O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, decidiu cancelar a viagem ao Mali, no dia 17, por questões de segurança. Em causa estão os ataques ocorridos no último sábado que vitimaram cinco pessoas e feriram um militar português.

“Face aos últimos acontecimentos, no Mali, o ministro da Defesa Nacional foi aconselhado, pelas entidades competentes, a não realizar a visita nesta altura. Será ponderada uma nova data para a realização da mesma”, informou fonte oficial do Ministério da Defesa.

A presença de governantes e jornalistas estrangeiros no Mali poderia aumentar o risco de novos atentados.

Durante a madrugada de sábado, um homem armado entrou no restaurante La Terrasse, em Bamako, capital do Mali, e disparou contra as pessoas que se encontravam no interior, entre os quais um grupo de militares portugueses que, no entanto, escapou praticamente ileso. Ao mesmo tempo, um cidadão belga foi morto quando um outro atacante arremessou uma granada para dentro do carro onde seguia.

Na altura, as testemunhas disseram a um correspondente da BBC que os atacantes gritaram “Deus é Grande” em árabe, durante o ataque. A polícia maliana, por sua vez, em declarações à AFP, revelou que se tinha tratado de um “ataque terrorista”.

Ainda que subsistam dúvidas em relação aos autores do atentado, a hipótese mais provável passa pela Al-Qaeda, há vários anos em conflito com o exército do Mali no norte do país. Há dois anos, as tropas francesas e africanas tiveram de intervir para deter o avanço dos militantes da Al-Qaeda a Sul da capital. Os novos ataques, porém, lançam o fantasma de um eventual crescimento da ameaça terrorista no Mali.

A força da ONU no Mali integra atualmente 47 militares portugueses, que se encontram no país desde janeiro numa missão militar com a duração de quatro meses. O objetivo da missão é apoiar a população em questões relacionadas com o transporte de cargas, com o reabastecimento de víveres e apoio sanitário.