Nos últimos tempos, as autoridades russas têm tomado medidas muito duras para travar o aumento da sinistralidade nas estradas do país, a tal ponto que travestis, transexuais, sadomasoquistas e cleptomaníacos foram proibidos de tirar carta de condução.

No dia 31 de Dezembro, o Presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto que endurece as penas contra os condutores embriagados, que podem ir até 9 anos de prisão caso provoquem acidentes onde morram duas ou mais pessoas. Uma medida sensata num país onde a grande parte da sinistralidade nas estradas  é precisamente provocada pelo consumo excessivo do álcool.

Mas o primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev, decidiu ir ainda mais longe e fez publicar uma lei que proíbe a condução de veículos por qualquer pessoa com “problemas mentais e de comportamento”, entre os quais “identidade de género e preferências sexuais”. A lista mencionada inclui, dessa forma, travestis e transexuais, assim como fetichistas, pedófilos, exibicionistas, praticantes de voyeurismo e sadomasoquistas.

É importante fazer aqui um parêntesis para frisar que a lei foi assinada por Medvedev no dia 29 de Dezembro, mas só tornada pública no dia 6 de Janeiro, quando a Rússia celebra o Ano Novo e o Natal Ortodoxo (7 de janeiro). Por exemplo, entre 31 de Dezembro e 12 de Janeiro, os jornais e revistas russos não chegam às bancas.

O objectivo desta lei é fazer, entre outras coisas, baixar o número de mortos nas estradas russas até 10 casos por 100 mil habitantes. No entanto é difícil compreender como é que a proibição acima citada contribuirá para isso.

Dimitri Medvedev também não explica como é que a polícia de trânsito russa  deverá actuar quando vir ao volante conhecidos artistas russos que não escondem a sua orientação sexual não tradicional (Boris Moisseev) ou que participam em espetáculos de travestis (Alexandre Peskov ou Anatoli Evdokimov).

Ficamos também sem saber se esta lei tem efeitos retroactivos ou não.

Num país onde o excesso de álcool, o estado das estradas e a “compra de cartas de condução” são as causas principais da sinistralidade, proibir a condução a pessoas com “problemas” de “”identidade de género e preferências sexuais” é, no mínimo estranho.

Será que essa decisão de Medvedev visa contribuir para a descoberta de representantes das minorias sexuais escondidas nos diferentes sectores da sociedade russa? Já nada me espanta.