Teresa Cupertino de Miranda, a primeira mulher portuguesa a competir no rali Dakar, morreu esta segunda-feira, aos 78 anos, confirmou o Observador junto da família da piloto.

“A nossa querida mãe e avó, Teresa, morreu em paz durante a noite”, lê-se na nota enviada, adiantando que a missa de corpo presente decorre esta terça-feira às 19h00, na Igreja de Santo António, no Estoril, com o funeral a realizar-se esta quarta-feira, às 14h00.

Segundo o que o Observador apurou junto de amigos da família, a piloto faleceu vítima de doença prolongada, na sua residência.

Enquanto piloto, foi pioneira em 1992, ao tornar-se na primeira mulher portuguesa a participar no Paris-Dakar, completando, de carro, o percurso entre Paris e a Cidade do Cabo, na África do Sul. Como recorda a revista Autosport, fê-lo num Nissan Patrol ao lado de Berta Assunção e Manuel Caetano, terminando a prova em 110.º lugar.

A mesma revista dá conta de que fez várias expedições um pouco por todo o mundo, participando em provas desportivas na Europa, na Ásia, em África e na América do Sul ao lado de gigantes do automobilismo português como José Megre. Fez expedições como uma que foi de Guiné-Bissau a Lisboa, outra de Paris a Pequim e outra ainda, em que percorreu cerca de 22 mil quilómetros, de Lisboa à Índia

O seu percurso no automobilismo foi registado em Viagem Com o Meu Olhar, livro fotográfico e de memórias que publicou em 2003 e onde deu conta da sua paixão por automóveis desde tenra idade. A propósito do seu lançamento, Carlos Sousa, um dos mais distintos pilotos da história de Portugal, lembrou como é que Teresa Cupertino de Miranda encarava a adversidade.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 7.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui e o sexto aqui]

“Há uns anos, estive numa prova em Espanha e ela teve problemas de direção assistida mas, heroicamente, consegue fazer mais de 300 quilómetros e chegar ao destino final. Este é um exemplo da coragem que a Teresa possui”, afirmou ao Correio da Manhã.

Herdeira de Artur Cupertino de Miranda, fundador do Banco Português do Atlântico, a sua família foi, até ao 25 de Abril de 1974, uma das dez mais ricas do país. Destacou-se no seio desta família pelo seu espírito aventureiro e rebelde, enveredando por uma área competitiva à época reservada aos homens.

A Autosport destaca a sua “visão, coragem e paixão” como fulcrais para que outras pilotos surgissem no panorama do todo-o-terreno, como Joana Lemos, Céu Pires de Lima, Elisabete Jacinto e Maria Luís Gameiro. A mais velha das suas três filhas, Madalena Antas, também se tornou piloto.