Durante mais de uma década, a Catalunha foi governada por executivos que misturavam delírio separatista com delírio socialista. O resultado? Um território onde o conceito de autoridade foi dissolvido em slogans, onde o crime ganhou estatuto de militância, e onde os okupas são hoje uma verdadeira força para-política, ao serviço da causa woke, da anarquia legislativa e da engenharia social.

Em 2024, a região já contabiliza uma média de 23 ocupações ilegais por dia, com um total de 6.265 casas ilegalmente ocupadas e mais de 2.000 tentativas frustradas. Mas arrisco-me a dizer que estes números são até superiores. E não se trata de retórica inflamada: estes dados são os oficiais e colocam a Catalunha como responsável por 42% de todas as ocupações em Espanha. Só Barcelona representa 31% do total nacional, com impressionantes 6.778 casas ocupadas à venda no mercado. Em Girona, o número chega às 1.101.

Repito: casas ocupadas. À venda. Porque, hoje, em Espanha, há quem tente vender imóveis… com okupas lá dentro. Como se fosse normal. Como se fosse civilizado.

E isto num país onde o governo prometeu 183.000 casas sociais…, mas colocou no mercado pouco mais de 10.000. Ao mesmo tempo, a Catalunha acumula um défice crónico de construção, com uma necessidade anual de 25.000 novas habitações, mas com pouco mais de 15.000 iniciadas. O resultado é previsível: a oferta é escassa, o mercado está desregulado e os preços a subir. As políticas socialistas de controlo de rendas e intervenção distorcida no mercado apenas agravaram o problema — retraíram o investimento privado, reduziram a oferta e tornaram a habitação ainda mais inacessível. No fim, o Estado não constrói, o privado desiste e o okupa avança.

E como se organiza este caos? Com sindicatos, claro. Não os que defendem quem trabalha — mas sim os que defendem quem é criminoso, quem okupa. Os chamados “sindicatos de inquilinos” são, na sua esmagadora maioria, fachadas ideológicas para coletivos de okupas, activistas profissionais do subsídio e militantes da ilegalidade. Organizam protestos, pressionam políticos, intimidam proprietários e ditam regras em bairros inteiros. São o braço sindical da ocupação — protegidos, promovidos e muitas vezes financiados pelo poder político que supostamente deveria combatê-los. O que era para ser defesa do arrendamento justo transformou-se numa estrutura de legalização do roubo.

A Generalitat da Catalunha — sempre pronta a legislar em função das minorias mais barulhentas — prefere proteger os okupas a proteger os cidadãos. A conselheira do Interior, uma espécie de Ministra do Interior da Catalunha, Núria Parlon, tentou até relativizar, dizendo que “a maioria das casas ocupadas estão vazias ou em construção”. Mas a verdade é que são milhares as famílias que vivem o terror real de ver a sua casa invadida por militantes ideológicos, imunes à justiça, e ainda por cima registados nos serviços municipais graças a um decreto que permite o registo de residência de okupas e imigrantes ilegais. A esquerda cria o problema. E depois legaliza o problema.

Tudo isto, claro, embrulhado na ladainha progressista: gentrificação, especulação, justiça social. Mas no fundo, o que temos é puro roubo — sistemático, politizado e subsidiado.

A cultura okupa não é uma resposta social. É uma ferramenta de subversão. Um braço informal da agenda woke, que pretende demolir os alicerces da sociedade: propriedade, mérito, contrato, responsabilidade. Substitui-se o cidadão pelo coletivo, o contrato pelo cartaz, a lei pela ideologia.

E enquanto o pequeno proprietário paga a renda, o crédito, o condomínio e os impostos — o okupa entra, instala-se, regista-se nos serviços camarários, aciona a proteção jurídica e transforma a casa que nunca foi sua numa trincheira. A justiça? Demora 12 a 24 meses, com sorte. E durante esse tempo, o proprietário é forçado a continuar a pagar contas de água, luz, gás. Tudo em nome da “solidariedade”.

Em Portugal, os sinais começam a aparecer. O discurso já cá chegou: “direito à cidade”, “habitação como direito universal”, “luta contra a habitação enquanto mercadoria”. É a mesma cassete. E, como sempre, os que a tocam vivem bem — noutro bairro, noutra realidade, noutra bolha. Até que a bolha rebente.

A Catalunha não é um caso isolado. É um laboratório. Um aviso. Uma distopia em desenvolvimento. Um sítio onde a extrema-esquerda tomou conta da narrativa, da política e, literalmente, das chaves das casas.

Não é preciso ser “populista” para ver o óbvio. Basta estar acordado. E ter coragem de dizer: chega. A propriedade privada é sagrada. A justiça tem de ser célere. A ocupação ilegal não é um drama social — é um crime. E quem a promove, quem a protege, quem a justifica… está do lado errado da história.

Portugal, escolhe agora. Ou aprendemos com os erros dos outros — ou passamos a ser mais um capítulo da mesma tragédia. E depois, já não haverá porta por onde entrar. Porque já lá estarão outros.