A câmara do telemóvel está em modo selfie. Num primeiro momento vê-se um plano próximo do rosto do Presidente venezuelano, que de seguida abre o plano para revelar uma sala repleta de militares fardados. O vídeo, de um minuto, tem circulado em várias publicações nas redes sociais. Os internautas alegam que mostra uma mensagem de Nicolás Maduro aos Estados Unidos da América (EUA), que este mês duplicaram para 50 milhões de euros a recompensa para a captura do líder venezuelano.

“Após ameaça de Trump, Maduro exibe exército venezuelano”, lê-se numa publicação no Instagram do dia 12 de agosto deste ano. “Nicolas Maduro, ditador Venezuelano, exibe exército da Venezuela diante das ofensivas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. No vídeo que, viralizou, ele mostra o exército do país diante de Trump anunciar busca e prisão ao ditador”, destaca outro utilizador num post no Facebook.

Fact Check

Será o vídeo verdadeiro? Não há sinais que apontem para a possibilidade de as imagens terem sido criadas com Inteligência Artificial — como membros a mais, padrões ou cores inconsistentes. A Hive Moderation, ferramenta de deteção de conteúdos gerados por IA, aponta como improvável a hipótese de ter sido desse modo (0,3% de probabilidade).

Uma vez que o conteúdo foi gravado pelo próprio líder da Venezuela um segundo passo é verificar se foi publicado nas redes sociais e páginas de Maduro, do governo venezuelano ou até do exército nacional. De facto, é possível encontrar o vídeo numa pesquisa à conta de TikTok do Presidente. “Viva à pátria”, lê-se na descrição.

O vídeo foi publicado a 5 de julho deste ano. Segundo um comunicado no site do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação, foi captado um dia antes durante uma cerimónia em que Maduro vários elementos das Forças Nacionais Bolivarianas (FANB) foram promovidos a escalões superiores. O chefe de Estado participou no evento, que decorreu no Panteão Nacional da Venezuela, em Caracas, juntamente com a primeira-dama, Cilia Flores. No site também está disponível a transmissão de mais de uma hora da cerimónia.

O vídeo foi publicado um mês antes dos EUA terem anunciado o aumento da recompensa por informações que levem à detenção ou condenação de Nicolás Maduro. A primeira oferta, de 2020, era de 15 milhões de dólares (cerca de 12 milhões de euros). A 10 de janeiro de 2025 o Departamento de Estado norte-americano aumentou o valor para 25 milhões de dólares (cerca de 21 milhões de euros). Já a 7 de agosto deste ano a mesma entidade revelou num comunicado que tinha duplicado o montante, passando a oferecer 50 milhões de dólares (cerca de 43 milhões de euros).

Caracas qualifica como “ridícula” e “patética” recompensa dos EUA pela captura de Maduro

“Maduro ajudou a administrar e a liderar o Cartel dos Sóis, uma organização venezuelana de narcotráfico composta por altos funcionários venezuelanos. Ao conquistar o poder na Venezuela, Maduro participou numa conspiração narcoterrorista corrupta e violenta com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), designada uma organização terrorista estrangeira”, destacou o Departamento de Estado dos EUA. “A patética ‘recompensa’ (…) é a cortina de fumo mais ridícula que já vimos”, reagiu o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Yvan Gil.

Conclusão

O vídeo em que o Presidente da Venezuela surge rodeado de militares fardados é verdadeiro. Mas é falso que tenha sido gravado por Nicolás Maduro depois de os EUA terem revelado que duplicaram a recompensa por informações que conduzam à detenção ou condenação do líder venezuelano.

O conteúdo foi gravado um mês antes do anúncio do Departamento de Estado norte-americano durante uma cerimónia, que decorreu em Caracas, na qual vários elementos das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas foram promovidos.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ENGANADOR

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de factchecking com o Facebook.

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