1. Realiza-se hoje – segunda-feira 17 de Novembro – em Washington, DC, o jantar anual do American Enterprise Institute (AEI) que atribuirá o Irving Kristol Award ao distinto historiador Gordon Wood.

Não certamente por acaso, Kristol (1920-2009) foi e Wood ainda é (1933) grande Amigo de Portugal e da democracia portuguesa – restaurada a 25 de Abril de 1974 e confirmada a 25 de Novembro de 1975.

Isto faz inteiro sentido com o “Americanismo”, o Atlantismo e o “Ocidentalismo” de ambos. Como recorda muito certeiramente a notícia do AEI, Gordon Wood contrariou tranquilamente – através de uma distinta obra académica – os “preconceitos” da década de 1960. Nessa época, nas Universidades americanas e não só, a ortodoxia dominante (dos chamados “progressistas”) tendia a descrever os fundadores da República Americana (1776) como “aristocratas hipócritas que usavam ideais panfletários para mascarar o seu egoísmo económico e ambição política.”

Gordon Wood tranquilamente refutou estes preconceitos – não através de propaganda, mas através da redescoberta académica dos ideais fundadores da República Americana, proclamados na sua Declaração de Independência e depois reafirmados na Constituição: igualdade perante a lei, direitos individuais, freios e contrapesos.

Como refere o AEI, “estes ideais eram algo completamente novo que chamou a atenção de inúmeros observadores europeus, como Alexis de Tocqueville, e que atraiu milhões de imigrantes desesperados para determinar as suas próprias vidas.”

2. Falando da América e de Tocqueville, vale a pena referir a simpática coincidência de termos tido em Lisboa, na passada sexta-feira 7 de Novembro, a 25ª Palestra Anual Alexis de Tocqueville (do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica) proferida precisamente por um distinto académico americano, Professor William Galston.

Não é aqui o espaço para tentar resumir a excelente palestra de Galston. Mas é incontornável recordar que, falando sobretudo os presentes desafios à Europa e ao Atlantismo, Galston tenha recordado enfaticamente os comuns ideais demo-liberais da Europa e da América.

3. Também por coincidência – mas, neste caso, infeliz, na minha opinião – tivemos nestas últimas semanas uma série de incidentes culturais na América que chocantemente contrariam os ideais democráticos da Constituição Americana – enfaticamente recordados por Irving Kristol, Gordon Wood e William Galston.

Refiro-me sobretudo ao chocante apoio do (actual) presidente da Heritage Foundation, Kevin Roberts, à entrevista de Tucker Carlson (destacado apoiante do Presidente Trump) com um defensor de Hitler e do Holocausto (que nega ter existido), o qual dá pelo nome de Nick Fuentes.

Ocorreu em seguida uma revolta na Heritage Foundation, cujo fundador, Edwin Feulner (1941-2025), foi também – talvez não apenas por feliz coincidência – um grande amigo da democracia portuguesa e um destacado apoiante/inspirador de Ronald Reagan.

Em suma, como escreveu o Professor Robert George – também ele um grande amigo da democracia portuguesa – “o movimento conservador simplesmente não pode incluir nem acomodar ‘white supremacists’ ou racistas de qualquer espécie”.

4. Precisamente esta mesma asserção foi recentemente defendida – apenas mais uma feliz coincidência? – pelo destacado biógrafo de Winston Churchill, Lord Roberts of Belgravia, com assento na bancada Conservadora da Câmara dos Lordes britânica.

Diz ele, num documento de 27 páginas publicado pelo Think-Tank conservador Policy Exchange”:

“No ano após a eleição de Donald Trump como Presidente dos EUA, ruturas têm ocorrido no movimento MAGA com recém-chegados tentando impor os seus próprios programas no panorama Conservador americano. Indivíduos como Nick Fuentes (mais de um milhão de seguidores no X) têm alimentado um cocktail de ideias incluindo a negação do Holocausto, anti-semitismo e ‘white supremacism’.

“Um elemento deste revisionismo histórico inclui a negação do legado de Churchill. Numa aliança unholy com a esquerda política, tornou-se comum acusar Churchill de ‘racismo’, ou ‘imperialismo’; os novos revisionistas na direita descrevem Churchill como um warmongerist idealist que procurou a glória pessoal à custa da Grâ-Bretanha e da civilização Ocidental – ou mesmo como o chief villan da II Guerra Mundial.”

5. A concluir, diz (o Conservador) Lord Roberts, na página 27:

“Líderes Conservadores no Reino Unido e nos EUA devem estar alerta para as ameaças que aqueles pontos de vista colocam simultaneamente à credibilidade das suas ideias (Conservadoras) mais gerais e à sua legitimidade junto do público mais geral.”