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Marcelo Rebelo de Sousa

Os selfies não chegam senhor Presidente /premium

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Num país de partidos divididos, políticos enfraquecidos e um governo minoritário, Marcelo será o único com uma maioria política e um mandato forte. Nessa altura, beijos e selfies não serão suficientes

A discrição do Presidente da República foi uma das notas mais interessantes da recente “crise política”. Se fosse outro chefe de Estado, por exemplo Cavaco Silva, teria sido visto como um comportamento normal. Mas no caso de Marcelo Rebelo de Sousa, a descrição surpreende. A discrição não tem sido a nota dominante do actual inquilino de Belém. As boas almas talvez achem que o Presidente se comportou com a prudência que exige uma crise política. Poderá ser verdade, mas também se notou, pela primeira vez na presidência Marcelo, uma genuína preocupação. Desconfio que o Presidente percebeu que os bons tempos políticos estão a chegar ao fim. E o mau tempo, quando chegar, também chegará a Belém.

A vida do Presidente Marcelo tem sido um passeio alegre, cheio de abraços, beijos e selfies. Não nego que o Presidente tenha mérito em relação à popularidade que alcançou e que tem mantido, mas a política é muito mais do que um concurso de popularidade. Marcelo foi eleito depois de anos muito difíceis. O país precisava de descontrair e de se entreter. O crescimento económico ajudou, e muito, assim como as tréguas que as extremas esquerdas e os seus sindicatos resolveram dar ao governo do PS. Os portugueses estavam ávidos de festa e de entretimento. Foi isso que Marcelo lhes deu, e nenhum outro político entende as carências emocionais dos portugueses como o nosso Presidente monarca. Por vezes, Marcelo parece uma estrela pop em digressão pelo país, a conviver com os seus fãs. Mas como o fim da geringonça e com o regresso dos sindicatos às ruas, a “Marcelo tour” está também a chegar ao fim.

Ao contrário dos seus antecessores, Marcelo Rebelo de Sousa chegou a Belém sem um passado político executivo. Marcelo fez política toda a vida, conhece toda a gente e tem uma inteligência emocional fora do comum, uma qualidade muito importante. Mas nunca tinha exercido um grande cargo político; até a sua liderança do PSD foi curta e acabou mal. Mário Soares foi Primeiro Ministro antes de ser Presidente. Jorge Sampaio foi Presidente da Câmara de Lisboa. Cavaco foi igualmente PM, e durante uma década. Marcelo não foi nada disso, nem sequer exerceu qualquer cargo ministerial relevante. De certo modo, a eleição de Marcelo foi a vitória de um comentador político.

O que vem aí não será fácil. Até Outubro, haverá uma campanha eleitoral de quatro meses, e a radicalização da política portuguesa. O PS ganhará em Outubro, mas sem maioria absoluta. Depois das divergências sobre os professores, será difícil repetir a geringonça. O PSD (e o CDS) estarão em guerras internas. No meio da instabilidade política, a situação na Europa e no mundo não vai melhorar, e a economia portuguesa continua frágil, com níveis de endividamento elevados. Será um país de partidos divididos, políticos enfraquecidos e um governo minoritário. No meio disso tudo, Marcelo será o único com uma maioria política e com um mandato forte. Mais cedo ou mais tarde, o país vai olhar para ele. Mas nessa altura, beijos e selfies não serão suficientes.

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