É de semiótica para totós que se trata. As religiões e os Estados sempre se alimentaram e perpetuaram através de símbolos – em torno de deuses, de líderes, de nações ou de civilizações, que nos definem por oposição aos outros.

Bastam poucos exemplos: o ritual iniciático com as cruzes de Cristo dos cruzados; os suplícios no pelourinho; os empalados de Vlad; a iconografia ideológica soviética; a queda da estátua de Saddam; a destruição dos monumentos de Palmyra pelo Daesh. Tudo símbolos de um determinado poder que é preciso reforçar ou, inversamente, que é necessário depor – destrói o que representa aquilo em que acredito e começarás a destruir a minha crença.

A Procuradora Joana Marques Vidal foi uma magistrada excepcionalmente competente, que criou uma boa equipa, que a respeitava – atenta a complexidade do cenário em que se moveu e o track-recorddos seus antecessores, isso é aceite por todos, transversalmente, em todos os pontos cardeais onde se queira perguntar. É a melhor Procuradora do mundo? É insubstituível? A sua saída é uma tragédia para a nossa democracia? Não, de modo nenhum! Mas é um símbolo – do combate ao crime sem tréguas, com integridade, probidade e desassombro.

O juiz Ivo Rosa foi sorteado para a Instrução da Operação Marquês. Nesse processo, o computador, perante a enorme complexidade de escolher entre dois nomes… Pifou!!! Por 3 vezes deu o resultado “erro no serviço de comunicações” e à quarta lá escolheu Ivo Rosa. As más línguas diriam que havia duas escolhas possíveis, Ivo Rosa e um outro magistrado chamado “erro no serviço de comunicações”. Ivo Rosa é um incompetente? É sinónimo de impunidade? Foi escolhido pelos arguidos? Seguramente que não!

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