para alcançar um acordo através de meios pacíficos e diplomáticos. Mas não tendo meios diplomáticos e democráticos ao nosso alcance, temos de continuar a operação militar”. 

É entre estes dois polos que a presidência norte-americana está a tentar jogar. A estratégia também se alterou, como escreve o Wall Street Journal. Consultando fontes da presidência, o jornal apurou que Donald Trump pensou inicialmente que com a Rússia seria mais fácil de negociar, enquanto a Ucrânia era vista como a parte menos conciliatória — e isso ajuda a explicar as palavras mais duras dirigidas a Volodymyr Zelensky na Sala Oval. Porém, a administração dos EUA vê agora a Rússia como aquela que está menos disposta a dialogar e ter-se-á mesmo sentido usado por Putin. Daí o encontro com o Presidente ucraniano na Basílica de S. Pedro aquando do funeral do Papa Francisco.

Num verdadeiro jogo de xadrez, existe um objetivo em comum: não irritar e perturbar Donald Trump. Por um lado, a Ucrânia e os parceiros sabem que, sem os norte-americanos em cena, será impossível que Kiev se defenda e ganhe vantagem negocial. Por outro, a Rússia pretende manter a simpatia que sabe ter de alguns membros da administração Trump, terminando com a guerra com um acordo em que saia claramente por cima, além de ambicionar o levantamento das sanções por parte do Ocidente. Entre reviravoltas e jogadas calculistas, estas foram as datas em que se moveram as peças deste desafio diplomático.

epa12078291 US President Donald Trump attends a meeting with the Canadian prime minister in the Oval Office at the White House in Washington, DC, USA, 06 May 2025.  EPA/FRANCIS CHUNG / POOL

▲ Vladimir Putin e Volodymyr Zelenksy competem pela simpatia de Donald Trump

FRANCIS CHUNG / POOL/EPA

11 de março: Ucrânia toma a iniciativa e concorda com cessar-fogo de 30 dias

Foi a jogada de saída, o momento que começou oficialmente com esta dinâmica. Em Jeddah, na Arábia Saudita, a Ucrânia concordou com os Estados Unidos da América em apoiar uma trégua de 30 dias no mar, em terra e no ar. Essa recetividade ucraniana ao aceitar um cessar-fogo teve como consequência o retomar do apoio militar e troca de informação confidenciais por parte dos EUA, algo que tinha sido suspenso dias após a discussão na Sala Oval.

“A bola está do lado da Rússia.” Esta foi a ideia que muitos líderes repetiram. Até o secretário de Estado, Marco Rubio, assumiu que cabia a Moscovo aceitar a trégua. Do Kremlin, os sinais foram mistos e não houve um ‘sim’ claro ao cessar-fogo, o que permitiu à Ucrânia explorar e demonstrar a sua boa-fé no processo negocial, recuperando alguma confiança dos parceiros norte-americanos.

epa11955892 A handout photo made available by the Andriy Yermak Telegram Channel shows the Head of the Presidential Office of Ukraine Andriy Yermak (R), Ukrainian Foreign Minister Andrii Sybiha (2-R), US Secretary of State Marco Rubio (L) and US National Security Advisor Mike Waltz (2-L) attend their meeting in Jeddah, Saudi Arabia, 11 March 2025. US and Ukrainian officials are holding talks in Jeddah to find a path for peace in the Ukraine.  EPA/ANDRIY YERMAK TELEGRAM HANDOUT  HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

▲ A reunião entre diplomatas ucranianos e norte-americanos em Jeddah, na Arábia Saudita

ANDRIY YERMAK TELEGRAM HANDOUT/EPA

18 de março: o telefonema que deixou quase tudo igual

A jogada de resposta. Vladimir Putin manifestou “reservas” em relação a este cessar-fogo temporário, frisando que era necessário analisar quais eram as “razões profundas” do conflito. Não se opôs, ainda assim; sublinhou que a Rússia concordava com o “princípio básico” da trégua. Para tentar eliminar estas dúvidas, Donald Trump falou ao telefone, a 18 de março, com o seu homólogo no Kremlin.

Apesar da expectativa, o resultado da chamada foi dececionante. Vladimir Putin apenas aceitou uma trégua na área da energia, prometendo que a Rússia se absteria de atacar as infraestruturas energéticas do país vizinho. A Ucrânia aproveitou para denunciar a falta de vontade russa em alcançar um cessar-fogo, que ambas as partes alegam que foi violado múltiplas vezes.

