A música online continua em grande expansão e o mais recente negócio da Google é disso um bom exemplo. Os números não foram divulgados oficialmente, mas as estimativas apontam para valores superiores a 15 milhões de dólares. Ao contrário do que geralmente acontece, esta aquisição não implicou, para já, o encerramento da Songza, que vai continuar a oferecer os seus serviços a milhões de clientes na América do Norte.

Com o Songza é possível ouvir listas de música de verão, de música para ouvir no chuveiro, para o amanhecer e para o pôr-do-sol, escolhas para diferentes alturas dos dia e estados de espírito, construídas por pessoas e para pessoas. Está intimamente ligada com as redes sociais, e permite acumular o histórico das audições.

O Google Play Music aloja remotamente milhares de músicas, que ficam acessíveis na web e nas plataformas móveis Android e iOS. À semelhança do iTunes Match da Apple, o serviço da Google permite o streaming mas não oferece um sistema de recomendações. Já o iTunes Radio (ainda não disponível em Portugal) apresenta pacotes de música agrupados por temas.

A Songza está disponível apenas nos Estados Unidos da América e no Canadá, é uma startup que elabora listas temáticas e pré-definidas, mas construídas por curadoria humana, ou seja, os alinhamentos são feitos por algumas dezenas de “especialistas” e não por algoritmos informáticos, como acontece com o Pandora ou Spotify.

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Este aparente detalhe de as listas serem produzidas por pessoas pode vir a fazer toda a diferença na caraterização de um futuro serviço de música da Google. A componente humana por detrás de um alinhamento musical acrescenta a emoção que encontramos, por exemplo, na rádio (quando nela existem pessoas, claro). São de prever novidades na oferta musical da Google e também do YouTube e esta integração vem reforçar a manutenção do atual modelo de negócio da indústria discográfica.

Com o declínio permanente da venda direta de música em suporte físico e agora também no formato digital, o streaming está a ser uma fonte de receita crescente para artistas, promotores e editores (não contando com o licenciamento publicitário ou para cinema nem com os espetáculos ao vivo). Os valores de retorno para os artistas podem até ser ridículos, mas o modelo de negócio está a mudar, e em grandes volumes o streaming é um complemento importante e representa uma oportunidade de divulgação de novos projetos. Por todas estas razões, é uma fórmula que veio para ficar e a Google está na corrida.