Os protestos que em Hong Kong se iniciaram há um mês são muito reveladores se pensarmos na herança que britânicos e portugueses deixaram naquela região da Ásia. Em Hong Kong, a possibilidade de extradição de suspeitos para a China levou milhões para as ruas, sabendo que estavam a correr o risco de serem presos e torturados. Esta coragem já tinha sido demonstrada em ocasiões anteriores e revela simplesmente o apego à liberdade e a cultura democrática que os britânicos deixaram naquele território.

As autoridades chinesas, e os seus representantes em Hong Kong e em Macau, irão agora hesitar antes de tentar implementar uma regra semelhante. Irão consegui-lo mais tarde ou mais cedo, não tenhamos ilusões sobre o Comunismo, mas ficaram a saber que a integração de Hong Kong será difícil.

Por isso, também é fácil concluir que irão começar por Macau quando quiserem forçar a integração dos dois territórios. Hoje, respira-se em Macau um clima de total dependência e subjugação face à China.

Não é difícil perceber que se a hipótese de extraditar um suspeito para a China continental tivesse surgido em Macau ninguém protestaria. Esta atitude é reveladora da herança portuguesa em Macau e do contraste face aos britânicos.

Os portugueses que foram colocados em Macau durante a administração portuguesa trataram em primeiro lugar do seu salário melhorado e da sua vidinha, aproveitando para conhecer o Oriente. O que deixaram vincado foi uma cultura de subserviência e de aproveitamento oportunista, e pouca preocupação sobre o destino dos habitantes do território. E este desinteresse é também comprovado pelo silêncio dos pretensos “defensores” dos direitos fundamentais em Portugal.

Passado um mês desde o início dos protestos nem um comentário foi publicado no jornal Público, onde os “justiceiros” são lestos a apontar os dedos aos “Bolsonaros” deste Mundo enquanto “disfarçam” os regimes cubano e venezuelano ou “escondem” a corrupção do Sr. Lula.

Tratando-se de uma ditadura de esquerda, os comentadores de serviço calam-se. O seu silêncio diz mais do que o “barulho” das palavras que habitualmente usam.

Economista. O texto reflecte apenas a opinião do autor