25 de março: o cessar-fogo marítimo com mediação norte-americana

Meras manobras. As negociações entre as três partes progrediram nos dias seguintes para tentar chegar a um acordo mais amplo e a um cessar-fogo temporário total. A 25 de março, a Rússia anunciou que concordava com um cessar-fogo no Mar Negro. A Ucrânia saudou a movimentação. Mas a Rússia saiu a ganhar: foram os Estados Unidos que tiveram de ceder, prometendo “ajudar a Rússia com sistemas de pagamento internacionais, seguro marítimo e acesso portuário para que possa exportar fertilizantes e outros produtos agrícolas para o mercado global”.

GettyImages-1564923593

▲ Cessar-fogo no Mar Negro juntou-se ao energético

AFP via Getty Images

19 a 20 de abril: a trégua da Páscoa (que nenhum dos lados respeitou)

Tentativa de ganhar terreno. Entre o final de março e meados de abril, houve várias reuniões entre dirigentes ucranianos, norte-americanos e russos. Nenhuma delas trouxe o cessar-fogo total temporário entre a Rússia e a Ucrânia. Os Estados Unidos deixaram no ar a possibilidade de dividir a Ucrânia e pressionavam o país invadido a ceder a Crimeia — anexada em 2014 pela Federação Russa — algo que irritou Kiev.

Sem que nada fizesse esperar, a 19 de abril, o chefe das Forças Armadas da Rússia, Valery Gerasimov, anunciou um cessar-fogo unilateral, que vigoraria durante desde o sábado de Páscoa às 18h00 até às 00h00 da segunda-feira de Páscoa. “Por considerações humanitárias, o lado russo declara uma trégua pascal. Ordeno que todas as ações militares sejam interrompidas”, afirmou o líder militar.

[Leão XIV é um progressista ou um conservador? No podcast “A História do Dia“, só precisa de 15 minutos para ficar bem informado. Conversamos com os jornalistas da redação do Observador e com especialistas para lhe explicar tudo sobre a história mais importante do dia. E ainda lhe damos um resumo rápido das notícias que tem mesmo de saber. Pode ouvir aqui, na Apple Podcasts, no Spotify ou no Youtube Music]

A Ucrânia olhou com muitas reservas para a ‘oferta’. Volodymyr Zelensky exigiu que Vladimir Putin se comprometesse uma trégua de 30 dias e acusou o homólogo russo de fazer um “cessar-fogo para as manchetes”. De qualquer modo, as hostilidades nunca cessaram totalmente com Moscovo e Kiev a alegar que houve violações de parte a parte.

GettyImages-2210506652

▲ Militares ucranianos celebram a Páscoa a 20 de abril de 2025, durante a qual não vigorou o cessar-fogo

AFP via Getty Images

24 de abril: “Vladimir, PÁRA!” A mensagem que mostrou a insatisfação de Trump com Putin

A intervenção do negociador. Donald Trump absteve-se várias vezes de criticar o seu homólogo russo durante a guerra. Mas após um ataque a Kiev a 24 de abril, que matou doze pessoas, o Presidente norte-americano usou a Truth Social para fazer umas das condenações mais efusivas ao chefe de Estado da Rússia. “Não estou contente com os ataques russos em Kiev. Não são necessários e o timing é mau. Vladimir, PÁRA!”. Era uma das jogadas mais interventivas do negociador, depois de muitos dizerem que estava a ser usado por Putin. O próprio viria a usar a expressão, de forma mais rude.

26 de abril: a reunião em Roma que pode ter sido um “momento de viragem”

A jogada que virou o jogo (para já). Na Basílica de São Pedro, após esta mensagem de condenação de Donald Trump, veio um momento em que a Ucrânia mostrou uma coordenação surpreendente com a presidência norte-americano. Durante o funeral do Papa Francisco, o chefe de Estado ucraniano reuniu-se com o seu homólogo e Volodymyr Zelensky descreveu o encontro como “muito simbólico e que tem o potencial para se tornar história se alcançar resultados conjuntos”.

No primeiro encontro após a discussão na Sala Oval, Donald Trump parece ter dado razão à versão ucraniana de que Vladimir Putin não quer paz. Na Truth Social, escreveu que “não havia razões para Putin disparar mísseis para áreas civis e cidades”, destacando: “Isso faz-me pensar que talvez ele não queira parar a guerra, talvez ele está apenas a enrolar-me. [Talvez] isto tenha de ser tratado de forma diferente, através de sanções”. Ficava assim patente a ideia de que Trump se sentia usado. E de que não gostava. E que por isso ia ajudar o outro lado. A chantagem funcionou — aparentemente.

epa12057132 A handout picture made available by the Ukraine Foreign Affair Ministry shows Ukrainian President Volodymyr Zelensky (R) meets with the US President Donald Trump (L) as they attend the funeral Mass of Pope Francis in Saint Peter's Square in Vatican City, 26 April 2025. Pope Francis passed away on Easter Monday, 21 April 2025, at the age of 88.  EPA/FOREIGN AFFAIR MINISTR HANDOUT HANDOUT  HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

▲ Zelensky e Trump na Basílica de São Pedro, em Roma

FOREIGN AFFAIR MINISTR HANDOUT HANDOUT/EPA

O Kremlin não demorou tempo a reagir. Para não desagradar Donald Trump e evitar sanções pesadas, Dmitry Peskov veio esclarecer que a Rússia estava pronta “para retomar negociações com a Ucrânia sem quaisquer sem pré-condições”. Esta é, aliás, a designação que a presidência russa usa, quando sente que Volodymyr Zelensky se está a aproximar com o Presidente norte-americano.

