O Presidente da República que será escolhido nas eleições de Janeiro de 2026 irá exercer o seu mandato de 5 anos num tempo de grande incerteza e complexidade internacional, com consequências inevitáveis para Portugal.
É a política errática e agressiva do Presidente Trump em relação à União Europeia, é a violação das regras da Organização Mundial do Comércio que prejudica as exportações portuguesas, é a ameaça da Rússia à segurança europeia, é a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente e a instabilidade dos mercados financeiros.
Como os próximos 5 anos são o período em que Portugal devia recuperar o atraso de crescimento económico que é indispensável para a melhoria das condições de vida da população, a escolha de um Presidente da República capaz de garantir a estabilidade política, de construir pontes e facilitar consensos é da maior importância.
Neste contexto externo e interno, nas próximas eleições presidenciais não aconselho os portugueses a votarem em candidatos que não possuam os conhecimentos, a experiência política e as qualificações indispensáveis para exercer uma magistratura de influência ativa facilitadora de consensos entre o Governo, a oposição e as instituições da sociedade civil e que não sejam capazes de atuar como reserva de último recurso no caso de Portugal ser atingido por uma crise grave.
É sabido que sou um social-democrata e quero dizer aos portugueses que votarei no candidato Luís Marques Mendes. Conheço-o bem. Tem experiência política, conhece o funcionamento e as especificidades das instituições da nossa democracia, da governação do país e da política externa. E é uma pessoa de bom senso, qualidade muito importante para um Presidente da República.
Tenho acompanhado com respeito as posições assumidas pelos principais candidatos que se perfilam e concluí que, em minha opinião, alguns deles não possuem as competências e qualificações para o exercício das funções de um digno Presidente da República, como é o caso do Almirante Gouveia e Melo, o qual, aliás, indiretamente reconheceu não ser possuidor dos atributos essenciais por mim identificados no artigo “A escolha do próximo Presidente da República” que publiquei recentemente.
Não conheço pessoalmente o Almirante Gouveia e Melo. Sei que fez um bom trabalho como coordenador da distribuição das vacinas Covid 19 durante 8 meses, tal como o fez o oficial das Forças Armadas que lhe sucedeu.
Prestei serviço militar durante três anos e meio e sei que existem muitos oficiais das nossas Forças Armadas com conhecimentos de logística que seriam capazes de desempenhar igualmente bem a tarefa das vacinas. Mas, como é óbvio, não é esse tipo de conhecimento que qualifica um qualquer português para exercer as funções de Presidente da República.
As atitudes, afirmações e posições assumidas pelo Almirante Gouveia e Melo depois de desempenhar a tarefa de coordenador da distribuição das vacinas, em particular durante a sua campanha para a eleição presidencial, foram para mim esclarecedoras.
O Almirante Gouveia e Melo pode ter muitos predicados, mas não possui as competências e qualificações para exercer as funções de Presidente da República no quadro internacional incerto e complexo que se perspetiva para os próximos 5 anos.
Embora o resultado das eleições presidenciais não me afete pessoalmente, entendo que, em consciência, devo alertar os portugueses para o risco de instabilidade que Portugal pode correr se for eleito um Presidente sem as competências e qualificações para lidar com as situações difíceis, incertas e complexas com que o país pode ser confrontado e para defender os superiores interesses nacionais.
Nestes tempos de incerteza e ameaças, é fundamental que o futuro Presidente da República conheça bem o funcionamento das instituições do nosso sistema político, construa pontes e facilite entendimentos entre os partidos políticos, as forças económicas e sociais, o Governo e a oposição e seja capaz de atuar como reserva de último recurso se o país for atingido por uma crise grave.
Pela sua experiência política e pelo seu bom senso e qualificações pessoais, creio que é Luís Marques Mendes quem melhor pode desempenhar essa tarefa.
Votar nas eleições presidenciais de 18 de janeiro é muito importante para o futuro de Portugal.