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Coisas que só quem mora longe dos que ama entende /premium

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A cidade que você escolheu, a casa que você deixou por uns dias, os amores que te aguardam do lado oposto. Agora são eles que começam a clamar dentro do peito. E, de repente, a vida faz todo sentido.

Cada um vai embora por uma razão: trabalho, amor, estudos, medo, sede de mundo. As razões que levam cada um a alçar voo raramente são as mesmas. Todavia, há certas coisas que acabam por se repetir com todos que, por algum motivo, se flagram distantes de tantas pessoas, de tantos lugares, de tantas memórias e de tantos sabores que amam. Há, de fato, certas alegrias que só quem mora longe entende. Banalidades para quem está perto, coisas imensas para os que se tornaram turistas nas suas próprias antigas casas e visitantes na vida das pessoas que um dia já foram seu próprio lar.

Coisas supostamente bobas, como descobrir que nas datas em que você fará uma visita à sua cidade natal, por acaso, calhará exatamente o dia do aniversário de um velho amigo, no qual tantos outros amigos se concentrarão e, dessa vez- dessa rara vez-, você não será uma ausência. Você estará lá. Corpo presente. Cerveja na mão. Abraços reais e não abraços de caracteres. Você vai sair nas fotos, em vez ficá-las observando através de uma tela, frustrado, do outro lado.

Descobrir que você também estará lá bem no dia em que um dos seus pais fará uma pequena cirurgia, um exame de saúde qualquer, ou irá a uma consulta médica importante. E que você poderá estar ao lado deles. Segurar uma mão, ajudar a calçar um chinelo, dirigir o carro na volta. Você não precisará pedir notícias aos seus irmãos. Vai ser você quem vai dar notícias a eles.

Perceber que você, no meio de toda pressa e de toda loucura, conseguirá ir à casa da sua avó. Coisa que, em outra década, nem parecia um grande programa, mas que hoje parece uma das suas maiores conquistas. Você vai poder se sentar no sofá, observar seus gestos lentos, aceitar uma fatia de bolo e um afago na cabeça. E você, por alguns minutos, sentirá que, no fundo, o tempo não passou. E que, ali dentro, tudo sempre estará bem.

Lembrar que você vai poder ir àquele restaurante que era o de sempre e agora, com tantos quilômetros de distância, virou o de quase nunca. Os pratos, que seguem tendo exatamente o mesmo sabor de antes, terão um sabor muitíssimo melhor e bem mais intenso. Um sabor de saudade que se afasta, dando lugar a um paladar presente. Estranhamente bom.

Descobrir que você vai andar pela sua rua e as árvores vão parecer mais verdes, os passarinhos vão parecer cantar mais alto. O cheiro da terra vai te invadir sem pedir licença e, de repente, você se reencontra com partes suas que ficaram perdidas ao longo dos anos. A chuva não parecerá ruim, o sol intenso não parecerá exaustivo, o vento não parecerá causar estragos. Tudo parecerá estar exatamente em seu lugar. Inclusive você.

Os dias serão bons. Um pouco melancólicos, mas muito bons. E a alma começará a se encaixar melhor, até o ponto em que a saudade começa a ser reversa. A cidade que você escolheu, a casa que você deixou por uns dias, os amores que te aguardam do lado oposto. Agora são eles que começam a clamar dentro do peito. E, de repente, a vida faz todo sentido, como a planta que precisa das raízes para se nutrir, mas que sabe que seu caminho é crescer na direção do céu.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

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