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Quero aqui deixar uma primeira nota de sobriedade e de seriedade, porque se aproximam eleições europeias e a União Europeia é uma coisa séria. E, desde logo, é uma coisa diferente da “Europa”, embora sejam palavras normalmente utilizadas de forma indistinta.

São coisas diferentes, radicalmente diferentes, e nessa diferença reside o fulcro da questão “europeia” actual. A Europa é velha de milénios e deve as suas marcas de uniformidade civilizacional fundamentais (pelo menos a ocidente) a Roma e ao império unificador da lei e da cultura dos romanos. A Europa nunca foi, no entanto, um território propenso a períodos extensos de paz militar e as tensões, disputas políticas e guerras sangrentas foram praticamente sempre uma constante, muito potenciadas pela política de alianças entre os Estados (tal como concebidos, segundo parâmetros modernos, sobretudo a partir do séc. XVI), tão fundamental quanto variável.

Esta política de alianças potenciou a polarização entre blocos e tornou, por isso, cada vez mais difícil o surgimento de guerras localizadas e imunes à interferência de terceiros – as consequências desta alteração de escala dos conflitos desembocou nas duas guerras mundiais que a primeira metade do século passado conheceu.

Pois bem. É conhecido o estado de devastação em que se encontrava o nosso continente em 1945: um território exaurido económica e espiritualmente e destroçado física e financeiramente, imediatamente retalhado entre as potências aliadas e dividido a meio em termos ideológicos e geo-políticos.

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