Não é nova a ideia de que existem determinados medicamentos milagrosos, onde se inclui até a Vitamina D,  que conseguem “matar” o vírus da Covid-19 ou até prevenir que se fique infetado. Desta vez,  a 31 de dezembro do ano passado, surgiu uma publicação de Facebook que garantia o seguinte: “A ivermectina e a azitromicina “matam o vírus”, sendo, por isso, necessário que fossem “dados gratuitamente em farmácias”. Atingiu as 215 partilhas. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa.

Comecemos pela azitromicina, um antibiótico usado para doenças infecciosas como bronquite, pneumonia ou otite, entre outras. “Não demonstrou papel relevante no contexto da terapêutica para a Covid-19 não tendo reduzido o risco de morte nem provado efeito em qualquer outro resultado clínico relevante para este vírus”. A garantia foi dada pelo Infarmed, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, ao Observador.

No que diz respeito à ivermectina, que ajuda no combate aos parasitas,  também não é possível afirmar que é eficaz no tratamento contra o novo coronavirus. “Não se podem retirar conclusões sobre a eficácia e segurança deste medicamento no tratamento da Covid-19, devendo aguardar-se resultados de ensaios clínicos realizados de forma robusta, devidamente desenhados e realizados para determinar com base em evidência técnico-científica, o papel desta substância ativa no tratamento da infecção”, garantiu aquele organismo de saúde.

Já o médico especialista João Júlio Cerqueira e autor da página “Scimed – Ciência Baseada na Evidência”, explica que os estudos randomizados feitos nos últimos meses ainda não permitem tirar conclusões como aquelas presentes na publicação original. “Tanto a azitromicina (também isolada) e a hidroxicloroquina (referida no post, igualmente isolada) não têm qualquer vantagem na prevenção ou tratamento da Covid-19”, conta.

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Para o médico especialista, os estudos randomizados demonstraram inequivocamente ao longo dos últimos meses que a hidroxicloroquina com azitromicina, a hidroxicloroquina isolada ou a azitromicina isolada não têm qualquer vantagem na prevenção ou tratamento da COVID-19. João Júlio Cerqueira dá o exemplo de um artigo científico da revista científica “The Lancet”, que descreve que a eficácia e segurança da azitromicina no combate a este vírus “continua incerta”.

Quanto à ivermectina, que está na linha dos medicamentos referidos, tem demonstrado “algum benefício”, ainda que o conhecimento científico existente não permita assegurar uma resposta médica eficaz. “Existem resultados positivos mas a qualidade todos estudos é demasiado baixa para tirar qualquer tipo de conclusão”. Acrescenta também que, para que surtisse efeito num ser humano, as doses aplicadas deste medicamento “seriam tóxicas”. Ou seja, “a plausibilidade terapêutica não está lá”, conclui.

Outras instituições vieram esclarecer alguns rumores e mitos sobre os medicamentos referidos. Por exemplo, a Food and Drugs Administration (FDA), agência federal dos Estados Unidos da América, confirma que não é recomendável que se use ivermectina para tratar ou prevenir contra a Covid-19.

Também alguns órgãos de comunicação social ou fact-checks internacionais  têm desmentido aquilo que é transmitido em publicações semelhantes à destacada no início. Por exemplo, a Associated Press confirma aquilo que é defendido pela FDA, negando a “eficácia milagrosa” da ivermectina. Já o “Aos Factos”, fact-checker brasileiro, considera que não é verdade que medicamentos como a azitromicina ou a hidroxicloroquina devam ser usados no combate ao novo coronavírus, citando a Organização Mundial de Saúde, quanto à não existência de um medicamento capaz de prevenir ou tratar a Covid-19 a 100%.

Para já, além das medidas de proteção individual como o uso da máscara, a higienização das mãos ou o distanciamento social, existem diferentes vacinas a serem administradas um pouco pelo mundo inteiro. A doença já matou mais de dois milhões de pessoas a nível mundial.

Conclusão

Não é verdade que medicamentos como a azitromicina e a ivermectina sejam a “receita milagrosa” para matar o novo coronavírus. O Infarmed esclareceu ao Observador que, quanto ao primeiro, não se revelou eficaz e, em relação ao segundo, ainda não é possível retirar conclusões, pois os ensaios clínicos são ainda insuficientes. Estas informações já foram desmentidas por outros fact-checkers internacionais, chegando mesmo a serem verificadas em sites oficiais de organismos federais, como a Food and Drug Administração que garantiu que, por exemplo, a ivermectina não deve ser utilizada para combater a Covid-19.  O médico especialista, João Júlio Cerqueira e autor da página “Scimed – Ciência Baseada na Evidência”, explicou ainda que, no que diz respeito a este medicamento, só poderia surtir efeito num ser humano numa dose elevada, o que seria tóxico.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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