Que o melhor dia para casar sem sofrer nenhum desgosto é o 31 de julho, todos sabem. O que esta semana ficámos também a saber foi qual o melhor dia para lamentar um profundo desgosto. Isto porque dia 1 de dezembro saiu a notícia de que Portugal tem seis escolas de negócios entre as 100 melhores da Europa.
Portanto, já sabíamos ser fortes a formar trabalhadores — bastando constatar quantos exportamos, a título de oferta, para os países mais ricos do mundo — e agora temos mais uma prova de sermos igualmente fortíssimos a formar gestores. Ou seja, só nos falta mesmo aquilo que combina estas duas variáveis de forma a criar riqueza e que é aquela coisa… ai… como é que se chama?… raisparta… uma economia! É isso. Só nos falta ter uma economia.
Era ou não era giro, termos uma economia capaz de pôr todas estas pessoas a trabalhar em Portugal? O problema é já termos em Portugal um, digamos, sector económico que prospera tornando este cenário menos provável do que o Benfica ganhar a Champions este ano: o dinâmico sector da burocracia do Estado. Se bem que, calma, não tomem já o meu partido neste ponto, porque o mundo está a mudar tão depressa que eu próprio, do fim da última frase até este preciso instante, fiquei a achar que a burocracia do Estado é, afinal, o exemplo acabado de modernidade.
Pelo menos é o que retiro da opinião do Elon Musk, segundo a qual, no futuro próximo, o duo Inteligência Artificial-robótica dispensará, por completo, a necessidade de trabalharmos. Hipotética realidade que, portanto, só divergirá da burocracia do Estado a confirmar-se mais uma previsão do Musk, segundo a qual este admirável mundo novo trará tanta prosperidade, que mesmo se nessa altura José Sócrates estiver para ser condenado por empochar centenas de milhões de euros, será perdoado por se tratar de, segundo o juiz, “trocos”.
Ou seja, neste cenário — que é o mais benevolente que se pode congeminar, atenção! — a IA tem tudo para correr bem. Os jovens adolescentes de 35 anos, que já não procriavam nem constituíam família, terão ainda mais tempo livre (por não terem de despender aquela meia hora semanal a trabalhar) para dedicarem a sua energia parva, típica dos 14 aninhos, a actividades sortidas, mas que em comum têm o facto de nenhuma possuir qualquer vislumbre de propósito.
É, como “nada se perde, tudo se transforma”, aguardem pelo que aí vem de subprodutos deste amanhã que canta niilismo com umas ganas de fazer a liderança de Marcelo Rebelo de Sousa a cantar o hino com os sub-17 em Belém corar de inveja. Não, no futuro próximo, ou amanhã, o que chegar primeiro, a verdadeira ameaça à Humanidade não será uma nova geração de Exterminadores Implacáveis, daqueles que o cinema nos ensinou a temer. A verdadeira ameaça serão as novas gerações de Climáximos Implacáveis que teremos, literalmente pela frente, colados ao chão no hall dos quartos lá de casa quando tivermos aflitinhos para ir fazer chichi.
Sim porque, esqueçam, enquanto nas películas clássicas do Exterminador Implacável os humanos lutavam, valentes, contra as infernais maquinetas, no nosso caso da vida real talvez reparemos — talvez — que os robots já tomaram conta disto tudo quando nos arrancarem os olhos, até aí vidrados em ecrãs, por terem descoberto que constituem um snack até bem crocante.
Agora, uma coisa a tomada do planeta pelos robots humanóides já não vai a tempo de nos tirar. Aliás, acho que esses bicharocos computadorizados já têm tudo pronto para avançar com o domínio da Terra, mas também queriam ver o desfecho do congresso do Bloco de Esquerda. Que, muita gente notou, com malícia, apesar de ser o partido dos histeriquinhos do heteropatriarcado, da xenofobia e do ateísmo, elegeu um líder homem, branco e católico. Mas calma, não há qualquer contradição. Depois do estado em que as duas últimas senhoras líderes deixaram o partido, o homem está ali só mesmo para limpar a casa.
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