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Horário de inverno. Uma hora a mais para deprimir?

03 nov. 2025, 22:15
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segunda, 03 nov. 2025
Fotografia de Paulo Farinha
Paulo Farinha
Editor de Inovação

Vamos acabar com a mudança da hora? Boa. E vamos adotar sempre a hora de verão? Nem por isso.

A questão não é fácil de resolver e há vários anos que os Estados-Membros da União Europeia tentam chegar a um consenso quanto ao fim da mudança horária. Na prática isso significaria que 450 milhões de pessoas deixariam de ajustar os ponteiros do relógio no último fim-de-semana de março e no último fim-de-semana de outubro (dar um desconto valente a esta frase, porque não sei quantos têm ainda relógios com ponteiros e quantos não estão já totalmente rendidos ao digital).

Adotar o horário de inverno parece ser o mais sensato, já que é este que está mais alinhado com as horas de luz natural ao longo do dia — coisa que ultrapassámos quando se inventou a eletricidade e esta se democratizou aos nossos lares.

Isto significa que, na pior das hipóteses, no inverno o sol nasceria pouco antes das oito da manhã em dezembro para se pôr por volta das cinco e meia da tarde. É chato? É, claro. É terrível. Mas se pensarmos que teríamos apenas uma hora de luz a mais nesse mês se estivéssemos sempre em horário de verão, então a coisa deixa de fazer grande diferença.

Mas há outro argumento mais pesado: se estivéssemos sempre em horário de verão, no mesmo mês de dezembro o sol nasceria às 8h50. Eu repito: 8h50. “Já imaginaste o que isso faz à cabeça de uma criança, que assim ia começar a escola todos os dias de noite?” A pergunta chegou-me por um colega quando há dias falávamos disto. E imaginei as minhas filhas a acordar de noite, a ir para a escola de noite, a começar o primeiro tempo de noite. E imaginei-me a mim também nesse filme. E não gostei.

Mais prático, acha este que vos escreve, era deixar a coisa como está, mas não creio que isto dure muito mais tempo. A poupança de energia já não é argumento e os ponteiros parecem — esses sim — estar finalmente alinhados para uma posição conjunta dos países da UE.

A mudança de hora e respetiva habituação a um ritmo diferente durante algumas semanas, até nos habituarmos, é uma das razões que contribui para a perturbação afetiva sazonal.

“A luz solar é determinante para a regulação do nosso relógio biológico e ajuda a regular a produção de serotonina, uma molécula que influencia o nosso humor”, diz a psiquiatra Maria Moreno, com quem a jornalista Sara Dias Oliveira conversou para este explicador sobre depressão sazonal, o nome porque é mais conhecida.

Está estudado, documentado, cientificamente validado. Existe mesmo e não é um mito. “Em algumas, a diminuição da luz solar nas estações de outono e inverno causa um desequilíbrio em neurotransmissores no cérebro, causando mais fadiga, sono, irritação, falta de energia, vontade de ficar na cama ou pouco interesse em atividades sociais e de diversão.”

Com o fim do “daylight saving time” como dizem os norte-americanos e estamos habituados a ver nos filmes, o ritmo circadiano tem de se ajustar e isso provoca sensações menos agradáveis numa série de pessoas. Se é uma delas, talvez este explicador ajude a entender. Se não é, talvez consiga compreender melhor o que sente o seu colega do lado quando se queixa.

Entretanto, além deste explicador, estes foram os últimos trabalhos que publicámos no Mental, a secção do Observador totalmente dedicada à saúde mental:

Reportagens

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Saúde Mental

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Opinião

Fotografia do Colunista
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Hoje há mais caminhos para a depressão resistente. Medicamentos mais “amigos” da atenção e da clareza mental e abordagens combinadas que juntam medicação e psicoterapia, além de outras respostas.

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Um burnout não é um dia pior, é uma máquina viva a desligar-se. Um dia, sem aviso, chegaram os sintomas físicos. Depois as consequências mentais. Até que tive de fazer uma escolha. E passei a errar.

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Geração ansiosa: quanto custa ao SNS o País que não dorme?

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por falar em saúde mental

A felicidade parece inalcançável? Há uma palavra para isso
New York Times
"A síndrome de Itália." Quando as cuidadoras imigrantes deprimem
New York Times
Os psicólogos que ajudam os jovens madrilenos
El País
O mais famoso toureiro da atualidade retirou-se. Uma questão de saúde mental?
El Mundo
E era do drama. Chorar, gritar, exagerar, queixar-se — parece que vale a pena
La Vanguardia
Brindar com água: a geração que não quer beber
Folha de São Paulo
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