Com a derrocada das ações do BES a parecer incontrolável, e com os resultados anunciados a mostrarem ser muito piores do que se antevia, o Banco de Portugal e o Governo estão já a preparar tudo para dar, já no domingo, acesso à linha de recapitalização da troika, para assegurar a recuperação do Banco Espírito Santo, confirma o Expresso este sábado.

Ontem houve já várias notícias no mesmo sentido e até Passos Coelho já admitiu, no seu primeiro dia de férias, que poderia ser necessário a intervenção do Estado, estando em causa a estabilidade do sistema financeiro.

Segundo a edição de hoje do Expresso, o único cenário que o Governo exclui é mesmo o de uma nacionalização, como aconteceu com o BPN em 2008.

Para já, as possíveis soluções estão a ser analisadas com uma equipa da Direção-Geral de Concorrência, de Bruxelas, e com a Comissão Europeia, que terá de aprovar a decisão final. Mas avaliando pelo Jornal de Negócios, na sua edição de sexta-feira, e pelo Expresso deste sábado, o mais provável é que se tente separar os ativos saudáveis do BES daqueles ‘tóxicos’ descobertos nas contas semestrais do banco, divulgadas durante a semana.

Para além da definição precisa do modelo proposto para salvar o banco, o Banco de Portugal e Governo está também a avaliar qual o montante necessário, dos mais de seis mil milhões que estão disponíveis para recapitalizar a banca, vindos ainda do dinheiro da troika (e que ficaram guardados de parte, precisamente para este tipo de eventualidade). Outra dúvida é se, a par do dinheiro do Estado, entram já os privados que manifestaram disponibilidade para reforçar o capital do BES — ou se ficam à espera da clarificação da exposição aos restantes problemas do Grupo, como os do BES Angola. Vítor Bento, novo CEO do banco, tem viagem marcada para Luanda na próxima semana.