28 de abril: a nova trégua proposta por Putin — desta vez de três dias

O pequeno recuo. Perante a aproximação entre Kiev e Washington, Vladimir Putin passou das palavras aos atos. Tal como na Páscoa, o Presidente russo anunciou uma nova trégua unilateral, que desta vez duraria três dias — de 8 a 10 de maio. O motivo foram “razões humanitárias”, mas é muito provável que este cessar-fogo tivesse a ver com o Dia da Vitória. O chefe de Estado da Rússia organizou uma grande cerimónia em Moscovo, a 9 de maio, para festejar a vitória do Exército Vermelho face às tropas nazis, onde recebeu vários líderes estrangeiros.

Vladimir Putin queria impedir que a Ucrânia tentasse prejudicar as celebrações e incentivou as autoridades ucranianas a aceitarem a trégua. Mas a Ucrânia não se mostrou colaborante: o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, questionou por que motivo se iria “esperar por dia 8 de maio”: “Se a Rússia quer a paz, deve terminar as hostilidades imediatamente”.

GettyImages-2213587157

▲ As celebrações do Dia da Vitória em Moscovo a 9 de maio

AFP via Getty Images

9 de maio: o Dia da Vitória e como Putin tentou mostrar que não está sozinho

A jogada para outros verem. A Ucrânia nunca deu uma resposta oficial à trégua de três dias. À semelhança do cessar-fogo durante a Páscoa, os dois lados relataram várias violações ao cessar-fogo. Ainda assim, Vladimir Putin conseguiu festejar com sucesso o Dia da Vitória.

O chefe de Estado da Rússia juntou mais de 25 líderes estrangeiros em Moscovo, destacando-se a presença do Presidente da China, Xi Jinping, e o do Brasil, Lula da Silva. Num discurso na Praça Vermelha, Vladimir Putin exaltou a união do povo russo e deu pistas que vai continuar a “desnazificar” e “desmilitarizar” a Ucrânia.

10 de maio: Zelensky recebe aliados europeus em Kiev, pressionam Putin e este responde

A resposta ucraniano/europeia. Horas após as cerimónias do Dia da Vitória terem acabado em Moscovo, Volodymyr Zelensky recebia em Kiev os seus principais aliados, numa espécie de resposta aos líderes estrangeiros que estiveram na capital russa. O Presidente de França, Emmanuel Macron, o chefe do executivo da Polónia, Donald Tusk, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o chanceler alemão, Friedrich Merz (na sua primeira visita oficial no cargo à Ucrânia), reuniram-se num encontro informal da “coligação boa-vontade”, que, à distância, contou com mais de 30 participantes, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

▲ Líderes europeus (Keir Starmer, Volodymyr Zelensky, Emmanuel Macron, Donald Tusk e Friedrich Merz) conversam ao telefone com Donald Trump em Kiev

Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano

Com o aval de Donald Trump, que falou ao telefone com os líderes em Kiev, a Europa pressionava Vladimir Putin a aceitar um cessar-fogo total e imediato de 30 dias. O Presidente russo tinha de dar resposta até esta segunda-feira. Caso contrário, a Rússia seria alvo de novas sanções, que seriam coordenadas entre as capitais europeias e Washington. Era a primeira vez que havia um posição comum entre os dois lados do Atlântico para obrigar Vladimir Putin a sentar-se na mesa das negociações.

Ao final do dia, após o Kremlin ter sinalizado que “estava a pensar” na proposta, Vladimir Putin deu uma conferência de imprensa. Reiterou a sua disponibilidade para alcançar um cessar-fogo, mas realçou que o gostaria de o fazer diretamente com a Ucrânia. O chefe de Estado da Rússia apontou para uma nova ronda de negociações teria lugar em Istambul, na Turquia, esta quinta-feira.

“Estamos a propor que Kiev retome as negociações diretas sem quaisquer condições prévias. Oferecemos às autoridades de Kiev que retomem as negociações já na quinta-feira, em Istambul”, afirmou Vladimir Putin este sábado à noite, lamentando ainda as ameaças dos países do Ocidente.

