A reunião de quarta-feira entre os líderes europeus não tomou nenhuma decisão sobre os três principais cargos que têm de mudar de ocupante este ano: Alto Representante de Política Externa da UE, presidente do Conselho Europeu e o próximo presidente do Eurogrupo. Sobre a equipa de comissários de Juncker também nada foi adiantado, ficando estas decisões adiadas para o próximo Conselho Europeu marcado agora para 30 de Agosto.

“Podíamos ter enviado uma SMS e poupávamos o dinheiro dos contribuintes no voo oficial. De qualquer maneira foi uma boa oportunidade para nos encontrarmos e desejar os parabéns à chanceler Angela Merkel”, disse Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano, à saída do encontro entre os 28 chefes de Estado e Governo. Na agenda para o encontro havia três pontos: a situação na Ucrânia, o conflito em Gaza e a distribuição dos cargos de topo em Bruxelas assim como a nova equipa da Comissão de Juncker. Só houve tempo para os primeiros dois tópicos e para desejar um feliz aniversário a Merkel, que completa esta quinta-feira 60 anos.

Em conjunto, os líderes europeus recomendaram o reforço das sanções “relativas à restrição dos investimentos na Crimeia e em Sebastopol” e apelou ao cessar-fogo em Gaza, mas adiou qualquer resolução dos problemas domésticos. Um dos pontos quentes da discussão sobre a troca de cadeiras em Bruxelas e que terá levado ao adiamento de qualquer decisão foi a insistência de Renzi na sua ministra dos Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, para o lugar de Alta-Representante quando os restantes Estados-membro lhe queriam dar o lugar de presidente do Conselho Europeu para Letta – ex-primeiro-ministro destronado em fevereiro por Renzi. Uma opção em aberto e a considerar até ao fim de agosto.

Tanto Merkel como Hollande disseram apoiar que seja um socialista a ficar com a representação externa da União.

Já Portugal tem vindo a defender que a posição de Van Rompuy, presidente do Conselho,  deve ser ocupada por Durão Barroso, que está de saída da presidência da Comissão. Publicamente, Passos Coelho já admitiu que teria “prazer” em apoiar o ex-primeiro-ministro para o cargo. Os países de Leste fizeram pressão no Conselho para que estas decisões só fossem tomadas depois de serem conhecidas as pastas atribuídas aos Estados-membro na comissão de Juncker – ou “interdependência” como Merkel preferiu chamar ao impasse.

Outro tema que animou a noite foi o anúncio por parte de Cameron, durante a sua remodelação via Twitter, da nomeação de Lord Hill, até agora presidente da Câmara dos Lordes, para comissário europeu britânico. No rescaldo do conflito com Juncker, este terá oferecido a Cameron um bom lugar caso o Reino Unido apresentasse uma mulher. Mesmo sem mulher, Cameron quer um bom lugar e está na corrida para uma das pastas mais desejadas, a dos Assuntos Económicos.