É preocupante que a juventude mais escolarizada que a humanidade já produziu manifeste uma franca desilusão com a política. Ou que se sintonize, mesmo que episodicamente, com discursos radicais, alguns duma enorme violência. Ou se divirta com líderes políticos parecidos com personagens de opereta, diante dos quais não tenha como não se achar claramente melhor.

É claro que também preocupa a forma displicente — e, até, ofensiva, na sua distracção — com que o discurso político se constrói em relação aos jovens. Cheio de habilidades demagógicas e com intenções manipulatórias que vão muito para lá do razoável.

A par, é ternurento, o modo como as mães, referindo-se ao futuro dos seus filhos, assumam que “só” querem que eles sejam felizes. Como se dissessem que, entre o sucesso e a felicidade, imaginando que nem sempre essas conquistas caminhem a par, a felicidade dos filhos é não só mais preponderante para elas como será mais difícil de atingir.

Mas podem eles imaginar-se felizes quando crescem num clima populista, onde o Estado parece não responder às suas preocupações mais elementares? E quando lhes estamos a deixar um mundo que vive cercado de crises: crise política, crise económica, crise da habitação, crise migratória, crise ambiental, crise da segurança social ou crise dos valores mais elementares da humanidade? E, como se nada disto já não fosse suficiente, um mundo que vive na iminência da guerra? E em que as retribuições do trabalho são precárias, considerando a qualidade de vida a que eles aspiram, e onde se banaliza a exploração das pessoas, mesmo daquelas que têm formação superior e profissões, supostamente, liberais? Como hão-de eles acreditar nos políticos – que os deviam arrebatar, em nome do futuro – quando eles parecem não ser de confiança? Como não hão-de utilizar o voto como manifestação de indignação ou de protesto? Não estaremos nós a exigir-lhes as convicções e a garra que eles percebem que não temos? E a dizer-lhes: “hipotequem a infância e a adolescência, trabalhem muito, muito, muito mas, por mais que o vosso futuro pareça uma “porcaria”, só queremos (muito!) que sejam felizes. Sim?!…”?