O ex-ministro das Finanças da Grécia, Giorgos Papaconstantinou, declarou-se hoje inocente de falsificação da chamada Lista Lagarde, uma lista com cerca de duas mil pessoas que teriam contas não declaradas na filial Suíça do banco britânico HSBC. Papaconstantinou é acusado de ter retirado o nome de três dos seus familiares desta lista.

Cinco anos depois de ter sido entregue aos gregos, a lista com mais de dois mil nomes de pessoas que terão alegadamente fugido aos impostos guardando o seu dinheiro em contas não declaradas na Suíça voltou para assombrar o então ministro das Finanças.

A lista, que é apenas um pequeno subgrupo da informação entregue pelo ex-técnico informático do HSBC Hervé Falciani às autoridades francesas, foi entregue ao Governo grego em outubro de 2010 por Christine Lagarde, então ministra das Finanças de França, para ajudar a combater a evasão fiscal no país.

No entanto, a existência desta lista só foi conhecida em 2012, depois de publicada por um jornalista grego na revista Hot Doc. Nessa altura, o Governo ainda não tinha lançado uma investigação.

O escândalo chegou mais tarde, quando se descobriu que três nomes de familiares de Giorgious Papaconstantinou tinham sido apagados da lista entregue por Christine Lagarde. O ex-ministro foi expulso do PASOK por Evangelos Venizelos, o líder do partido e que acabou por ser seu sucessor no Ministério das Finanças.

No entanto, a história não fica por aqui. Papaconstantinou foi expulso mas com acusações indiretas a Venizelos sobre a autoria da adulteração da lista. “Se a lista foi adulterada… a justiça tem de investigar imediatamente quem tinha motivos para fazer essa adulteração com uma mão tão pesada com o objetivo de me incriminar”, disse, acrescentando de seguida: “a razão pela qual a investigação parou assim que eu saí do Governo tem de ser explicada”.

O ex-ministro acusou ainda os parlamentares de tentarem fazê-lo pagar pelos pecados de todos os governos que antecederam o seu.

Evangelos Venizelos, que lhe sucedeu no cargo, e ainda é líder do PASOK, distanciou-se de imediato da questão, mas não se livrou de contestação interna por ter a lista na sua posse e não ter agido.

O Parlamento decidiu, em meados de 2013, retirar a imunidade e criar um tribunal especial para julgar Giorgios Papaconstantinou, algo que não acontecia há mais de duas décadas, e acusar o ex-ministro de falsificação de provas, má-conduta e violação do dever. Se for considerado culpado, Papaconstantinou pode ser condenado a prisão efetiva.

Dois dos partidos que maior força fizeram pela acusação compõem agora o Governo: o Syriza e os Gregos independentes. Na altura, o Syriza acusou o Governo de imputar apenas a Papaconstantinou as culpas do que seria um problema de corrupção mais vasto dentro do Governo. Já os Gregos Independentes acusam diretamente o ex-governante: “depois de centenas de horas de sessões de comissões parlamentares, é chegada a altura do senhor Papaconstantinou enfrentar a justiça”, disse Rahil Makri, um deputado do partido.

Hervé Falciani foi até 2008 técnico informático da filial suíça do banco inglês HSBC (agora sob grande escrutínio por alegadamente ajudar milhares a não pagarem os seus impostos). Nessa altura, Falciani terá copiado das bases de dados do banco o nome e dados de 130 mil clientes do HSBC e tentou vendê-la a vários governos, até que as autoridades francesas acederam à lista.

Christine Lagarde foi avisada que muitos dos nomes na lista eram gregos e então decidiu que iria compilar uma lista com esses nomes e entregá-la às autoridades francesas, para ajudar nos esforços para combater a evasão fiscal no país.