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Em Lisboa, Fernando Medina representa o poder socialista e, ao mesmo tempo, também o pior desse poder: as suspeitas de corrupção, com a sucessão de vereadores do urbanismo sob investigação judicial; a fuga às responsabilidades, no caso da espionagem burocrática a favor da Rússia; a colonização partidária de instituições e empresas públicas, exemplificada pela Carris; a insistência no que já falhou e nunca resultará, como a tese de que a procura de habitação pode ser satisfeita apenas pela oferta do Estado (1200 casas em quatro anos…); e a disponibilidade para acomodar a extrema-esquerda e os seus preconceitos e raivas. Pensem numa tendência ou num tique de que não gostam nos governantes socialistas, e é quase certo que Fernando Medina tem essa tendência e esse tique.

Sendo assim, duas coisas são óbvias: primeiro, a derrota de Medina seria uma grande mudança para a cidade e também para o país; segundo, mais nenhum outro resultado – como seja algum rearranjo da representação partidária nos órgãos autárquicos — teria esse efeito. Ora, há apenas um meio de derrotar Medina: é o voto em Carlos Moedas para a câmara municipal. Todos os outros votos, devido ao método de eleição do presidente da câmara, são votos em Fernando Medina. “Socialismo ou liberdade”, em versão lisboeta, é “socialismo ou Carlos Moedas”.

Vale a pena examinar as razões pelas quais, para alguns, não parece ser assim. Primeira: Carlos Moedas não teria “esmagado” Medina nos debates. Ó santa inocência. Mas alguém “esmaga” alguém a este nível? Carlos Moedas fez o que precisava e devia fazer. Precisava de mostrar que estava pronto para debater, e mostrou-o. Devia deixar claro que a sua atitude e as suas ideias eram opostas às do seu adversário, e deixou-o claríssimo. A sua tranquilidade e correcção ressaltaram perante a arrogância e truculência de Medina. As suas propostas de poupar aos lisboetas 32 milhões de euros em impostos e de animar o mercado da habitação com a iniciativa privada não podiam ser mais contraditórias do que Medina oferece. É preciso não querer ver nada para duvidar de que com Carlos Moedas a câmara de Lisboa teria um presidente e políticas muito diferentes.

Segunda razão: os mais antigos partidos de direita não chegam, e nestas eleições autárquicas seria preciso dar lugar aos partidos mais recentes. Mas também é preciso, para elevar os novos partidos, manter Medina e o poder socialista em Lisboa? Pode um hipotético vereador do Chega ou da Iniciativa Liberal, destinado a uma marginalidade inútil na câmara, justificar o custo de uma vitória de Medina? Eventuais deputados municipais ou membros de juntas de freguesia do Chega e da IL não valeriam muito mais se o governo municipal fosse outro? Para isso, os eleitores nem precisam de deixar de votar Chega ou IL para a assembleia municipal e juntas de freguesia: basta-lhes votar na lista de Carlos Moedas para a câmara municipal. As três listas das eleições autárquicas resolvem o dilema de quem, querendo dar representação a novos partidos, queira ainda assim mudar Lisboa e começar a mudar o país. Para isso, só há um voto no domingo: é em Carlos Moedas.

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A terceira razão é a mais ingénua de todas: um sucesso de Carlos Moedas poderia dificultar a substituição das actuais lideranças do PSD e do CDS. É não perceber nada. Uma derrota de Carlos Moedas seria uma derrota para toda a direita, para os partidos antigos e para os recentes, para os líderes actuais e para os futuros. Como o jornalismo do regime já começou a notar, Carlos Moedas atreveu-se a ser “anti-socialista”. É óbvio que tudo está preparado para exibir um seu eventual desaire como a prova de que não vale a pena desafiar o poder socialista, nem mesmo com novos protagonistas e novas ideias. Não subestimem o decorrente efeito de desânimo entre as direitas, para acrescentar à abstenção de uns e ao conformismo de outros. Que quem, à direita, aspire a substituir líderes ou a fazer crescer partidos recentes perceba isto: não haverá nada para eles, por mais capazes que sejam e por melhores que forem as suas propostas, se Carlos Moedas não demonstrar que em Portugal é possível fazer oposição e vencer.

Em Lisboa, neste dia 26, não está apenas em causa o governo da cidade, o que já seria muito: está também em causa o futuro da oposição, isto é, o futuro da liberdade e da prosperidade em Portugal, porque sem uma oposição forte seremos menos livres e sem uma alternativa ao socialismo seremos cada vez mais pobres. À direita, não devia haver nada mais evidente do que isto: no domingo, todos somos Carlos Moedas.