Vamos acabar com a mudança da hora? Boa. E vamos adotar sempre a hora de verão? Nem por isso.
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A questão não é fácil de resolver e há vários anos que os Estados-Membros da União Europeia tentam chegar a um consenso quanto ao fim da mudança horária. Na prática isso significaria que 450 milhões de pessoas deixariam de ajustar os ponteiros do relógio no último fim-de-semana de março e no último fim-de-semana de outubro (dar um desconto valente a esta frase, porque não sei quantos têm ainda relógios com ponteiros e quantos não estão já totalmente rendidos ao digital). |
Adotar o horário de inverno parece ser o mais sensato, já que é este que está mais alinhado com as horas de luz natural ao longo do dia — coisa que ultrapassámos quando se inventou a eletricidade e esta se democratizou aos nossos lares. |
Isto significa que, na pior das hipóteses, no inverno o sol nasceria pouco antes das oito da manhã em dezembro para se pôr por volta das cinco e meia da tarde. É chato? É, claro. É terrível. Mas se pensarmos que teríamos apenas uma hora de luz a mais nesse mês se estivéssemos sempre em horário de verão, então a coisa deixa de fazer grande diferença. |
Mas há outro argumento mais pesado: se estivéssemos sempre em horário de verão, no mesmo mês de dezembro o sol nasceria às 8h50. Eu repito: 8h50. “Já imaginaste o que isso faz à cabeça de uma criança, que assim ia começar a escola todos os dias de noite?” A pergunta chegou-me por um colega quando há dias falávamos disto. E imaginei as minhas filhas a acordar de noite, a ir para a escola de noite, a começar o primeiro tempo de noite. E imaginei-me a mim também nesse filme. E não gostei. |
Mais prático, acha este que vos escreve, era deixar a coisa como está, mas não creio que isto dure muito mais tempo. A poupança de energia já não é argumento e os ponteiros parecem — esses sim — estar finalmente alinhados para uma posição conjunta dos países da UE. |
A mudança de hora e respetiva habituação a um ritmo diferente durante algumas semanas, até nos habituarmos, é uma das razões que contribui para a perturbação afetiva sazonal. |
“A luz solar é determinante para a regulação do nosso relógio biológico e ajuda a regular a produção de serotonina, uma molécula que influencia o nosso humor”, diz a psiquiatra Maria Moreno, com quem a jornalista Sara Dias Oliveira conversou para este explicador sobre depressão sazonal, o nome porque é mais conhecida. |
Está estudado, documentado, cientificamente validado. Existe mesmo e não é um mito. “Em algumas, a diminuição da luz solar nas estações de outono e inverno causa um desequilíbrio em neurotransmissores no cérebro, causando mais fadiga, sono, irritação, falta de energia, vontade de ficar na cama ou pouco interesse em atividades sociais e de diversão.” |
Com o fim do “daylight saving time” como dizem os norte-americanos e estamos habituados a ver nos filmes, o ritmo circadiano tem de se ajustar e isso provoca sensações menos agradáveis numa série de pessoas. Se é uma delas, talvez este explicador ajude a entender. Se não é, talvez consiga compreender melhor o que sente o seu colega do lado quando se queixa. |
Entretanto, além deste explicador, estes foram os últimos trabalhos que publicámos no Mental, a secção do Observador totalmente dedicada à saúde mental: |