O debate em curso sobre a grande influência global que a dupla Donald Trump e Elon Musk está a ter sobre os tradicionais valores democráticos e os perigos decorrentes do sucesso do extremismo político, corresponde a perigos reais, mas que não estão a ser bem compreendidos pela generalidade dos analistas, da mesma forma que os dirigentes políticos europeus estão longe de vislumbrar as medidas que possam contrariar os perigos decorrentes e esse é o maior perigo.
Tentarei demonstrar a questão com um exemplo: uma parte da opinião pública e a generalidade dos dirigentes políticos, como eu próprio, consideraram as declarações de Trump sobre a Groelândia, o Panamá e o Canadá como risíveis, mas estávamos todos enganados, o que só compreendi quando vi na televisão algumas populações da Groelândia a apoiar as ideias de Trump. Ou seja, a unidade entre o poder político, económico e militar de Trump e os meios de comunicação e de propaganda de Elon Musk, entre outros, não têm como meio o uso da força, mas a tentativa de usar em outras regiões do globo o que acabaram de conseguir ao ganharem as eleições nos Estados Unidos: a oratória e alguma violência verbal, um modelo de espectáculo visualmente credível e um mixe de ideias, tanto verdadeiras como falsas, mas ideias capazes de corresponder às frustrações e queixas dos sectores menos educados e mais marginalizados da sociedade. Foi isso que deu a vitória nas eleições a Trump, que muitos de nós julgávamos impensável.
Não sei o que pode acontecer no Canadá, mas no Panamá e na Groelândia não ficarei muito surpreendido se as populações perante a hipótese de uma vida melhor com as promessas do poder norte americano, poderão não hesitar. Ou seja, salvo melhor opinião, corremos o risco de com algumas verdades, meias-verdades e mentiras, a dupla Trump e Musk poder ganhar a opinião de metade do globo. Porventura, com a ajuda das políticas da extrema-direita e da extrema-esquerda europeia em temas tais como a imigração, a segurança e o Wok ismo, entre outras.
As aparentes tentativas de Elon Musk de influenciar as eleições na Alemanha, como os ataques feitos ao primeiro-ministro da Grã-Bretanha, fazem parte de uma estratégia que veremos alargar-se nos próximos tempos. Partidos da extrema-direita, europeus como o Chega e de outros pontos do Globo, serão, com maior ou menor evidência, apoiantes agradecidos. E, a propósito, Donald Trump precisa de conseguir uma rápida vitória pessoal na obtenção da paz na Ucrânia, independentemente dos prejuízos causados ao povo ucraniano e por duas razões: para mostrar à América e ao Mundo as suas capacidades para resolver uma guerra onde todos falharam e, não menos importante, fazer de Putin um aliado da sua estratégia. A China constitui uma diferente questão, porque será, provavelmente, e por outras razões a maior oposição a Donald Trump.
Confesso que não sei como a estratégia da dupla Trump/Musk pode ser evitada no curto prazo, mas não tenho dúvida de que será através da educação que esta e outras tentativas do extremismo global podem ser vencidas para sempre. Não a educação como a conhecemos em Portugal, mas a educação como a defendo, através da prioridade na educação das crianças nas creches e no pré-escolar e com a adição da educação dos comportamentos e das competências, em ligação com os habituais conhecimentos e em todo o sistema.
A educação constitui igualmente a única solução para a pobreza a nível mundial e o meio de evitar os excessos de imigração, seja como a via de reduzir o crescimento mundial da população, além de tornar a democracia a escolha preferida dos povos. Finalmente, porque a educação melhora a capacidade de criação de riqueza, nomeadamente o modelo de educação que preconizo, com a inclusão da formação dos comportamentos e das competências a partir da sua base natural que são as crianças. A que acrescento uma opinião muito pessoal, que é a de evitar os vícios das ideologias no meio educativo.