GettyImages-2190043603

▲ Putin propôs encontro em Istambul para discutir o cessar-fogo

AFP via Getty Images

11 de maio: Zelensky aumenta a parada e quer encontrar-se diretamente com Putin. E a pressão de Trump

A tentativa de fazer xeque. O Presidente da Ucrânia reagiu na manhã de domingo, saudando o “sinal positivo” de que a Rússia estava “finalmente a começar a considerar acabar a guerra”. Anunciando que a Ucrânia estaria presente na reunião em Istambul, Volodymyr Zelensky insistiu, contudo, na trégua de 30 dias. “Esperamos que a Rússia confirme o cessar-fogo — total, duradouro e fiável — a começar amanhã [na segunda-feira].”

Por sua vez, Donald Trump também deu a sua opinião sobre o assunto — e apelou a que as autoridades ucranianas aceitassem reunir-se com as russas em Istambul. “O Presidente Putin da Rússia não quer um acordo de cessar-fogo com a Ucrânia, mas quer antes encontrar-se na quinta-feira, na Turquia, para negociar o possível fim deste derrame de sangue. A Ucrânia deve concordar com isto imediatamente. Pelo menos serão capazes de determinar se querem ou não um acordo e, se não, os líderes europeus e os EUA vão saber como está o ponto da situação e vão agir de acordo com isso.”

O Presidente norte-americano não deixou de mandar uma farpa para o seu homólogo russo, duvidando que a Ucrânia “faça um acordo com Putin”, que está “muito ocupado a celebrar a vitória na Segunda Guerra Mundial, que não poderia ter acabado em vitória sem os Estados Unidos da América”.

epa12074563 Ukrainian President Volodymyr Zelensky arrives for a meeting with the Czech prime minister (not pictured) in Prague, Czech Republic, 05 May 2025. The Ukrainian head of state is on a two-day official visit to the Czech capital on 04-05 May.  EPA/MARTIN DIVISEK

▲ Volodymyr Zelensky propôs encontrar-se com Vladimir Putin na Turquia

MARTIN DIVISEK/EPA

Em reação a esta mensagem, Volodymyr Zelensky voltou a fazer uma jogada para encurralar Vladimir Putin. Sabendo de antemão que o Presidente russo não lhe reconhece legitimidade por causa da não convocação das eleições presidenciais ucranianas em maio de 2024 (que não foram celebradas pela vigência da lei marcial), o chefe de Estado desafiou o seu homólogo a um encontro pessoal, cara a cara.

Este domingo à tarde, Volodymyr Zelensky disse que ainda “estava à espera de um cessar-fogo total e duradouro” que vigorasse a partir desta segunda-feira. “E eu estarei à espera de Putin na Turquia na quinta-feira. Pessoalmente. Espero que desta vez os russos não encontrem desculpas”, atirou o Presidente da Ucrânia, num desafio a Vladimir Putin. Xeque?

12 de maio: Alemanha volta a acenar com sanções e Rússia rejeita cessar-fogo

Que jogada fará Putin? O encontro em Istambul está já a ser organizado pela presidência turca. Apenas Volodymyr Zelensky confirmou presença, não se sabendo quem é que irá do lado russo e se Vladimir Putin vai responder ao desafio do seu homólogo ucraniano. Porém, quem pode estar presente é o Presidente norte-americano; Donald Trump admitiu que, no seu périplo pelo Médio Oriente desta semana, poderia estar na reunião.

GettyImages-872718676

▲ Donald Trump pode encontrar-se com Vladimir Putin em Istambul

POOL/AFP via Getty Images

Entretanto, a Alemanha deixou um ultimato à Rússia. Tem até ao final desta segunda-feira para aceitar publicamente um cessar-fogo de 30 dias. “O relógio está a contar”, alertou o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, deixando o aviso: “Quando o dia acabar, os preparativos para as sanções vão começar a nível político. Paralelamente, estamos a preparar o 17.º pacote de sanções em Bruxelas”.

Essa pressão não funcionou, pelo menos até agora. O porta-voz do Kremlin criticou os líderes europeus por fazerem “avisos em forma de ultimato” e revelou que a Rússia não ia aceitar a proposta de cessar-fogo. “Esta linguagem é inaceitável para a Rússia”, ripostou Dmitry Peskov, admitindo, no entanto, que Moscovo está “disponível para encontrar uma forma para chegar a paz a longo prazo”.

Quinta-feira será um dia determinante para ver se este jogo de xadrez comunicacional, em que os dois países tentam superar o adversário, vai continuar ou se se vai chegar finalmente a uma conclusão. Em todo o caso, a Rússia e a Ucrânia querem que os Estados Unidos apoiem as suas propostas — e vão fazer de tudo para caírem nas boas graças de Donald Trump.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.